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J.K. Rowling é criticada após defender mulher demitida por fazer posts transfóbicos

Caso foi parar na justiça

Luoise Queiroga, da Agência O Globo

A escritora britânica J.K. Rowling, famosa pelos livros da saga "Harry Potter", vem recebendo críticas nas redes sociais nesta quinta-feira por ter defendido a pesquisadora Maya Forstater, de 45 anos, que foi demitida após postar no Twitter que mulheres trans não deveriam mudar de sexo. O caso foi parar na Justiça, que decidiu que a fala da especialista em impostos foi "incompatível com a dignidade humana e os direitos fundamentais dos outros".

Foto: Divulgação

"Vista-se como quiser. Chame a si mesmo como quiser. Durma com qualquer adulto que aceite você. Viva sua melhor vida em paz e segurança. Mas forçar as mulheres a deixarem seus empregos por afirmarem que o sexo é real?", publicou J.K. Rowling em seu perfil, usando hashtags para expressar seu apoio à Maya.

O posicionamento de J.K. Rowling gerou polêmica entre internautas em diversos países, inclusive no Brasil, onde o nome dela entrou nos assuntos mais comentados do microblog, com 170 mil posts por volta das 15h30.



Segundo o Tribunal de Emprego do Centro de Londres, Maya - que tinha uma bolsa em um centro de estudos que faz campanhas contra a pobreza - foi "ofensiva e excludente". O contrato dela não foi renovado em março, mas a definição sobre sua saída da organização foi confirmada apenas agora com a decisão judicial.

"Se uma pessoa fez a transição de homem para mulher e possui um Certificado de Reconhecimento de Gênero (GRC), essa pessoa é legalmente uma mulher. Não é algo que a Senhora Forstater possa ignorar. A posição da Senhora Forstater é que, mesmo que uma mulher trans tenha um GRC, ela não pode se descrever honestamente como mulher. Essa crença não é digna de respeito em uma sociedade democrática", ressaltou o juiz James Tayler.



"Mesmo respeitando o direito qualificado à liberdade de expressão, as pessoas não podem esperar ser protegidas se sua crença principal envolver violar a dignidade dos outros e criar um ambiente intimidador, hostil, degradante, humilhante ou ofensivo para eles", acrescentou.

A imprensa britânica afirma que Maya havia feito publicações na rede social questionando Lei de Igualdade de 2010, que oferece a permissão legal de as pessoas serem reconhecidas pelo gênero com o qual se identificam.

"Eu aceito a identidade de gênero de todos, apenas não acredito que ela substitua o sexo. Recuso-me a acreditar que os seres humanos podem mudar de sexo", disse Maya, mesmo após ser demitida. "Minha crença... é que o sexo é um fato biológico e é imutável. Existem dois sexos, masculino e feminino. Homens são homens. Mulheres são mulheres. É impossível mudar de sexo. Até muito recentemente, estes eram compreendidos como fatos básicos da vida por quase todos", completou ela.