Nem Te Conto

Atriz Juliana Knust relativiza pressão para emagrecer por papéis

"Quem aceita tem que correr atrás", afirmou Juliana

Agência O Globo

“Eu preciso trabalhar. Preciso colocar, de alguma forma, a arte para fora. Senão, eu explodo, enlouqueço”, diz Juliana Knust ao lembrar por que não se imagina longe da interpretação. A busca por novos ares na carreira levou a atriz a aceitar o primeiro papel de protagonista numa obra diferente de todas as que tinha feito anteriormente: “Apocalipse”, da Record, com um viés religioso.

— Era uma proposta irrecusável. A gente, como artista, quer sempre desafios novos, fazer personagens diversos. Ao status de protagonista, eu tento não dar peso, já que a maior diferença é na quantidade de cenas e de textos para decorar. Mas acho que há algum tempo eu estava naquele lugar confortável, de fazer sempre tipos com o mesmo tom. Eu achei que seria bacana apostar, falar com outro público. Caí de cabeça — afirma.

Foto: Sergio Baia/Divulgação

Ao mesmo tempo em que está no ar na novela contemporânea, Juliana aparece num papel que interpretou 15 anos atrás: Sandra, de “Celebridade”, em reprise na Globo. Aqui, neste editorial de moda, ela desempenha outro papel: o de modelo. E veste jeans, uma tendência que faz parte de seu dia a dia de mãe, funcionária e mulher antenada com a moda.

— Eu sempre fui basicona. Salto é para eventos, fotos e acabou. Admiro as mulheres que conseguem, mas, para mim, não dá. Além do mais, sendo mãe de duas crianças, eu tenho que ficar confortável. Se uso roupa curta, por exemplo, corro o risco de ficar com a bunda de fora! — diverte-se ela ao falar dos filhos, Arthur, de 3 anos, e Matheus, de 7, frutos do casamento com o empresário Gustavo Machado.

Preocupada com o bem-estar da família e com a onda de violência que assola o Rio de Janeiro, Juliana admite já ter pensado em mudar de país:

— Às vezes, vem esse pensamento. Para que meus filhos cresçam num lugar com o mínimo de segurança. Toda hora vemos assalto, pessoas matando... Quando saio com os meninos de carro, fico o tempo inteiro alerta. O mais velho já sabe que, se alguém nos abordar, ele tem que se soltar do cinto e sair tranquilo do carro. Já falei como ele tem que agir: “Descer da cadeirinha, sair e fazer o que o ‘moço’ mandar”. Sei que é triste eu pensar assim. É uma pena termos chegado a esse ponto.

Foto:  Sergio Baia/Divulgação
Aos 36 anos, a artista, de Niterói, enxerga-se consciente de seu entorno e em conexão consigo mesma. Em relação a sua imagem, ela alcançou a paz com a maturidade. No início da carreira, Juliana se via às voltas com pressões internas e externas para atingir o físico que os trabalhos pediam. Atualmente, ela diz entender as exigências da profissão e não brigar mais com a balança nem com o espelho.

— Nosso padrão é o que nos faz feliz. Não tem que existir parâmetro de beleza nem de corpo ideal. Não há perfeição — opina, acrescentando: — No trabalho, como lidamos com a imagem, podemos fazer ou não uma personagem que está mais magra ou mais cheinha. Quem quiser encarar tem que se jogar mesmo. Eu já tive que engordar dez quilos por um papel. Em vários outros trabalhos, sofri para emagrecer. Antes eu pensava: “Por que preciso ficar magra? Estou aqui para mostrar meu desempenho como atriz”. Hoje entendo que é a minha imagem que está ali, e que trata-se de um perfil pedido. No meio artístico, tem muita cobrança. Quem aceita tem que correr atrás. Não dá para ficar chorando.

Na rotina da artista não faltam exercícios físicos como musculação. Se houver oportunidade para um passeio com as crianças, atividades ao ar livre, pés na areia e um mergulho na piscina são os pedidos. O dia a dia saudável afasta qualquer neura com a chegada dos 40 anos:

— A idade não me assusta. Eu me sinto muito melhor hoje do que 20 anos atrás porque tenho equilíbrio. Isso a gente encontra ao longo da vida. Tenho gás para malhar, caminho, pego sol... Mudei meu dia a dia para ter qualidade de vida.