Nem Te Conto

Drogas, Anitta e revelações: Leo Dias se mostra ao iBahia de uma forma que você não viu

'Dia desses, eu sujei a camisa de pasta de dente pouco antes de entrar no ar. Na hora, o Twitter em peso dizia ser mancha de cocaína', desabafa jornalista

Guinho Santos (guinho.santos@redebahia.com.br)
- Atualizada em

"Sempre fui o covarde da família". Difícil acreditar que essa declaração veio dele, um dos mais temidos pelos famosos atualmente: Leo Dias. O jornalista se tornou referência no assunto e é responsável por dar furos diariamente envolvendo as celebridades. "Minha vida é só trabalho", afirma ele, que se desdobra em meio ao 'Fofocalizando', no SBT, e à sua coluna no jornal 'O Dia'.

Tanto trabalho rendeu não só credibilidade, mas também fama para o carioca: só no Instagram, ele atingiu a marca de 1,6 milhões de seguidores. No Twitter, o número passa de 220 mil. O preço do sucesso a gente já conhece, mas o de dar a cara a tapa e falar do que aquele famoso mais quer esconder, não é tão fácil assim. "O preço é alto e não sei até quando eu vou querer pagar (...) Às vezes esqueço quem eu sou, onde cheguei e o que eu represento para o jornalismo de celebridades", revela.


Leo conversou com o iBahia e não hesitou em responder todas as perguntas
Foto: Estefan Radovicz/Agência O Dia

Paralelo aos dois empregos que mantém, Leo tem se dedicado também nos últimos meses à biografia não autorizada da cantora Anitta. Em suas redes sociais, inclusive, ele chegou a dar alguns spoilers do que vai ter no livro e garantiu que não tem medo da reação da funkeira após o lançamento da obra. "Anitta é o primeiro produto da internet, fruto do crescimento da classe C no Governo Lula, somada aos adventos da internet e do Smartphone", dispara.

Com uma vida tão complicada, Leo ainda tem que lidar com uma outra difícil situação. Em maio, à revista 'Veja Rio', o colunista tirou 'a máscara' e revelou um problema pessoal de saúde que tem há algum tempo: o vício em cocaína. O fato de cobrar sempre a verdade dos artistas o levou a fazer a confissão à reportagem na época: "falei a minha verdade, que muita gente esconde. Não vivo de mentiras". Assumir o vício não foi tão difícil assim. Para ele, o que o deixou mais triste foi o pós. "A coisa mais cruel que já sofri na vida foi o que o Naldo fez com a minha doença", desabafa.

Tudo o que viveu - e que ainda vai viver - deve ganhar as prateleiras em algum momento de sua carreira. E esse título, por sinal, já está pronto. "Antes de morrer, pretendo publicar outro livro: 'As histórias que eu nunca publiquei'", adianta. Confira entrevista completa do iBahia com o jornalista de celebridades Leo Dias:

iBahia: Antes de tudo, queria te parabenizar pela coragem que você tem. Não só em relação a assumir o seu problema pessoal, mas por ser destemido na sua vida profissional também. É assim que você se vê?
Leo Dias: Não. Sempre fui o covarde da família, da turma.... mas com o tempo eu descobri que a verdade é sempre a melhor saída. Para tudo. Por pior que ela seja. A minha carreira foi baseada em revelar a verdade escondida dos famosos. E quando chega a minha vez.... eu não podia mentir. Eu pago um preço alto por falar a verdade. Muita gente da minha família não sabia. Diariamente as pessoas criam teses e conclusões sobre a minha adicção. Dia desses, eu sujei a camisa de pasta de dente pouco antes de entrar no ar. Na hora, o Twitter em peso dizia ser mancha de cocaína. Imagine lidar com isso diariamente? O meio artístico brasileiro vive de mentiras. Eu não vou compactuar com isso.

Temido pelas celebridades, ele falou sobre
o preço de dar a cara a tapa
Foto: Reprodução/SBT
iB: O que te fez ser quem você é hoje, Leo Dias, e não o Leonardo Antônio?
LD: Leo Dias é um personagem que tem muito do Leonardo Antônio. Por exemplo, há algumas semanas o Fofocalizando debateu o aborto. Todos no palco de São Paulo opinaram a favor do aborto. O mundo achava que o louco do Leo Dias também apoiaria o aborto. Mas o Leonardo Antonio foi criado na Igreja Nossa Senhora Aparecida no Cachambi e lá ele aprendeu os dogmas da Igreja. E falei abertamente que era contra o aborto.

iB: Era isso que eu ia falar. Dia desses no Fofocalizando você se mostrou firme em seu posicionamento sobre o aborto. Você recebeu uma mensagem do seu pai e dividiu isso com todos no Stories. Ali, vi um Leo que eu não conhecia. Aliás, muitas outras pessoas também devem ter se surpreendido naquele momento. O que te leva a se 'abrir' assim? Família?
LD: Embora não pareça, sou um menino de família. Como eu tenho me dedicado quase que exclusivamente a este livro, meu pai traz todo dia meu almoço e minha janta. Que pai faz isso? Eu tenho uma família incrível e os meus valores vieram da minha criação. Sei muito bem de onde eu vim e esse mundo da fama não me fascina em nada. Eu sei muito bem que na hora que eu mais preciso, é o meu pai e a minha mãe é que estão ao meu lado.

iB: Óbvio que você já passou por muitas situações em sua vida e eu sei que a maioria delas já foram faladas em outras entrevistas. Você se arrepende de algo que foi dito ou já se arrependeu do que não foi dito?
LD: Claro, minha vida é cheia de erros e imperfeições. Através delas, eu procuro perceber os erros, tentar me corrigir e mudar de comportamento. Muita gente até hoje ainda associa o Leo Dias àquele cara temido, venenoso e inimigo dos artistas.... Eu mudei! Briguei com muita gente que passou a se tornar grandes amigos. E a vida é isso. Nada é definitivo. Graças a Deus existe o amanhã que nos dá a possibilidade de nos tornarmos pessoas melhores. 

iB: Você trabalha praticamente 24h por dia - tem o jornal, o programa e até recentemente tinha a rádio. Sua vida sempre foi assim: 'viver para trabalhar'? Isso é por prazer ou dinheiro?
LD: Não, eu tinha uma vida particular, hoje eu não tenho mais, minha vida é só trabalho. Mas é momentâneo. Estou muito dedicado ao livro da Anitta, mas daqui a pouco passa. Mas acho que esse livro pode mudar a minha carreira, a Ediouro já pediu para eu pensar em outra bio para 2019.

Leo contou que foi duramente criticado após assumir seu problema de saúde
Foto: Reprodução/Instagram

iB: Em qual momento você percebeu que não era apenas mais um repórter? Quando saiu do Extra?
LD: Amor, não pira, eu sou repórter, eu vou morrer repórter. Agora há pouco vieram me falar da doença que afastou Ju Paes de um programa da Globo. O repórter entrou em ação e em 15 minutos eu descobri a doença. Isso é trabalho de repórter.

iB: Você já percebeu a importância que tem ali no Fofocalizando, né? Não dá uma sensação de que 'carrega ele nas costas'? E por qual motivo não ter um programa seu?
LD: Nunca, jamais! O programa já caminha sozinho. No dia que eu achar isso, pode mandar me internar. Entenda uma coisa: ninguém é insubstituível. Eu sou apenas uma peça da imensa engrenagem.

iB: A gente sabe bem qual o preço da fama, mas qual o preço de dar a cara a tapa assim, diariamente?
LD: É alto e não sei até quando eu vou querer pagar. Sou alvo de comentários ofensivos que, vez por outra, me desestabilizam. Às vezes eu esqueço quem eu sou, onde cheguei e o que eu represento para o jornalismo de celebridades. Mas eu não faço o óbvio, e as pessoas estão acostumadas a padrões. Quando chega um louco e quebra isso tudo, ele apanha.

iB: O que te faz ainda estar sozinho (aparentemente, risos), sem assumir um relacionamento? Não rola um medo de ser um cinquentão que 'ficou pra titia'?
LD: Hoje eu desconfio de tudo e de todos. Não quero ninguém que idolatre o Leo Dias ao meu lado. Quanto mais ignorante em relação a celebridade, melhor. Meu grande amor tinha doutorado em Guimarães Rosa. Para ele entender a grandeza da Susana Vieira... demorou! Quero alguém que me ensine e não queira viver na minha aba. E o mundo tá cheio de gente interesseira.

iB: Por sinal, dia desses conversei com o David Brazil sobre isso e comentei que o que deve ter de gente que se aproxima de vocês por puro interesse... Como lida com isso?
LD: Amooooooor, a vida é um jogo de interesses, infelizmente. Eu aprendi a jogar. As pessoas me usam e eu uso elas. Quando eu sair do SBT, perder a coluna.... eu vou saber exatamente quem é quem na minha vida. Até lá, vamos jogando...

Leo revelou à revista 'Veja' seu vício em cocaína em maio
deste ano
Foto: Reprodução/Revista Veja Rio

iB: Leo, eu sei o quanto deve ter sido complicado pra você assumir o seu problema de saúde - e, como me pediu, não vamos prolongar muito neste assunto -, e você fez isso logo pra Veja. A impressão que tive foi que você 'usou' as cartas que muita gente tinha justamente pra usar contra você. É isso? 
LD: Talvez, mas não foi só por isso. Eu não sou idiota. Todos falavam da minha adicção pelas costas. Eu cobro a verdade diariamente dos artistas, na minha hora (quando a repórter perguntou) não poderia mentir. Aliás, odeio mentiras. Falei a minha verdade, que muita gente esconde, não vivo de mentiras e sei que este é o meu maior problema.

iB: Você se arrepende disso ou teve medo do quanto iriam te julgar a partir dali?
LD: Claro que não. Falei na hora certa, no veículo certo. Mas a coisa mais cruel que eu já sofri na vida foi o que o Naldo fez com a minha doença. Mas Deus é muito bom pra mim e Naldo já está pagando todo o mal que fez a mim.

iB: Qual foi o pior momento pra você após a matéria ser publicada? A repercussão, os comentários...?
LD: Foi o que o Naldo fez. Ele foi desumano, foi cruel, mostrou o seu pior e mais intenso lado. Mas o que esperar de alguém que bate em mulher? Mas eu entendo ele. Naldo já foi o número 1 do funk, mas como não tem talento algum, não sobreviveu por muito tempo.

iB: Você disse nesta mesma entrevista que nunca verbalizou que era gay em casa. E hoje? Sua família pode te ver diariamente, basta ligar a TV. Como seu pai, um ex-coronel, lida com isso? É meio que 'já passou dessa fase'?
LD: Meus pais veem pouco TV, tem pouco acesso à internet e, principalmente, respeitam as minhas escolhas. Escolhas, não. Porque se eu pudesse escolher, não seria gay.

iB: Nas últimas semanas, seu Instagram se tornou uma espécie de vitrine para a biografia de Anitta. Por quê?
LD: Já ouviu falar em divulgação? Marketing? Amor, se eu não me vender, ninguém fará isso por mim. 

iB: Teve quem comentasse que você estava fissurado pela Anitta - acredito que aqueles que não entenderam a proposta. Você viu algo de você na Larissa ou na própria Anitta?
LD: Quem dera! Larissa é uma exemplo a ser seguido por todo um país. Foi graças ao estudo e à determinação que ela chegou onde está. Anitta não é uma bunda, Anitta é o primeiro produto da internet, fruto do crescimento da classe C no Governo Lula, somada aos adventos da internet e do smatphpone.

iB: Você falou no Stories também que quer levar o livro para o pessoal da comunidade e, por isso, fará o lançamento em locais estratégicos, além de colocar um preço acessível. De onde veio isso?LD: Infelizmente, pobre não entra em livraria. A leitura não faz parte da vida do brasileiro. Mas a vida da Anitta é o melhor apelo para estimular as classes mais simples a ler o livro. O meu atual grande objetivo é fechar um acordo com a Jequiti. Se isso acontecer, essa biografia chegará a lugares inimagináveis. Aí, sim, o povo vai ler. Eu não escrevo pra elite. Eu escrevo pro povo.

iB: Li também que já recebeu propostas para uma próxima biografia, mas essa da Anitta não tem te 'consumido' a ponto de ainda ter tempo de já pensar numa próxima?
LD: Eu sou inquieto. Eu sou movido a desafios. Eu achava que não saberia escrever um livro e ele está ficando muito melhor do que eu imaginava. Ninguém sabe tão bem dos artistas populares como eu no Brasil. Tenho que usar isso a meu favor. E quero falar de gente viva. Nunca tive medo de processo. Não vai ser agora que eu vou ter.

iB: Até agora, qual lição que você tirou dessa primeira experiência como escritor - e logo de uma biografia não autorizada?
LD: A coluna que eu faço, o programa do SBT... é tudo descartável. A cada dia tem um novo. Livro, não. Livro é pra eternidade.

iB: Vou fazer bem a linha 'Fantástico' (risos). Aos 43 anos, o que você viu e o que você leva da vida? O que não levaria?
LD: Minha vida valeria uma biografia. E outra: antes de morrer, eu pretendo publicar outro livro: 'As histórias que eu nunca publiquei'.