Nem Te Conto

Kéfera relembra bullying na escola: 'Me chamavam de 'rolha de poço'

Atriz, cantora e digital influencer lança o filme 'Eu Sou Mais Eu', dia 24 de janeiro nos cinemas

Marina Caruso, de Agência O Globo
- Atualizada em

Intérprete de uma atriz famosa na novela "Espelho da vida", na Globo, Kéfera Buchmann dá vida a uma cantora de sucesso no novo filme, "Eu sou mais eu" (dia 24 nos cinemas), inspirado em sua vida de... celebridade. Há nove anos na berlinda virtual, a vlogger revela que agora faz detox das redes.

Foto: Reprodução | Instagram
"Tenho gostado de viver fora delas. Aí penso: ‘Pra que fazer stories de tudo?’. Quando penso em celular, pego em um livro e marca-texto. Tenho livros em todos os cômodos da casa", conta ela. 

Embora seja uma comédia, o longa dirigido por Pedro Amorim também coloca em cena traumas sofridos por Kéfera antes da fama. "O filme conversa muito com a minha vida. A caracterização da minha personagem na adolescência é bem próxima do jeito como eu me vestia na escola. Sofri muito bullying", entrega.
 
Quando era adolescente, a atriz e vlogger tinha o cabelo bagunçado, usava roupas largas e óculos. "Pegavam muito pesado comigo. Me xingavam de 'gorda', 'baleia' e 'rolha de poço'. Falavam mal do cabelo, do volume. Eu me desesperava. Passava gel e tantava fazer um rabo, mas não adiantava. A heteronormatividade já existia. Nunca tive um jeito muito feminino. Então também me zoavam por isso", relembra.

Diferentemente da personagem do filme, que vive aprisionada a essa questão, Kéfera foi buscar terapia para exorcizar seus demônios pessoais. "Acho que o mundo precisa fazer análise. Se fizesse, estaria mais bem resolvido, sabe? Ainda tem muita gente que acha que terapia é coisa de maluco. É caso de saúde pública mesmo", defende. 

Bela aos 25 anos e com a autoestima alta, ela conta que hoje não se preocupa tanto com a ditadura da estética imposta às mulheres. "Vejo que essa preocupação toda foi inventada para nos tirar dos cenários políticos, uma forma de deixar a gente num plano inferior. Já tive esse lugar de ser muito vaidosa, mas passou."    

Kéfera festeja que, por causa do filme, teve, enfim, a oportunidade de soltar a voz, já que dá vida a uma cantora estourada, como Anitta. "Me inspirei nela, Ludmilla e Pabllo Vittar, no estilo de dança, a roupa, maquiagem para show. E fiquei mais sensual. Meu sonho, antes de atuar, era cantar. Quando criança, queria ser cantora. Fazia coral, cantava na igreja, mas nunca consegui focar e acabei fazendo curso de teatro", conta.