Nem Te Conto

Bárbara Paz diz ser não-binária: 'Descobri há pouco tempo'

"Não sei bem quem eu sou. Se tiver alguma referência para me dizer quem eu sou, ainda estou em busca", disse em entrevista ao podcast "Almasculina"

Redação iBahia (redacao@portalibahia.com.br)

A atriz Bárbara Paz revelou que se descobriu como pessoa não-binária, ou seja, que não se classifica exclusivamente no gênero feminino ou masculino. A revelação foi feita em entrevista ao podcast "Almasculina".

"Sou uma pessoa inquieta. Uma mulher, um homem, não-binária. Descobri que sou não-binária há pouco tempo. Um amigo meu falou que eu era, e eu acreditei, entendi. Sou uma pensadora, uma diretora, uma cineasta, uma atriz, uma pintora, uma escritora. Nas horas vagas a gente tenta tudo com as mãos, com a cabeça, com o cérebro e com a imaginação. A imaginação precisa estar trabalhando o tempo todo. Então, não sei bem quem eu sou. Se tiver alguma referência para me dizer quem eu sou, ainda estou em busca. Sou muitas coisas. Sou muitos, muitos, muitas. É difícil dizer quem você é para se apresentar. Sou uma pessoa de fazer o que tenho dentro, o que não é pouco. Arte", disse.

A atriz ainda falou sobre as referências de masculinidade que teve durante a vida.

"Tenho lembranças do que me contavam do meu pai. Mas de fato eu não lembro. Me lembro do que minha mãe contava sobre ele: que ele era um cachaceiro (risos), político... Então, guardo essas histórias como sendo minhas. Tenho recordação do meu avó, de quem eu gostava muito. Mas ele já era um homem doente também. Desde que eu me conheço por gente já me lembro dele debilitado. Então, o masculino, ele veio... Olha que interessante: as primeiras imagens eram dos médicos da minha mãe, que cuidavam dela, que zelavam por ela. Para mim, eles eram anjos. Eu era uma criança. Eu era apaixonada por aqueles médicos porque ali eu sabia que minha mãe estava viva, bem cuidada. Sabia que ela ia voltar para casa. Meu modelo de masculinidade é um lugar de conforto, de rede de proteção. Esse foi o masculino que eu vi. Éramos cinco mulheres em casa à espera de um maestro que nunca chegou"