Nem Te Conto

Alice Wegmann relembra pressão para emagrecer

A Dalila de 'Orfãos da terra' também falou sobre como criou a vaquinha que mudou a vida de guardador de carro

Talita Duvanel, da Agência O Globo

Este mês de abril tinha tudo para ser um daqueles que Alice Wegmann gostaria de esquecer. Embora feliz com a estreia de “ Órfãos da terra ”, novela das 18h em que vive a vilã Dalila, a atriz de 23 anos não via muitos motivos para comemorar. Mal recebera a notícia da morte de um querido professor da faculdade, viu estampada nos jornais a crueldade com que oficiais do Exército dispararam 80 tiros contra o músico Evaldo dos Santos, sua família e o catador Luciano Macedo. Para piorar, como boa parte dos cariocas, ficou ilhada no Jardim Botânico, onde mora, e encontrou a casa de seu namorado debaixo d’água. Um vídeo recebido via WhatsApp, no primeiro dia de temporal, no entanto, inundaria o mês de Alice com outro astral, o da solidariedade. Nas imagens, um homem ajudava uma senhora a atravessar uma rua alagada em Copacabana, usando duas caixas como “ponte”.


— Compartilhei o episódio no Instagram, procurando alguma informação sobre aquele cara — conta a atriz. — A rede social tem esse poder de unir as pessoas e me aproximou da Thallys, uma moradora do bairro, e do Vicente Carvalho ( fundador do “Razões para acreditar”, um site que compartilha boas ações ao redor do mundo ).

Entre um inbox e outro, criou com Thallys e Vicente uma “vaquinha” virtual para ajudar o principal personagem do vídeo, que há 20 anos cuida dos carros na Rua Ministro Viveiros de Castro. Para se ter uma ideia da força do movimento, até a publicação desta matéria, eles já tinham arrecadado R$ 169 mil.

Considerada um dos mais promissores talentos da nova geração da TV, Alice está na labuta desde os 11 anos e passou por diversas novelas e minisséries.A determinação começou a aparecer nos tempos em que praticou ginástica olímpica. O dia a dia dos treinos ajudou a criar um escudo na menina frágil. — Sofri muito assédio moral, por parte de treinadores homens e mulheres. Era uma pressão enorme. Nos tratavam como se fôssemos incompetentes.

Anos depois, a pressão seria outra. No auge da adolescência e recém-chegada à TV, Alice ouvia que, se quisesse dar certo na carreira de atriz, teria de emagrecer. — Foi muito esquisito porque sempre usei muito meu corpo como atleta. Me senti oprimida — relembra. — Com as pessoas falando mais sobre isso, você vai se liberando. Hoje em dia, me olhar no espelho é cada vez mais fácil — admite.