Nem Te Conto

'Já recebi uma notícia ruim e tive que subir ao palco', revela Alok

DJ falou ainda sobre a canção 'Favela': 'representa mais que uma música pra mim'

Guinho Santos (guinho.santos@redebahia.com.br)
- Atualizada em

Mundialmente conhecido, Alok arrasta milhares de fãs por onde passa. Um dos grandes nomes da cena eletrônica do momento, o DJ viveu recentemente dois episódios complicados em sua vida: um acidente com seu avião e o aborto que sua noiva, Romana, sofreu do primeiro filho que o casal esperava. Em entrevista ao iBahia, Alok confessou como consegue subir ao palco depois de passar por situações complicadas, como as que passou nos últimos meses.


"Claro que existiram momentos que eu não estava bem e precisei encarar um show, mas eu tento me desligar e me conectar com aquele momento ali. É realmente viver o agora, porque amanhã é incerto e o passado não existe mais, já foi. Então aquele momento do show ali, eu tento me entregar ao máximo. Eu lembro de casos que já tive de alguns momentos ter uma notícia muito ruim e tive que subir ao palco. Mas as pessoas ali não querem mais problemas. Elas já têm problemas demais na vida delas durante a semana e aquele momento é justamente o momento de descontração. Eu tento fazer o meu melhor pra entreter. Possa ser que depois do show, eu consiga aliviar a minha dor. Depois volta, mas naquele momento eu estou totalmente entregue", explicou.


Em um vídeo compartilhado em suas redes sociais, Alok chegou a falar sobre sua relação com Deus e surpreendeu muitos fãs. "Já questionei várias vezes (a existência de Deus), principalmente quando fui para a África, através de um projeto Fraternidade Sem Fronteiras, e lá eu vi uma miséria extrema, pessoas que não vivem, mas sobrevivem. Aquilo me deixou revoltado. Eu pensava: 'se Deus existe, por que ele abandonou essas pessoas?'", disse.

O produtor ainda contou uma experiência que viveu quando esteve na África, o que marcou sua vida: "quando fui no campo, conhecemos uma senhora que tinha mais de 90 anos, cega dos dois olhos e estava amarrando o estômago para não sentir fome - já tinha três dias sem comer. Quando fomos acolher ela, ela falou que estava muito grata a Deus por ter tido as preces ouvidas e a gente estava lá. Eu falei: 'mas como assim? Deus não existe'. Ela falou que era exatamente aquela fé que mantinha ela com tanta força para conseguir lidar com aquela situação extrema. Percebi que o miserável era eu. Percebi uma força muito grande de Deus sobre mim. Eu, então, percebi que não foi Deus que abandonou eles, fomos nós e é Deus que mantém eles fortes. Ela agradeceu muito. Pedi para levar ela no hospital para analisar o problema nos olhos e foi diagnosticado como catarata e aquele tem cura. A Fraternidade Sem Fronteiras fez a cirurgia dela e ela voltou a enxergar. Depois de um ano, tive meu reencontro com ela e ela me viu pela primeira vez. As pessoas falam pra mim: 'Alok, você não vai conseguir mudar o mundo'. Eu falo: 'eu sei disso. O mundo eu não vou mudar, mas o mundo delas eu posso mudar. A gente pode mudar'".

Questionado pelo iBahia sobre a música 'Favela', a qual lançou recentemente, Alok explicou que o trabalho, em parceria com Ina Wroldsen, vai muito além de uma simples canção. "Ela representa mais que uma música pra mim. Representa uma mensagem, uma verdade por trás e também um instrumento que estou usando para poder ajudar instituições. Como a 'Ocean', que ajudou às instituições ao combate do câncer infantil, a 'Favela' eu estou abrindo mão também para ajudar institutos na causa de recuperação de jovens e idosos do mundo da violência. Então acredito que ela seja uma ferramenta. O que eu faço não é só música e números, mas sim uma ferramenta para fazer uma coisa maior", afirmou.