Nem Te Conto

Tatá Werneck admite tensão ao entrevistar Neymar

Apresentadora diz que não está no ‘Lady Night’ como ‘escada’

Agência O Globo

Durante as gravações da segunda temporada do bem-sucedido “Lady night”, talk-show que estreou em abril no Multishow, a atriz e apresentadora carioca Tatá Werneck, 33 anos e 1,52m de altura, diz que não está ali para usar ninguém como escada. Quer que os convidados dos novos 20 episódios, no ar no canal a partir de outubro, “façam o que quiserem”, à vontade no palco que criou para alternar entrevistas e quadros inusitados.

Na semana passada, O GLOBO acompanhou sua rapidez de raciocínio nos bastidores da edição que recebeu as cantoras Daniela Mercury e Pabllo Vittar. Em determinado momento, Tatá surpreende ao falar sobre feminismo. Segundos depois, encerra o assunto fazendo graça: “Agora falei sério. Chupa, Bial!”.

De forma quase ininterrupta, por duas horas e meia, Tatá entrevista, dança, canta e dubla ao lado das convidadas. No papo com Daniela, diz que tem curiosidade de saber “Quanto tempo tenho pra matar essa saudade?”, fazendo piada com a letra de “Nobre vagabundo”. Na conversa a seguir, a atriz confessa que sentiu a pressão aumentar após o sucesso da primeira temporada e diz que sua agenda está cheia até 2019, quando estará grávida.

Foto: Divulgação / Multishow / Gianne Ca

Os convidados topam qualquer negócio?

Alguns chegam desconfiados. Tenho a preocupação de explicar que o programa é feito para os convidados. A gente faz música para cada um deles, pensa em quadros específicos para que brilhem. Tento demonstrar que estudei a vida de cada um... E assim vou conquistando. Chega um momento em que a pessoa percebe que está ali falando um monte de coisas que não costuma falar, mas eu também estou me expondo. Muito.

Você não se leva a sério?

Eu me levo a sério em alguns momentos, mas não no programa. O convidado pode fazer o que quiser no palco. Jamais vou dizer que não vou topar algo. O Caio (Castro) terminou o programa de cueca. Outro dia apareceu o sutiã de uma convidada, e mostrei o meu também para ela sentir que a gente está junto. Não quero que pensem que o convidado é um pretexto para eu fazer piada. Não estou aqui para usar ninguém como escada.

Teve alguma entrevista mais difícil na segunda temporada?

Fiquei chocada com a tensão da galera na presença do Neymar. E fui ficando mais tensa que o normal. Tinha gente chorando na plateia. O meu pai (Alberto Arguelhes, que participa de alguns quadros do programa) tremia quando gravou com ele. Na hora em que eu estava passando o roteiro, Neymar ficou sério. Mas falou sobre tudo no palco, rebolou comigo. E foi muito disponível. Não deixei de perguntar nada, falei até sobre depilação...

Uma das poucas críticas negativas ao programa diz que “Lady night” está mais para “Show da Tatá”...

Fico lisonjeada por saber que estou segurando um programa. Mas o mais importante é quando vejo o convidado fazendo coisas que nunca vi fazendo em lugar nenhum. Não penso em algo do tipo: “Caraca, hoje eu tive tiradas”. Não é isso. Penso: “Que maneiro, a Marina Ruy Barbosa me deu um selinho”. Hoje a Daniela Mercury abriu um espacate na gravação e a Pabllo Vittar me lambeu. Cauã veio e me deu um beijo técnico. E eu beijei Cleo Pires!

Que tipo de pudor você tem no palco?

Sou a primeira a me sacanear, sacaneio meus familiares. Meu pai adora esse negócio, é a alegria da vida dele. Ele agora quer ser ator, pediu emprego no meu filme.

Qual a diferença entre “Lady night” e os outros talk-shows?

Eu nem acho que o “Lady night” seja um talk-show tão diferente. Os encontros entre os convidados e os apresentadores é que são diferentes. Eu vejo o programa do Bial, que é muito inteligente. Ele traz uma conversa com conteúdo, com muitas referências. Ele é capaz de citar naturalmente: “Maquiavel diz que os fins justificam os meios” e daí faz uma pergunta. Estou tentando fazer isso aqui, mas às vezes digo: “Maquiavel falou tal coisa, mas isso não tem nada a ver com a nossa entrevista, vamos voltar...”. Quero mostrar um pouquinho de inteligência, mas tenho minha maneira de entrevistar. Quando começo a falar uma coisa muito séria, penso: “Ah, Tatá, não mete essa...”.

Qual é a sua maior dificuldade na segunda temporada?

Na primeira temporada, eu achava o programa maneiro, mas não sabia que teria toda essa repercussão. Nem sei se é bom falar isso, mas confesso que antes eu entrava com um sentimento de “ah, tudo bem, está tranquilo”. Agora comecei a pensar: “Pqp, como posso fazer para melhorar o programa?”. Entrei com mais responsabilidade de acertar coisas que achei que não acertei na primeira.


Quanto tem de roteiro e de improviso no programa?

Participo de todo processo do roteiro, crio as músicas, só não faço a pesquisa porque não dou conta, não teria saúde. Eles fazem um roteiro com a cronologia da carreira do convidado, por exemplo. Depois, passo para a equipe quais seriam as minhas maiores curiosidades sobre o convidado. E improviso num gravador as coisas que gostaria de perguntar. Os quadros são todos roteirizados, mas posso ir mudando a ordem. Muitas vezes o assunto muda completamente quando a pessoa começa a contar outras coisas que eu não tinha previsto.

A sua facilidade para improvisar é elogiada.

Imprimo um ritmo muito acelerado. E quando eu não consigo suprir esse ritmo acho que não rolou. Gosto quando acaba e a galera fala que foi rápido. Para mim é muito difícil manter aquele ritmo. Tenho a plateia para entreter, um convidado para conquistar, um programa para guiar. É um esforço grande. Hoje me achei bem lenta.

Você emenda um trabalho no outro. Entre as temporadas do programa, rodou o filme “A dupla” (de Marcus Baldini, com Cauã Reymond). Como aguenta?

Não sou de negar trabalho, mas, antes de rodar o filme, comecei a ter 39° de febre. Tive pielonefrite (inflamação do rim). Fui para o hospital (em abril) falando: “Tenho que rodar um filme, a equipe está lá”. A médica respondeu: “Meu amor, é CTI”. Eu estava na merda, com os batimentos lá em cima. Ela me disse: “Se você ficasse mais 10 dias sem vir aqui poderia ter morrido”. A infecção estava séria. Um dia depois de ter alta fui fazer o filme.

Repensou o ritmo depois disso?

Fiz várias reuniões no hospital. Eu tenho trabalho até 2019. Cheguei a perguntar para a médica se poderia pintar o cabelo para o filme ali mesmo no hospital. Ela disse que nem iria responder. Depois de gravar “Lady night”, vou tirar dez dias. Daí começo a gravar em outubro “Deus salve o rei” (a próxima novela das 19h da Globo). Quando acabar, faço um filme com a Ingrid Guimarães, em agosto do ano que vem. E já faço a terceira temporada do “Lady night” e ainda rodo mais um filme em 2019.

Você já disse que queria engravidar...

No final desse filme que vou fazer em 2019 estarei grávida. Querendo ou não, sob efeitos de remédios ou não.