Nem Te Conto

‘Com Xandinho, eu sou a minha melhor versão’, declara Marina Ruy Barbosa

Ela foi eleita uma das mulheres com o rosto mais bonito do mundo em 2017 no ranking feito pela publicação americana “Independent critics”

Agência O Globo

Ela é top, capa de revista. Menina dos olhos da publicidade, dita moda e comportamento, é fenômeno na TV e na internet (somente no Instagram, são mais de 22 milhões de seguidores). Foi eleita uma das mulheres com o rosto mais bonito do mundo em 2017 no ranking feito pela publicação americana “Independent critics”, lançou recentemente o livro “Inspirações”, casou-se no ano passado (com quatro cerimônias!) e, agora, prepara-se para estrear como protagonista da próxima novela das sete, “Deus salve o rei”, que começa nesta terça-feira. Essa Marina Ruy Barbosa é a mesma que chega para esta reportagem de calça skinny, bata e All Star. Com cabelo solto, ao natural, e cara lavada, ela bate um prato de macarrão com carne e salada enquanto dá a entrevista, e sem aquele manjado discurso de “não falo de vida pessoal”. Mesmo com uma vida cercada de luxo e bajulação, a atriz, que na trama dá vida à humilde plebeia Amália, não toma para si o rótulo de princesa que creditam a ela nem cai nas armadilhas da fama.

Foto: Reprodução

— Ninguém é uma coisa só. Acho que uma mulher pode ser bem cuidada, independente e correr atrás do que quer. Uma coisa não anula a outra. Eu me vejo como uma menina-mulher. Em alguns momentos, eu me sinto, sim, mais frágil. Em outros, forte, uma guerreira. Sou muito focada naquilo que quero. Descobri muito cedo o que eu queria fazer da vida, que é atuar. Agradeço todos os dias às oportunidades que estão aparecendo para mim. O fato de eu ter começado cedo e conquistado certas coisas muito nova despertou uma responsabilidade muito grande. Aprendi a lidar com os “nãos”, com os desafios e a cumprir com minha palavra — analisa a atriz, de 22 anos.

Nessa jornada, apesar da pouca idade, não há espaço para crises, garante essa carioca que está na estrada desde os 9 anos. Marina sequer cogitou um plano B de carreira. E é categórica ao afirmar que não deixou de viver nada por conta do trabalho:

— Tenho uma vida bem realizada. Eu me sinto sortuda, abençoada. Sempre fiz o que quis, terminei meus estudos e me diverti muito. Sinceramente, não tenho do que me arrepender. Sou feliz com as decisões que tomei. Mas não foi de uma hora para outra que as coisas foram acontecendo para mim. São anos construindo tijolinho por tijolinho da casinha, lutando pelo meu espaço. Não é fácil começar como atriz mirim, porque você pode ficar no meio do caminho. As pessoas têm que acreditar que você é capaz, têm que respeitar você pela atriz que você é, e esse percurso é complicado. Sempre tive receio de não conseguir realizar meu sonho, mas nunca tive dúvida do que queria ser. Meu trabalho me motiva e me transforma.

Com o passar dos anos, Marina conquistou a fama de menina perfeita, sempre impecável, em cima do salto. Mas ela pontua que essa imagem não corresponde com a realidade:
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— Que mania que as pessoas têm de rotular! É princesa, plebeia, patricinha, porra-louca... Todo mundo tem fases. Eu sou muito ligada à família, meio careta para algumas coisas. No dia a dia, não seco meu cabelo, não uso maquiagem. Ninguém tem saco para se arrumar o tempo inteiro. Xandinho (Negrão, marido) até comenta: “Amor, eu amo você sem maquiagem”. Graças a Deus, né? Porque essa daqui sou eu! Tem que me amar mesmo! É tão bom ficar em casa de moletom, sem hora para acordar, fazendo nada. O outro lado também é muito bom. E tudo certo!

Nem aí para as expectativas que criam em relação a sua vida, a ruiva segue seu faro e arrisca, investindo em outras searas, como no universo fashion. Do desfile para a grife internacional Dolce & Gabbana à linha de joias que leva seu nome, o que Marina faz vira tendência:

— Se eu ficar parada, fazendo o que as pessoas esperam, ou me preocupando com os comentários alheios, querendo acertar sempre, nunca vou sair do lugar. Não quero isso. Quero experimentar outras coisas. Tenho 22 anos, preciso sair da minha zona de conforto. E se estou tendo boas oportunidades, por que não? Sou uma atriz que ama pra caramba o que faz, que gosta de moda, sim, e de literatura, funk, sertanejo. Que usa salto e usa tênis.

O sexto sentido é aguçado não só na hora de assinar um contrato. Poucas horas antes de embarcar para Fernando de Noronha, onde passou a virada de 2015 para 2016, ainda solteira, Marina recorda que teve um pressentimento:

— Foi muito doido. Nunca fui de ficar solteira, sempre emendei um namoro no outro. Acho que, por não ser muito baladeira, encontrava alguém e logo começava a namorar. Lembro que, antes de ir para Noronha, estava no camarim de “Totalmente Demais” (novela das sete exibida entre 2015 e 2016) e comentei: “Acho que lá vou conhecer o homem da minha vida, o pai dos meus filhos!”. Assim, do nada! Bem louca (risos). Sabe essa coisa de canceriana, de feeling? Eu nem sabia da existência do Xandinho. O pessoal até brincou: “Ah, tá, Marina!”. Ninguém levou fé. Quando voltei da viagem, falei: “Gente, acho que conheci”. Já saí do nosso primeiro encontro pensando: “Nossa, eu espero que ele tenha gostado de mim o tanto que eu gostei dele”. E olha que foi um jantar normal. Mas é que eu achei Xandinho um cara muito diferente, de verdade, tranquilão...
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Marina suspira e dá mais detalhes dessa paixão quase que à primeira vista que mudou sua vida.

— A gente se conheceu na virada, e ele me chamou para sair no dia 1º. Eu estava cansada e tal, mas fui. Saí de cabelo molhado, rasteirinha, sem maquiagem. Adorei ele logo de cara. Papo bom, falou que gostava de sertanejo (risos). Pensei: “Que graça!”. Um cara livre de pose, sabe? No dia seguinte, ele mandou uma mensagem dizendo que tinha sonhado comigo. Aí eu já pensei: “Hum, sonho é? Será que é papinho?”. Ele contou que sonhou que estava na minha casa, conhecendo meus pais... E eu pensei: “Êta!” (risos). E aí já foi. No outro fim de semana, a gente já estava namorando, e as coisas foram acontecendo. Nossas famílias se dão superbem. Ele é uma pessoa que veio para somar. Um cara que me acrescenta, com quem eu aprendo muito. Era para ser, né? — derrete-se a ruiva.

Ao longo do ano passado, Marina se casou com o piloto e empresário quatro vezes: numa bênção budista na Tailândia, no civil, no religioso e, enfim, na grande cerimônia, numa festa digna de conto de fadas, a maior e mais comentada de 2017. Ela, que cresceu diante do público, tinha noção da curiosidade das pessoas em vê-la vestida de noiva e do burburinho que o enlace causaria na mídia. Mas e ele?

— Xandinho é discreto. Gosta quando a gente está curtindo, numa boa. Mas sabe que eu vim com esse “pacotinho” (de sucesso). Então, ele não só aceita como apoia, porque sabe que é o que eu amo fazer, que tenho muito orgulho da carreira que estou construindo, e fica feliz por mim! Mas é claro que o momento de que ele mais gosta é quando está só com a Marina, sem o Ruy Barbosa — diz.

O casal, segundo ela, nem cogitou proibir o uso de celular na festança. A intenção era que todos se sentissem à vontade para registrar o que quisessem. E assim foi feito:

— Cada um tem um jeito. Não é justo criticar quem não libera celular. Mas, para mim, é uma bobagem. Não vejo motivo. A gente estava ali celebrando, e em todo casamento as pessoas tiram foto, querem postar. A gente queria que todo mundo se divertisse, sem moderação, só com bom senso, claro, se não ficaria chato. Tanto que foi até as oito da manhã, com os noivos mais animados, segundo todos os nossos amigos!
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Agora, a Srª Negrão precisa conciliar, como boa parte das mulheres, casa, trabalho e casamento. A vida a dois segue em fase de adaptação:

— No último ano, eu rodei dois filmes em São Paulo (“Todas as canções de amor”, de Joana Mariani, e “Sequestro relâmpago”, de Tata Amaral), e aí a gente ficou seis meses morando junto. Não foi de uma hora para outra, já estava ensaiando, experimentando. O que eu sinto é que, quanto mais tempo a gente passa junto, melhor é. Não estranhei o fato de estar sob o mesmo teto que ele. Estranho a distância, a correria... A gente fica querendo se ver logo, ficar juntinho.

No mais, com relação à administração das tarefas do lar, nada como um dia após o outro:

— Estou tendo que aprender tudo. Fazer mercado, lavar roupa, cuidar das coisas do dia a dia... Normal, né? Aprendi a cozinhar um pouco por causa da Amália (que vende caldos na feira de Artena, um dos reinos da história), mas não estou tendo tempo de preparar nada, porque o pessoal da novela não está me dando folga para treinar em casa. Xandinho cozinha muito bem. De fome, a gente não morre!

Marina, que é referência de beleza, está acostumada a ouvir elogios a cada passo que dá, mas tem consciência de que também se casou com um partidão. Confiante, ela jura que ciúme não tira seu sono:

— Eu era bem ciumenta, mas acho que têm pessoas que tiram o melhor de você, e outras, o pior. Sinto que, com Xandinho, eu sou a minha melhor versão. Ele me dá paz, segurança. Então, mesmo na correria, isso me tranquiliza. É um relacionamento de muita confiança. Não tenho motivo para ser ciumenta!

Se na vida real o casamento vai muito bem, em “Deus salve o rei” a história é outra: Amália passa por poucas e boas para viver o amor pelo príncipe Afonso (Romulo Estrela).

— Amália é forte, independente. É a mocinha da novela, sim, mas não é frágil, do tipo que fica esperando o príncipe encantado. Ela ama trabalhar e segue seus princípios — define.

Para dar vida à plebeia, Marina fez aulas de culinária, arco e flecha e hipismo. E construiu o perfil da moça com a ajuda de sua psicanalista:

— Quando coloco o figurino, vem uma força e uma postura que são só dela. Eu e Amália nos encontramos. Estava escrito!