Nem Te Conto

'Por que tenho que falar e emitir meu parecer sobre tudo?', reflete Juliana Paes

Atriz falou sobre o momento em que celebridades são cobradas a se posicionarem em diversos assuntos

Agência O Globo
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Prestes a estrear como Maria da Paz, a protagonista de "A dona do pedaço", a nova novela das nove da Globo, Juliana Paes refletiu sobre o que tem no nome da personagem, mas que anda faltando no mundo.

Foto: Gil Inoue/Divulgação

"O que eu tenho percebido é que existe uma busca muito grande pelo politicamente correto, pelo agir corretamente. E me parece que esse comportamento demanda uma atitude política, uma defesa de causa. Mas as pessoas estão esquecendo que, talvez, o grande poder político é você conseguir apreciar e amar os outros independentemente das suas posturas políticas, das suas causas. Acho que é esse o grande desafio social, porque todo mundo quer levantar uma bandeira para se sentir importante, para que os outros comentem, apoiem", disse a atriz em entrevista a revista Cidade Jardim.

Questionada sobre o momento em que celebridades são cobradas a se posicionarem em diversos assuntos, Juliana Paes disse que prefere se resguardar em determinados assuntos. "Você cria uma imagem, uma postura de poder, porque pensa, porque age, porque assume. Mas, dentro dessa postura, o verdadeiro poder é amar as pessoas. Eu não tenho problema nenhum em mudar de opinião, de postura, em pedir desculpas. Supor que você precisa colocar para o mundo inteiro as suas opiniões sobre tudo é uma armadilha do ego e da vaidade. Por que tenho que entender de tudo, falar sobre tudo, emitir meu parecer sobre tudo? Eu quero me dar o luxo de ter opiniões guardadas só para mim, para o meu marido, para minha família", refletiu.

Com 40 anos recém completos, a atriz analisou também o passado e o que andou aprendendo com o tempo. "Acho que, definitivamente, aprendi a dizer não. Sempre gostei muito de agradar, de ser cordial, de dizer sim, igual à música: “se acaso me quiseres, sou dessas mulheres que só dizem sim”. E isso me apri - sionava muito. Eu me via, às vezes, um pouco infeliz com algumas escolhas. Dizia sim para tudo, e não para mim mesma".