Nem Te Conto

Theodoro Cochrane diz que doaria esperma como seu personagem em 'O Sétimo Guardião'

O intérprete conta que poderia tomar a mesma atitude que Adamastor na vida real, desde que, segundo ele, algumas coisinhas ficassem bem explicadas

Agência O Globo
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Theodoro Cochrane estava aberto a muitas possibilidades para seu personagem Adamastor, em “O sétimo guardião”. Mas não imaginava que o papel de pai fosse surgir na vida dele. E de uma maneira tão inusitada: o rapaz aceita doar esperma para Stella (Vanessa Giácomo) e Aranha (Paulo Rocha) poderem ter um filho por inseminação artificial, já que o médico é estéril.

Foto: Divulgação

— Adamastor fica tocado com a proposta de Aranha de ser o doador do casal e não hesita em aceitar. De certa forma, ele realiza um sonho que nunca imaginou: a possibilidade de ser pai, de criar um núcleo familiar próprio. Ao mesmo tempo, é a comprovação do amor que ele tem por Stella e vice- versa, já que os dois ficaram muito unidos na época em que ela se separou e foi morar na pensão — analisa o ator de 40 anos.

O intérprete conta que poderia tomar a mesma atitude que Adamastor na vida real, desde que, segundo ele, algumas coisinhas ficassem bem explicadas:

— Se fossem pessoas por quem eu tivesse muita consideração e carinho, e definindo, desde o princípio, de maneira leve, até que ponto essa participação seria dada à convivência, eu seria superfavorável a esse tipo de parceria.

Apesar de já ter entrado nos “enta”, o ator diz ainda não sentir o peso do relógio biológico da paternidade.

— Já mato essa vontade com minha sobrinha, brinco, dou muito amor. Mas, quando canso, ela vai para a casa do meu irmão (risos). Quero ser pai, mas não nesse momento. Estou fazendo um papel com bastante reconhecimento, então, confesso estar mais individualista agora, egoísta. Acho que para isso a pessoa tem que estar extremamente planejada e dedicada a gerir um ser humano. Estou solteiro e quero mais é curtir — assume.

Quem vê Theodoro tão à vontade atuando não imagina o receio que ele sentiu:

— É um personagem de muita responsabilidade. Mas antes de começar a novela, tinha um pouco de medo. Fazer uma figura que vai questionar a sexualidade, justamente em um momento mundial de intolerância, principalmente com a comunidade LGBTQI+... Achei arriscado. Mas, hoje, recebo carinho de todos.

Theodoro está mesmo como pinto no lixo. Afinal, o confidente de Ondina (Ana Beatriz Nogueira) é seu personagem mais popular.

— Estou tendo um reconhecimento que nunca tive na minha vida. Pela primeira vez, não sou só o filho da Marília Gabriela, sou o Adamastor. É emocionante ser lembrado pelo personagem, ouvir as pessoas me chamarem pelo nome dele — celebra o ator, ao confessar que se incomoda quando é visto só como filho da jornalista: — Às vezes, lido numa boa. Em outras, me dá um bodezinho. Ninguém gosta de ser a sombra de ninguém, mesmo que seja a de uma pessoa incrível como minha mãe. Outro dia, fui a uma festa e uma blogueira fez uma piada: “Aquele é Theodoro, famoso por ser filho de Marília Gabriela”. Isso me dá um ódio. É coisa de gente ignorante, que parece torcer pelo meu fracasso. Parece que nada é mérito meu. Mas, agora, se alguém alfineta, já falo: “Não enche o saco”.