Nem Te Conto

Evangélica na vida real, Heloísa Périssé já estudou Astrolologia

Atriz interpreta uma esotérica na novela 'A Lei do Amor' e já ouviu muitas críticas pelo trabalho justamente por ser evangélica

Agência O Globo

Se Mileide, a esotérica de “A lei do amor”, prevê o futuro, sua intérprete, Heloísa Périssé, tem o dom de controlar a meteorologia. Pelo menos foi o que pareceu no dia em que a atriz recebeu a equipe da Canal Extra para essa reportagem nos Estúdios Globo. Numa tarde cinzenta, com nuvens que ameaçavam derramar um temporal a qualquer momento, Heloísa apareceu toda de branco, com seu sorriso iluminado, afirmando que não choveria até que as fotos fossem feitas. Dito e feito.

Evangélica há 17 anos, a carioca, criada na Bahia, recebe 2017 com boas expectativas (“Espero que venha com muita força boa, muita esperança para as pessoas que passaram esse ano de uma forma complicada”), mas explica de forma bem-humorada que não daria bola para sua personagem, caso a sensitiva da ficção quisesse lhe fazer uma previsão para 2017.

— Eu diria: “Guarda para você” (fazendo o gesto de fechar a boca com zíper). Preferia que ela me desejasse amor. Porque eu não acreditaria em nada mesmo — diz a atriz, de 50 anos. Mas nem sempre ela foi cética no que diz respeito a assuntos esotéricos. — Durante um período da minha vida, frequentei cartomante, taróloga, astrólogo... Inclusive, estudei Astrologia. Então, eu sei um pouco como é, como isso procede — conta a atriz, que frequenta a Igreja Presbiteriana e não se arrepende de crenças passadas: — Foi um momento da minha vida. Tenho respeito. De certa forma, esse caminho me levou até onde cheguei. É assim que vejo. Mas sabe quando você vira uma página? Quando comecei a estudar a Bíblia, descobri muitas coisas que só vi lá. Então, fiz a minha escolha. Encontrei algo que falou mais alto para mim, que foi mais significativo, que me preencheu.


A atriz conta que a opção religiosa causou estranhamento, por conta da sua profissão, e ela chegou a receber vários questionamentos. Mas nada que tirasse sua serenidade. — Nunca escondi minha religião. No início, as pessoas ficaram surpresas, porque elas têm uma imagem, muitas vezes, completamente diferente do que é o cristianismo em si. Por isso, falo que sou cristã. A Igreja Evangélica, às vezes, é representada de um jeito em que eu mesma não reconheço o cristianismo. Quando me questionavam de forma interessante, eu respondia. Já as pessoas que foram agressivas, taxativas, não estavam preparadas ainda para ouvir uma resposta. Então, deixei as críticas pra lá — garante.

Ao se deparar com a atual personagem, Heloísa viu vir à tona mais julgamentos. Sem se abalar, ela dá uma lição de tolerância religiosa. — São duas coisas distintas como água e óleo. Eu vivo Mileide, mas não sou ela. Minha profissão me permite interpretar os mais diferentes tipos — diz, tranquila, fazendo questão de mostrar o outro lado, o da aprovação: — Olha, tenho tanta simpatia das pessoas que fico comovida. Eu recebo amor demais! A primeira coisa que vejo em alguém é sempre um sorriso. Vira uma troca de energia muito edificante. Devo isso ao humor. As pessoas são gratas a quem as fazem se divertir — avalia Heloísa, que, espirituosa, diz sentir que Deus ri com ela: — Sinceramente, se tem uma coisa que faço com Deus é rir. Eu sinto que rimos juntos. Às vezes, estou orando, louvando no jardim da minha casa e digo: “Senhor, fica de olho aberto pra não aparecer uma cobra” (risos). Sinto que há essa troca. Afinal, Deus é alegria.

Nas ruas, as abordagens em relação a Mileide são sempre brincalhonas. — O que mais escuto é: “Lê a minha mão”; “O que você está vendo pra mim?”; “Olha, quem chegou! A anteninha ligou”. É sempre na sacanagem mesmo, sem confusão entre personagem e atriz. Sempre respondo na maior brincadeira também — conta. Aliás, os bastidores de “A lei do amor” são uma diversão só.

— Impossível ficar séria ao lado de tanta gente engraçada. Fazer par com Érico Brás (o Jáder) é uma explosão. Vera Holtz (Magnólia) está sempre para cima, é uma pândega, Claudia Raia (Salete) é minha alma gêmea (risos) — diz, entusiasmada.

Cinquentona sem neuras

Talvez seja o bom humor o segredo de Heloísa para ter entrado tão bem nos 50 anos. Mãe de Luiza, de 17 (fruto de seu relacionamento com Lug de Paula), e Antônia, de 10, filha de seu marido, Mauro Farias, de 58, a atriz não esconde que se sente muito bem (obrigada!) no time das cinquentonas. — Essa idade para mim tem sido muito especial. Se não for o melhor momento da minha vida, é um dos melhores. Meu marido é um príncipe encantado, sou casada há 14 anos e cada dia que passa parece que o conheci ontem. Vivemos superbem. Tenho minhas duas filhas que foram presentes de Deus. E estou naquele ponto de já ter aprendido muito e ainda não ter esquecido nada. Só me resta aproveitar e ser cada vez mais feliz — discursa.

Heloísa está tão à vontade com a nova idade que até já se deu um apelido.

— Eu me considero uma mulher amiga do tempo. Nós temos uma harmonia... Acho que isso gera uma boa vontade dele para comigo (risos). Sério, é que à medida em que os anos passam me sinto muito melhor, tanto que me autodenomino Mulher Vinho — brinca a atriz, que, gaiata, conta a idade de forma inusitada: — Quando fiz 30, decidi parar por aí cronologicamente. Vejo pessoas oito anos mais velhas do que eu, que, milagrosamente, passaram a ser três anos mais novas. Resolvi, então, fazer 31, 32, 33, 30 e 10, 30 e 11... Esse ano eu fiz 30 e 20, mas me sinto com 30.

Brincadeiras à parte, a vaidade não é um de seus pecados capitais.

— Cuido da minha saúde, essa é a minha vaidade. Sempre gostei de me exercitar, é natural para mim. Acho que quando você cuida do seu interior isso se reflete no exterior. Por isso, não me preocupo com a idade, mas em como chegar à velhice. Acho que vai ser cada dia melhor — acredita. Ainda sem recorrer a nenhuma plástica (“Se um dia eu achar que devo, vou fazer, sim”), Heloísa acredita que haja muitos recursos antes de qualquer intervenção.

— Não sou contra plástica, mas tudo tem uma medida. Hoje em dia, há muitas opções. Então, defendo que, enquanto puder ir segurando, a pessoa deveria segurar. Definitivamente, acho que a beleza está mais ligada a coisas subjetivas — filosofa ela, que se preocupa com a busca incessante por uma efêmera juventude: — As mulheres acabam caricaturas delas mesmas e isso me assusta. Elas vão em busca de um milagre e procuram no lugar errado. Plásticas excessivas não vão fazer a pessoa parecer mais nova. Às vezes, parecem mais velhas. E todas ficam com a mesma cara. Eu vou ter uma ruguinha aqui e outra ali. Prefiro isso a ter que me padronizar dentro de uma coisa falsa, de uma noção de estética fake, que não melhora nada — pondera.