Nem Te Conto

'Cauã e minha família me alertaram', diz Mariana Goldfarb sobre anorexia

Recém-casada com o ator, apresentadora hoje faz terapia

Gilberto Júnior, de Agência O Globo
"Quando estou diante do espelho, é a hora que converso um pouco comigo. Pergunto o que quero mudar em mim; como estou amadurecendo e me desenvolvendo como ser humano", conta Mariana Goldfarb . Nesses momentos, já descobriu tanta coisa, viu outras tantas deturpadas. É ela contra ela mesma. Não tem como fugir. Depois de uma montanha-russa de emoções, a apresentadora e modelo, de 28 anos, está segura e exalando confiança. Nada parece abalá-la, nem as duras críticas despejadas em suas redes sociais. "Criei couraça, mas não deixei minha essência pelo caminho. Não me fechei para as pessoas, o que é um desafio", diz Mari.
Foto: Reprodução | Instagram
Num papo sincero, a carioca reflete sobre sua vida, que teve uma reviravolta há três anos, ao se envolver com o ator Cauã Reymond — um dos homem mais cobiçados do Brasil. Entre idas e vindas, eles se casaram no dia 13 de abril numa cerimônia intimista, em Ibitipoca, Minas Gerais. "Escolhemos esse lugar por ser afastado, para manter nossa privacidade." Modelo há uma década, ela agora prepara um novo programa para a internet e possivelmente para algum canal pago. "Minha ideia é tratar de assuntos que são tabu, mostrar um ângulo diferente de algumas questões.”
Relação com a comida
“Há dois anos e meio, sofri com distúrbios alimentares. Não estava me permitindo comer. Minha figura estava feia, parecia um esqueleto e minha saúde estava debilitada. Foi um período complicado, de muita pressão ( nas redes sociais, por causa do namoro ). Cauã e minha família me alertaram, mas eu não enxergava a situação como eles. Perdi o controle. Estava num ciclo vicioso: não ingeria uma fruta sequer durante o dia, mas me jogava na barra de chocolate à noite. Certa vez, vomitei por me sentir culpada. Esse episódio foi marcante e percebi ali que estava doente, anoréxica. Fui procurar ajuda médica.”
A força das redes
“Na análise, a minha alimentação não é mais um tema. Falamos muito sobre minha relação com as mídias sociais. Pergunto o que as pessoas ganham destilando tanta maldade por ali. Criticam meu corpo, meus cabelos, minhas roupas, minhas sobrancelhas. É verdade que os ataques diminuíram bastante de uns tempos para cá, mas ainda estão lá. Também estou mais seletiva com o que posto no Instagram. A rede é uma ferramenta que pode colocar alguém nas alturas ou lá para baixo. Compartilho apenas o que vai somar. Não cravo uma perfeição que não existe. Demorei para entender que poderia estar fazendo mal para alguém.”
Lado escritora
“Escrevo muito, tenho tanta poesia para mostrar. Muita, muita, muita mesmo. Quando estou no táxi, escrevo na bloco de nota do celular. Também ando sempre com um
caderninho e lápis. Gosto de ler e ir marcar, sabe? No colégio, ganhei um concurso de poesia e ela acabou parando Biblioteca Nacional. Sempre tive essa coisa com a escrita, e isso tem me ajudado a entender o que acontece comigo.”
Leia abaixo uma poesia de Mariana
Escolhi a mim. Nunca pensei que a liberdade custasse tão caro. Nada antes foi tão duro de conseguir. Me sinto com sede depois de ter bebido oceano. Continuo com sede. Me sinto sem braço, sem perna, sem mão, mas não sem mim. Penso o que teria sido se eu tivesse optado pelos braços, pernas, anéis e brincos e esquecido das minhas sardas. É caro. Não é coisa de gente grande. É coisa de criança mesmo. Coisa de gente grande não quero, não. Sou pequenina, sou broto, botão, nunca quis ser avião, sempre fui passarinho. Prefiro a ausência de sapatos. Não sei andar de salto alto. Prefiro o andar dos gatos. Prefiro a luz da lua aos flashes dos fotógrafos, eles cegam. Prefiro o calor do sol ao do casaco caro. Aliás, não gosto de casacos, nem de vestidos de paetês, entendi que ao vestir-me de mim fico insuportável aos olhos dos que fogem de si. Me disseram que sou rebelde, talvez seja mesmo e ai de mim se mudar. Vou pagar ainda mais caro, caríssimo, vou pagar com a minha vida. Vou morrer. Não quero morrer assim, seria triste. Quero morrer vestida de mim. Quero morrer sendo insuportável. Quero ser lembrada pelo sorriso com os sisos a mostra, mas principalmente os caninos. Quero ser lembrada rebelde, criança, broto, botão, nunca avião. Já disse, sou passarinho.