Nem Te Conto

Fabiula Nascimento se declara a Emilio Dantas: 'Meu marido é a melhor pessoa do mundo'

Dona do próprio nariz, artista e personagem têm em comum a liberdade de serem quem são, sem amarras

Agência O Globo
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Sem meias palavras, autoconfiante e de uma praticidade invejável. Fabiula Nascimento, essa curitibana de 39 anos, fincou raiz na dramaturgia e vem fazendo barulho mais uma vez, agora na pele da livre e desimpedida Cacau, de “Segundo sol”. Dona do próprio nariz, artista e personagem têm em comum a liberdade de serem quem são, sem amarras. Mulheres destemidas.

Foto: Vinícius Mochizuki

— A vida é assim. A gente tem que se adaptar e lidar com os monstros. Não posso viver com medo, deixar de apostar. Acho tudo válido. Ficar caindo em armadilhas, me boicotar? Isso não existe pra mim. Sempre me virei — decreta Fabiula.

Na história de João Emanuel Carneiro, a cozinheira deixou Boiporã para tentar a sorte em Salvador. Com a fuga da irmã, Luzia (Giovanna Antonelli), acabou virando “mãe” dos sobrinhos, Ícaro (Chay Suede) e Manu (Luisa Arraes), da noite para o dia. Justo ela, que nunca sonhou com a maternidade. Até bem pouco tempo, a atriz também não planejava filhos. O relógio biológico só despertou quando conheceu o marido, Emilio Dantas, de 35 anos, intérprete de Beto Falcão na mesma trama.

— Vou ser mãe, com certeza! É que a vida foi me levando para outros caminhos, e eu nunca tinha pensado em filho até ter Emilio. Quero construir uma família com ele. Não sabemos onde vamos estar daqui a dez anos, se juntos ou separados. Espero que juntos, sim, e como família para sempre. Eu não sei mais da minha vida sem ele. Emilio é meu amigo, meu parceiro, meu encontro — declara-se a atriz.

Desde que assistiu a “Teus olhos meus” (em 2011), longa de Caio Sóh, estrelado pelo ator, Fabiula nunca mais o perdeu de vista. Passou a acompanhar sua trajetória e admirá-lo como colega. Começaram a se seguir nas redes, até que ela foi rodar um filme no Tocantins com Léo Pinheiro, “amigaço” de Emilio e cupido da relação. Daí para o Grajaú, berço do ator na Zona Norte do Rio, foi um pulo, ou melhor, uma ida a um churrasco.

— Lá, eu vi que ele era incrível mesmo. Fiquei com essa sensação de querer ser amiga do cara, sabe? Só gente maneira ao redor dele, amigos de infância, a mãe, meu sogrão, os cunhados, que são sete, e todos maravilhosos... Aí a gente se interessou, e já são quase dois anos. Acredito que era para estarmos juntos, sim, porque é muito bom para os dois. É um encontro de afeto, de parceria — celebra Fabiula.

Atriz instintiva, de formação teatral, ela sabe separar o joio do trigo quando o assunto é cena de intimidade com outros colegas. Bagagem e autoafirmação ela tem de sobra. De 2012 para cá, quando estreou em novelas em “Avenida Brasil”, não fez um trabalho que não tenha tido destaque na TV. Em 22 anos de estrada, acumula mais de 40 peças e dezenas de filmes no currículo:

— Como vou sentir ciúme de uma pessoa que me dá segurança? Olho nos olhos do meu marido, e é verdade absoluta o que eu vejo ali. Quando isso faltar, a gente vai se desconectar como casal. O dia em que começar a desconfiar, sentir ciúme, é melhor ir embora. Tenho medo de perder de morte. Para o mundo ou para outra pessoa, não. Quando você ama alguém quer mais é que o outro seja feliz!

Firme em seus propósitos, é direta e reta. E isso é o que a torna livre, ela diz. Sem pudor na vida nem no trabalho:

— Tenho transparência nos meus relacionamentos, tanto com os amigos, quanto com meu marido. Odeio mentira. Sempre enxerguei a nudez com naturalidade. Eu jamais posso, por algum desejo ou bobagem minha, podar Emilio de fazer qualquer coisa que ele queira artisticamente. Castração é uma das coisas mais horrorosas que se pode fazer. É o fim de um artista. Eu jamais faria, e ele muito menos.

Bem resolvida, essa leonina deixa claro que não é de remoer mágoas. Embrulha, descarta e segue adiante:

— Não fico sofrendo. Nunca terminei um relacionamento e voltei. Demorava para terminar porque analisava se não estava exagerando. Mudar o outro para ser feliz é babaquice. Não existe felicidade maior do que o amor-próprio!

Já com Cacau, o caminho tende a ficar mais tortuoso em relação à vida pessoal. Dezoito anos após se envolver com o então patrão, Edgar (Caco Ciocler), e o motorista dele, Roberval (Fabrício Boliveira), filhos da empregada com o dono da mansão em que trabalhava, a agora dona de restaurante vai se ver de novo no topo dessa pirâmide amorosa. Roberval voltou a ciscar em seu terreiro, milionário e com sede de vingança. E Edgar não ficará à sombra do passado. Para a atriz, é possível amar duas pessoas ao mesmo tempo.

— De diferentes formas. Comigo nunca aconteceu, mas não acho impossível — pontua ela, que não concorda com certas atitudes da personagem, mas a compreende: — Ela estava errada, sim, de se relacionar com Edgar no ambiente de trabalho. Mas isso tem muito a ver com idade, deslumbramento com o homem idealizado. Não tem relação com ser piranha, vagabunda. Não acho que seja essa a questão. Ela era uma jovem, com os hormônios à flor da pele.

Cacau levanta não só questionamentos comportamentais, como vem se destacando pela beleza sem retoques. Junto à atuação elogiada de Fabiula, vêm as características físicas que saltam aos olhos a cada capítulo. Cinco quilos mais magra, ela vem cuidando do corpo desde agosto com o guru fitness Jun Igarashi, o mesmo de Nanda Costa, a Maura da novela:

— Se eu não cuidar de mim, quem vai? Preciso do meu corpo para trabalhar. Nunca tinha experimentado esse treino. É puxadíssimo, só levantamento de peso. Jun passa o exercício de acordo com a necessidade de cada um. Fazia de três a quatro vezes por semana, agora são duas. Todo mundo quer ficar bonito, saudável e feliz, né?

Seus cachos soltos e volumosos também têm dado o que falar. Quando se lançou no cinema em “Estômago” (2007), a atriz já chegou como um furacão. E hoje, à beira dos 40 anos, segue sendo considerada um símbolo sexual:

— Acredito no bom humor. É afrodisíaco. Acho que estou envelhecendo muito bem. Estou mais feliz hoje do que com 20, 30 anos. Tem a autoestima e o fato de entender meu lugar no mundo. Sou feliz com o que me tornei, graças às minhas conquistas, ao meu caráter. Já passou todo tipo de gente por mim, e eu poderia ter pego qualquer caminho errado, mas não peguei. Estou realizada, feliz com a vida e com o marido que tenho, que é a melhor pessoa que eu conheço no mundo! Nunca me achei feia nem linda, sempre me achei eu. O que eu tinha? Esse cabelo. O que fazia com ele? Neutrox (risos)! Sempre gostei dos meus cachos.

De bem com o espelho e com suas escolhas, a artista conta que, desde que pisou no palco pela primeira vez, aos 17 anos, como um dos ratinhos da “Cinderela”, nunca mais se viu fazendo outra coisa. Até arriscou uns cortes como cabeleireira no salão da mãe, em 1995, mas sentia que ali não era seu lugar.

— Sempre fui boa filha, dedicada, obediente e nunca tive medo de trabalho. O teatro me trouxe um olhar para o outro, para o diferente, me abriu um universo. Nunca tive dúvida. Entrei e não saí mais. A partir do momento em que passei a pagar minhas contas com o meu trabalho, me considerei um sucesso absoluto. Sou superprofissional, não me atraso, chego com meu texto decorado... Levo muito a sério — frisa.

Fim de papo, gravador desligado, Fabiula pede para o maquiador retocar a make. Quer chegar linda em casa para o marido. Não dá cinco minutos, é Emilio quem manda mensagem, curioso para ver as fotos. Mais conectados, impossível!