Mapa do Arrocha: quer curtir um arrocha em Salvador, mas não sabe aonde ir?


Show de arrocha na praia de Tubarão, no Subúrbio Ferroviário de Salvador

Arrocha, palavra que vem de Arrochar, que significa apertar e comprimir. Esse novo ritmo surgido e descoberto em Candeias, município situado a 46km de Salvador, apareceu para remodelar ritmos antigos e emprestar uma roupagem nova ao brega, a seresta e a outro estilo mais antigo, o romântico. O cantor Silvano Salles, uma referência do gênero no Estado, já definia em uma de suas canções o que seria o fenômeno popular da música baiana: ‘Um ritmo gostoso, corpo coladinho, são dois pra lá, dois pra cá’.

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O arrocha explodiu na Bahia e foi parar em todos os cantos do país. “O povo parou de falar ‘vamo pra seresta’. Falava ‘vamo pro arrocha’, devido a essa expressão que eu usava no show, ‘arrocha, arrocha!’”, conta o cantor Pablo, desvendando a origem do termo.

— O povo parou de falar ‘vamo pra seresta’. Falava ‘vamo pro arrocha´. Pablo, sobre a origem do termo

Cidade do Arrocha

Na capital baiana, a noite começa ‘caliente’ e bem cedinho. Largos, esquinas, praças, bares e botecos de bairros como o Subúrbio Ferroviário e Itapuã viram palco para encontros de arrocheiros e se vestem de boemia – herança das antigas serestas – e de romantismo, onde dançar agarradinho é um convite para uma paquera ou apenas para a diversão.

Mapa dos Points

A musa Nara Costa em show na The Best Beach, na Ribeira

O Subúrbio Ferroviário é um dos locais em Salvador que mais promovem festas do gênero e, por isso mesmo, abre o Mapa do Arrocha. A região traz todo mês as mais badaladas noites, em diversos pontos: Seresta do Gaji (Periperi); Churrascaria Espeto na Brasa (Paripe) e Quiosque do Lu (Marechal Rondon), são os points mais concorridos.

Ali perto, no bairro da Ribeira, os dançarinos de arrocha de plantão tomam conta do espaço Catamarã e na The Best Beach, que promove shows de artistas como Nara Costa e convidados.

A alguns quilômetros de lá, no fim de linha do bairro de Tancredo Neves, o point é o Espaço Zequinhas. Nas próximidades da Rodoviária, mais precisamente na entrada do bairro de Pernambués, de segunda a domingo, acontecem noitadas tradicionais de arrocha, no bar ao lado da Madereira Brotas, que oferece infraestrutura improvisada, não raro com teclado sobre grades de cerveja – mas nada que impeça a festa dos dançarinos românticos.

Casal curte no bar da Madeireira Brotas

No Centro de Salvador, os arrocheiros se revezam em diversos bares da região, entre eles destaca-se, o famoso Bar do Silva, situado no largo do Campo Grande, que promove shows aos finais de semana.

Entrando mais a interior do Mapa, seguindo até a BR 324, os baianos têm várias opções de festa para aproveitar os finais de semana. Os shows de arrocha lotam as casas noturnas da região.

Entre as dicas de lugares estão o Novilho Grill, em Águas Claras, e o Casarão, no Jardim Cajazeiras. Este último tem capacidade para 1.000 pessoas e promove apresentações mensais e semanais com artistas famosos. “Nara Costa, Amor Vadio, A2 e Canindé são alguns dos artistas que já se apresentaram no espaço”, diz Lito, dono da casa de show e organizador do Bloco Arrocha, que invade a avenida no Carnaval de Salvador.

Casais dançam agarradinho no Língua de Prata, em Itapuã

Mas, se tem um bairro na capital baiana onde o ritmo é preferência popular, e presença certa nos sons dos automotivos e dos bares – e na poluição sonora também -, este lugar se chama Itapuã, o mais arrocheiro de Salvador, segundo a nossa pesquisa.

No lugarejo imortalizado pelo ilustre morador e poeta Vinicíus de Moraes, que romantizava o lugar em doces versos (“É Bom…Passar uma tarde em Itapuã / Ao sol que arde em Itapuã / Ouvindo o mar de Itapuã / Falar de amor em Itapuã”), o som do mar de Itapuã disputa com a sonzeira que vem das caixas de som, falando de amor em ritmo de arrocha – e pagode. Em Itapuã, quem prefere um show com palco e infraestrutura, a opção são os espaços considerados redutos do arrocha: Jangada, Língua de Prata e Espaço Ipitanga. (Confira localização das casas citadas na matéria, abaixo).Reis e Rainhas do arrocha

Entre os artistas precursores do movimento estão, além do citado cantor Pablo do Arrocha, a musa Nara Costa, Silvano Salles, Márcio Moreno, Banda Asas Livres, Grupo Arrocha, Tayrone Cigano, Beto Botho, Nira Guerreira, Latitude 10, Bonde do Maluco, Trio da Huanna, entre tantos outros que surgem a todo o momento no Estado.

Arrocha Universitário

Com o sucesso avassalador do ritmo e o grande potencial comercial que ele apresenta, casas noturnas, que atendem a um público mais elitizado, também aderiram a esse movimento e promovem bandas de arrocha como suas atrações de destaque – porém, não aquelas tradicionais, mas um novo modelo denominado ‘Arrocha Universitário’.

É o caso do Armazém Vilas, situado em Vilas do Atlântico, no Litoral Norte. “A banda Kart Love toca aos sábados, com uma noite regada de muita gente bonita, e um arrocha que fala de amor. Mas para quem ainda prefere os lugares mais tradicionais, uma boa opção é o bar Camisa 10, no bairro do Trobogi”, diz o vocalista Lucas, da banda Kart Love, pioneira do Arrocha Universitário.

Onde curtir arrocha em Salvador

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