Nem Te Conto

Grávida do primeiro filho, Pathy Dejesus fala sobre episódio de racismo

"As pessoas olhavam e diziam: 'essa negrinha será artista como?'", recorda

Agência O Globo
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Aos 41 anos, Pathy Dejesus está vivendo um turbilhão de emoções. Grávida de seis meses de seu primeiro filho, Rakim, a atriz vem se emocionando dia a dia. "Passei a ter uma consciência ainda maior do papel que ocupo, do espaço que eu tenho e quero deixar pra ele" observa ela, que, ao saber do atentado que aconteceu na manhã de quarta-feira em uma escola em Suzano, na Grande São Paulo, chorou: "É inevitável pensar nestas mães que perderam seus filhos, nessa tristeza. Me coloco no lugar delas"


Pathy já sentiu na pele negra o peso do racismo. "Minha avó dizia que eu seria artista. As pessoas olhavam e diziam: essa negrinha será artista como?", recorda. Ao filho que vem aí, ela deseja uma realidade menos opressora. "Eu e meu marido conversamos muito sobre isso. Meu filho vai nascer mestiço. Ou seja, terá que lidar com dois mundos totalmente diferentes e entender o lugar que ele ocupa", justifica: "Espero um mundo mais justo e melhor para ele. Confio numa nova geração que vai vir para quebrar os paradigmas"

Passado um ano do assassinato de Marielle Franco, Pathy se emociona ao falar dela: "Uma mulher negra empoderada dá uma esperança. Você olha, vê e fala: 'Caramba! Ela tem voz!'. E daí calam essa voz. É difícil. A gente teve muito progresso e esse progresso da mulher negra incomoda".