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Álbum póstumo do Maestro Letieres Leite chega nesta quinta-feira (19); escute já

Disco "Moacir de todos os santos" conta com Orkestra Rumpilezz, regida pelo Maestro

Victoria Dowling
19/05/2022 às 13h25

4 min de leitura

O último álbum gravado sob a batuta do Maestro Letieres Leite chega nesta quinta-feira (19), em todas as plataformas digitais e principais lojas de LPs do Brasil. Intitulado “Moacir de Todos os Santos”, o disco traz a Orkestra Rumpilezz – regida por Letieres, fundador da orquestra -, que apresenta parte do repertório da estreia fonográfica do músico Moacir Santos (1926-2006).

Letieres Leite faleceu em outubro de 2021, aos 61 anos, quando o álbum estava sendo mixado. O trabalho conta com sete dos dez temas de ‘Coisas’ (1965), primeiro lançamento do multi-instrumentista pernambucano Moacir.

Além do LP, o canal Arte 1 lançou, na quarta-feira (18), véspera da chegada do disco, um documentário inédito sobre a gravação do álbum. O filme foi dirigido por João Atala, Michael Atallah e Sylvio Fraga e traz depoimentos diversos, inclusive, do saudoso maestro baiano.

O disco conta com participações especiais como Raul de Souza (1934-2021), que toca trombone na “Coisa nº 4” e Caetano Veloso participa da faixa “Nanã – Coisa nº 5” (parceria de Moacir com Mário Telles).

Foto: João Atala/Divulgação

No texto da contracapa do lançamento, Gilberto Gil abordou a mistura musical feita por Letieres: “Inspirado no grande mestre pernambucano Moacir Santos, que o antecedera em algumas décadas nesse mister de estimular a fusão mais abrangente e profunda das linguagens nas músicas afro-americanas (a estadunidense, a cubana e brasileira), Letieres realizou, no breve período que a vida lhe concedeu, um trabalho de grande envergadura que deixa registrado agora neste disco que nos chega às mãos”.

‘Moacir de Todos os Santos’ é um sonho que começou em 2018, durante as gravações de ‘O Enigma Lexeu’ (Rocinante, 2019). Na ocasião, Letieres comentou com Sylvio sobre um show que havia feito com temas de Moacir. Sylvio o convidou para transformar o espetáculo em disco pela sua gravadora.

“Letieres escreveu os arranjos deste disco em um só mergulho, sem consultar os originais, de tão profundamente que conhecia o ‘Coisas’, do Moacir. É um disco absolutamente raro em muitos sentidos. A conexão entre maestros negros geniais, a percussão com papel de protagonista numa orquestra, o conhecimento profundo dos ritmos das matrizes africanas permeando a construção dos sopros cosmopolitas, a dança como guia”, iniciou Sylvio Fraga.

“E todo trabalho de Letieres é intrinsecamente ativista, colocando muitos pingos nos is em relação à importância incontornável que a música dos africanos escravizados tem na música brasileira. Não tenho dúvida que Letieres nos legou, com seu último disco, um dos trabalhos mais importantes do novo século na música brasileira”, finalizou o produtor.

‘Moacir de Todos os Santos’ foi arranjado e regido por Letieres Leite, dirigido artisticamente por Letieres e Sylvio Fraga, produzido por Letieres, Sylvio e Pepê Monnerat e gravado por Pepê e Edu Costa no Estúdio Rocinante. Uma vez com todos os áudios prontos, o disco foi misturado por Pepê – exceto a faixa “Coisa nº 5”, misturada por Michael Brauer – e masterizado por Eric Boulanger (The Bakery).

ÁLBUM “MOACIR DE TODOS OS SANTOS”

Foto: João Atala/Divulgação

Lado A

  1. “Coisa nº 4” (Moacir Santos) – Participação de Raul de Souza no trombone
  2. “Coisa nº 8” (Moacir Santos, Nei Lopes e Regina Werneck) – Participação de Joander Cruz no saxofone alto
  3. “Coisa nº 9” (Moacir Santos e Regina Werneck) – Participação de Joander Cruz no saxofone alto

Lado B

  1. “Coisa nº 1” (Moacir Santos e Clóvis Mello)
  2. “Coisa nº 5 – Nanã” (Moacir Santos, Mário Telles e Yanna Cotti) – Participação de Caetano Veloso na voz
  3. “Coisa nº 7” (Moacir Santos e Mário Telles)
  4. “Coisa nº 2” (Moacir Santos)

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