Nem Te Conto

Paulo Vilhena revela que ainda tem tiques de seu personagem esquizofrênico em Império

O ator viveu o pintor Domingos Salvador e lida com as sequelas da entrega artística até hoje

Redação iBahia (redacao@portalibahia.com.br)

De volta nas telas como o pintor esquizofrênico Domingos Salvador, de Império, o ator Paulo Vilhena confessou que não é fácil rever as cenas da trama. Ele contou que alguns tiques do personagem ainda o acompanham e que assistir a produção desperta gatilhos. As informações são do jornal Extra. 

“Por Salvador estar envolvido com artes plásticas, eu e os diretores fomos criando uma metalinguagem para contar essa história: posicionamentos de câmeras, olhares marcantes... A experiência foi tão forte, que lido com as sequelas dessa entrega até hoje”, revelou o artista. 

Durante a novela, o personagem mata a própria namorada. A cena foi tão forte, que precisou ser cortada antes de ir ao ar. “A gente construiu, de fato, uma situação muito violenta, com requintes de crueldade. Salvador começa a ouvir as vozes que o impulsionam a assassinar a parceira com uma faca. É difícil para mim lidar com essas lembranças, me trazem uma memória física e psicológica bem dura”, revela Paulo. 

Segundo ele, até hoje é possível sentir as sequelas deixadas por Domingos Salvador. Na trama, o pintor tem um tique de piscar muito os olhos e Vilhena ainda repete esse movimento em situações de ansiedade e stress. 

Para o ator, Domingos Salvador foi um personagem extremamente desafiador, principalmente por causa da esquizofrenia. “Eu precisei estudar para entender essa patologia desconhecida por mim e por tantos. É de uma complexidade enorme, tem vários níveis e manifestações”, conta o ator, que conviveu com internos do Instituto Municipal Nise da Silveira, no Rio de Janeiro, para entender o comportamento das pessoas com este tipo de doença.  

Porém, a dedicação e o trabalho árduo valeram a pena. Paulo recebeu retorno positivo do público e de pessoas que convivem com parentes esquizofrênicos. “Eu tinha um cuidado muito grande por entender que se tratava de uma questão de saúde pública”, afirma.