Nem Te Conto

'Não voto em candidato machista, homofóbico e racista', dispara Anitta

Funkeira desabafou sobre ataques que vem sofrendo na internet por conta das eleições

Redação iBahia (variedades@portalibahia.com.br)
- Atualizada em

A cantora Anitta se pronunciou, mais uma vez, sobre os ataques que vem sofrendo nas redes sociais, desde que passou a seguir um perfil no Instagram de uma amiga que apoia a campanha de Jair Bolsonaro à presidência. No vídeo postado na tarde desta quinta (20), a funkeira reforçou que não vai se posicionar politicamente, mas deixou claro seu pensamento em relação às eleições.


"Tão usando meu nome para travar campanhas vim aqui mais uma vez falar sobre eleições. Estão usando meu nome para travar campanhas e discursos políticos do qual eu não faço parte. Ontem me pronunciei pelas redes sociais dizendo claramente sobre quem sou eu e no que eu acredito. Eu disse que eu não voto em candidato machista, não voto em candidato homofóbico, racista e por aí vai. A gente vive em uma democracia, respeito a escolha de voto de todo mundo, mas eu não vou participar de jogo político e, mais uma vez eu repito: não gostaria de ter a minha imagem atrelada a isso! Por isso, dispenso qualquer mensagem de apoio de candidatos ou afiliados aqui no meu pronunciamento. Obrigada", disse.

Na quarta (19), surgiu no Twitter a campanha #AnittaIsOverParty, em que os internautas criticavam a postura da cantora por ter um público gay e não se pronunciar politicamente. "Essa sou eu. Eu sou contra a violência, contra a discriminação de qualquer espécie. Sou contra o ódio e a intolerância. Sou a favor da igualdade de gênero, contra a homofobia e o racismo. Defendo a liberdade do outro de decidir o que fazer com seu corpo. Através da minha arte tento contribuir com o que posso para vivermos num mundo melhor e mais igualitário. Anos de trabalho na minha carreira de cantora em que apoiei de diversas maneiras as idéias que acredito não vão ser apagados por não querer me envolver com política, pelo menos não para mim. Eu sou brasileira e quero que nosso país melhore assim como cada um de vocês. Eu nasci pobre e com muito esforço tenho conquistado meu caminho. Sofri por ser funkeira, favelada e ainda sofro por ser mulher. Eu não queria sofrer ainda mais com tanto ódio e ataques. Vivemos tempos difíceis e é esse o meu desejo. Qualquer coisa diferente do que citei acima não tem meu apoio, obviamente. Respeitem o próximo e suas decisões. Isso sim vai ajudar a sermos uma sociedade tolerante. Nós somos esse país", postou.

Nos stories, ela contou que sofreu diversos ataques por parte de seguidores, com xingamentos, ameaças e até boicote. Confira o que a cantora disse:

"Ontem vim falar sobre uma questão do cyberbullying, quando as pessoas começam com xingamentos, ameaças e massacres na internet com alguém, ou algo, baseadas em suas convicções e verdades. Hoje eu novamente fui atacada, xingada e ameaçada porque eu segui uma amiga que expôs publicamente a sua intenção de voto. Também estão fazendo o mesmo com minha amiga. Conheço ela há mais de sete anos e não gostaria de ter que parar de falar com ela por conta da posição política dela. Então, mais uma vez, eu veio pedir mais amor, de verdade. Sou uma cidadã igual a vocês, trabalho pra caramba, pago meus impostos. Tenho, sim, meu candidato. Como cidadã, fiz meu dever, pesquisei, escolhi dentro do que acredito o meu candidato, mas, assim como vocês, eu tenho o direito de ter o meu voto secreto e não quero dar minha posição política. Não é porque eu sou artista e tenho uma vida pública, que eu sou obrigada a dizer qual é o meu voto e que eu devo receber ameaça ou xingamento por não falar publicamente sobre isso. Não sou obrigada a fazer campanha política pra ninguém por eu ser uma pessoa pública. Acho muito incoerente falar que candidato X é uma coisa, o Y é outra e vir me xingar, me ameaçar, fazer mutirão contra mim. 


Eu tô aqui no meu canto, fazendo o meu papel, o papel que eu escolhi que é ser cantora e estou exercendo esse papel. Sou uma pessoa que sou a favor do respeito. Respeito as diferenças, respeito para ser respeitada e eu estou me sentindo muito desrespeitada por não poder um direito que é meu. A coisa que mais falo é o respeito, sou feminista, respeito a sexualidade. Essa sou eu como pessoa e todo mundo me conhece. Respeito a diferença de pensamentos, de tudo, porque eu também queria ser respeitada. Além de amor e respeito, as pessoas precisam se colocar no lugar do outro. Não é xingando seu familiar, seu amigo ou a qualquer pessoa que pense diferente politicamente de você que você vai conseguir mudar a realidade do nosso país. Não acho que esse seja o caminho. Eu vou sim continuar tendo amigos de esquerda, de direita, do que for que eu respeito a opinião deles. Não gostaria de ser massacrada por pessoas por não deixar de falar com parentes ou amigos que pensem diferentes sobre política de quem quer que seja. Ou ser massacrada por exercer meu direito de não expor o meu voto. Gostaria que todo mundo votasse e tivesse consciência, estudasse e votasse no que acredita que é melhor, dentro da sua crença do que é um pais melhor. Que vocês votem de acordo com isso. Não sou eu que vou conseguir dar esse caminho para vocês, não sou capaz disso. Vamos repensar o que estamos fazendo com o outro. Não adianta nada a gente pedir melhora, respeito, se não é isso que a gente está dando. As coisas que eu acho que são importantes na vida, eu sempre apoio e faço por onde dentro do que eu acredito que seja o meu papel. Respeito as diferenças, igualdade"