Nem Te Conto

Sabrina Petraglia relata caso de assédio sofrido na rua, e lembra: 'Eu tremia'

Atriz interpreta uma feminista interpretada que vai em busca de outras liberdades comportamentais na novela 'Tempo de Amar'

Agência O Globo

Sabrina Petraglia, no ar em “Tempo de amar”, posa para este ensaio de moda com uma tendência cada vez mais amada pelas mulheres: lingerie à mostra. Os looks exploram um estilo sensual ao mesmo tempo em que estabelecem a liberdade na maneira de se vestir. Na ficção, em 1929, época em que vive sua personagem Olímpia, seria um afronta que corpos femininos exibissem roupas íntimas como itens fashion. Mas a feminista interpretada pela atriz vai em busca de outras liberdades comportamentais e vive lutando por equidade em nome de suas “manas”. Ela é uma releitura de outras mulheres que, ao longo das décadas, abriram caminho para a emancipação atual.

Foto: Reprodução / Instagram

— Na história do feminismo, queimar sutiã foi um ato marcante (o protesto que levou esse nome, “Bra-burning” ou “Miss America protest” aconteceu entre os anos 50 e 60, nos Estados Unidos). Eu estudei esse movimento de inclusão da mulher na política, caçando o direito de votar, querendo usar calças compridas... E hoje fico feliz de termos feito outras conquistas, como a de mostrar o corpo, se quisermos, por exemplo. Cada um tem que usar o que bem entender. Não há problema algum nisso — sustenta Sabrina.

Ao relembrar sua trajetória, a artista destaca que em alguns momentos se deparou com amarras e sentiu necessidade de soltá-las. A busca por um lugar ao sol na profissão foi impulsionada por uma destas constatações.

— Todos os meus relacionamentos anteriores acabaram porque eu era atriz. Sofri preconceito dos exs. Por isso, fui jornalista por muito tempo e demorei a me dar conta de que estava como uma mulherzinha que alimentava esse tipo de relação. Quando eu entrei na Escola de Arte Dramática da USP, falei: “Vou dar certo na minha profissão e não vou casar nunca mais. Vou adotar filhos, fazer fertilização, ser independente. Encontrar alguém não vai dar” — conta.
Olímpia e Edgar (personagem de Marcello Melo Jr)

Nessa época, por uma obra do acaso, Sabrina conheceu o engenheiro Ramón Velázquez, com quem está há seis anos — eles planejam subir ao altar dia 30 de abril. Entre alguns dos padrinhos famosos, estará Betty Faria (“Ela é mãe da minha carreira, diz). Os convidados ilustres vão celebrar o enlace sem imaginar que o pedido de casamento chegou como um baque.

— Fiquei esquisita quando ele propôs o noivado. Não fiquei emocionada, mas assustada. Senti um peso. Agora, estou num momento que eu não imaginava viver. Temos um amor tão sereno... A minha paixão por Ramón veio de um jeito que eu nunca havia experimentado. Tive a grata surpresa de encontrá-lo no meu caminho e ver que é possível, sim, continuar na profissão, amando e atuando muito.

O trabalho, aliás, tem ajudado a atriz a desempenhar também uma função social. Amanhã, na novela das seis, sua personagem será assediada pelo dono de uma revista.

— Muitas mulheres passavam por isso naquela época, mas não tinham consciência. Isso vai despertar uma reação em cadeia — diz Sabrina, que já foi assediada fisicamente: — Uma vez, eu estava indo para a casa da minha avó e um homem passou a mão na minha bunda. Não deu tempo de reagir porque ele saiu correndo. Eu não sabia se gritava, se chorava, mas eu tremia. Que mulher nunca foi assediada na vida? Por isso, falar deste tema é tão importante em qualquer época.