Nem Te Conto

Tia Arilma, Geisa, Paty Fofolete. No Dia das Mulheres relembre as queridinhas da TV Baiana no anos 80

Saiba por onde andam as apresentadoras infantis que marcaram uma geração na Bahia

Marília Galvão (marilia.galvao@reebahia.com.br)
- Atualizada em
Tia Arilma e suas pupilas
Se para muitos brasileiros, Xuxa, Angélica e Eliana foram as apresentadoras que marcaram uma geração na década de 90, na Bahia dos anos 70 e início dos anos 80, Tia Arilma fez história  com o programa 'O Parquinho', veiculado na TV Itapoan. A atração simples, que fazia brincadeiras com o público e apresentava os famosos shows de calouros, divertia famílias inteiras e era apresentado aos sábados, em um auditório da emissora. Foi Tia Arilma quem deu vida artística e televisiva à Geisa, Paty Fofolete e Mara Maravilha.

"Comecei a trabalhar na televisão muito cedo, na época em que Tia Arilma apresentava um programa aqui na Bahia, o 'Parquinho'. O formato era bem parecido com os que Xuxa utilizava: as crianças faziam dublagem, brincadeiras e participavam de competições. Geisa, Mara e Paty Fofolete eram as estrelinhas de tia Arilma. Elas se apresentavam semanalmente na atração", conta Celisa Felicidade coordenadora de produção da TV Aratu, que trabalhou com a apresentadora na época.

Tia Arilma
Depois de muitos anos no comando do programa infantil, Tia Arilma deixou os fãs órfãos e passou alguns anos longe dos holofotes. Em 2009, porém, ela voltou à TV com um programa juvenil na TV Camaçari: 'Encontro com Arilma'. A atração durou pouco menos que um ano e atualmente, a única informação que se tem dela é que mora em Minas Gerais. "Ela mora lá há alguns anos, mas não quer dar entrevista", garantiu Dona Desinha, mãe de Geisa, por telefone.

"Apresentadoras baianas como Tia Arilma, Geisa, Mara e Paty Fofolete atuaram em um tempo em que a TV era ainda ingênua e também permitia uma produção regional maior. Não existiam ainda produções maiores nacionais e com muito merchandising, como a Xuxa na TV Globo dos anos 80 e 90, que virou parâmetro para o showbiz infantojuvenil", relembra Hagamenon Brito, editor de cultura do jornal Correio.

Mara Maravilha
A vida artística dada por Tia Arilma à Mara, rendeu bons frutos. Aos oito anos, ela se tornou conhecida regionalmente como Miss Mara ao participar de diversos concursos infantis. Um ano depois, já apresentava seu próprio programa infantil 'Parquinho – Um Show de Criança', pela TV Itapoan. Na mesma emissora ainda apresentou 'Clube do Mickey', 'Domingo Show Criança' e 'Vídeo Jovem'.
Mara Maravilha na época que trabalhava na TV baiana e atualmente, quando participou do Programa da Tarde, na quarta-feira (06)


"O intuito desses programas era o entretenimento e a diversão das crianças, antes ou depois do horário de irem para a escola. Mara sempre opinava nas atrações, desenhos e brincadeiras, e fazia questão de participar e aprovar tudo o que era apresentado", conta Cristina Gomes, que trabalhou na emissora na época.

Já como cantora, a baiana teve seu primeiro contrato com uma gravadora, a multinacional EMI-Odeon, em 1982, quando tinha apenas quinze anos. Já em 1995, após sua conversão ao Evangelho, Mara decidiu mudar radicalmente os rumos de sua carreira, passando a investir exclusivamente no segmento gospel.
"Uma geração de soteropolitanos, sem dúvida, cresceu vendo Tia Arilma e Mara Maravilha na TV" - Hagamenon Brito


"Foram importantes na TV baiana, sobretudo Tia Arilma e Mara, que começou pré-teen e fez sucesso a ponto de ser levada para São Paulo por Silvio Santos para o SBT, tornando-se também 'cantora', lançando discos, etc. Uma geração de soteropolitanos, sem dúvida, cresceu vendo Tia Arilma e Mara Maravilha na TV, fazem parte da memória afetiva de muita gente", ressalta Hagamenon.

Paty Fofolete
Assim como Mara, Patrícia Almeida, mais conhecida como Paty Fofolete, começou pequenininha, com apenas quatro anos, no programa de Tia Arilma. E foi a partir daí que começou uma história de sucesso. Aos oito anos, com a ida de Mara à São Paulo para ser jurada do programa de calouros de Silvio Santos, ela e a dupla de irmãos, Geisa e Netinho, passaram a comandar o 'Clube do Mikey', apresentando desenhos animados.
Paty Fofolete quando criança e atualmente


"Era uma rotina pesada, por conta das gravações e viagens que a gente fazia. Não conseguia acompanhar a rotina da escola e minha mãe tinha que pagar aulas particulares. Por outro lado, a gente se divertia muito. Nos apresentávamos no programa do Gugu, Mara Maravilha e Sergio Malandro. Agradeço ao meu passado, que me trouxe responsabilidade e me fez ser a pessoa que sou", confessa a baiana.

Logo que o Clube do Mikey saiu do ar, Paty ainda comandou o programa semanal infantil ‘Maria Fumaça’, aos 11 anos, ao lado dos amigos Julinho, Geysa e Netinho. Era uma atração maior, que recebia vários artistas baianos como a cantora Daniela Mercury.
"Agradeço ao meu passado, que me trouxe responsabilidade e me fez ser a pessoa que sou", diz Paty Fofolete


"Apresentei esse programa até os 15 anos e um ano depois ainda comandei o 'Alto Astral', que era menorzinho, voltado para o público jovem. Depois disso, o SBT nacional desistiu de manter os programas locais para priorizar a programação nacional. Então eu tinha que seguir minha carreira artística em São Paulo, o que era impossível para mim. Estava no 3º ano, prestes a fazer vestibular, e para completar, no mesmo ano, meu pai ainda faleceu. Foi um ano complicado. Decidi sair do meio artístico e fazer o vestibular para Publicidade", conta Patrícia. Paralelamente a faculdade, Paty prestou serviço para uma empresa de xerografia, foi analista financeira, supervisora de telemarketing e continuou trabalhando no meio televisivo, mas na parte de produção de comerciais e desfiles.

Atualmente, ela mora em Salvador, é casada, e tem duas filhas: Manuela, 16 anos, e Mila, 5 anos. Patrícia trabalha na área de marketing de um conceituado colégio da capital e se diz bem família. "Tenho família grande, eles são tudo para mim", afirma. Ela também conta que ainda é reconhecida nas ruas e recebe o carinho dos fãs. "Eles me perguntam porque não volto à TV e ainda me chamam de Paty Fofolete. Eu adoro", ressalta a baiana.

Paty Fofolete e Geysa, de blusa vermelha
Geisa
"As meninas eram bem profissionais, passavam o dia todo na TV. Ao todo eram feitos cinco programas. Elas se dedicavam ao máximo, eram super esforçadas. Foi uma época muito boa, onde as pessoas faziam filas para participar da atração", relembra Cristina Gomes, que trabalhou com Geisa na época do programa.

E por falar em Geisa, ela foi a única criança que participou do concurso de estrelinha do 'Parquinho', apresentado por Tia Arilma. Ela também apresentou os infantis 'Splish Splash', 'Nova Onda' e Miss Baiananinha', espécie de concurso de beleza infantil. "Ela adorava dançar e se mostrar em frente às câmeras", lembra Dona Desinha, mãe da moça. Depois que os programas deixaram de existir, em meados de 1992, a jovem investiu na carreira de modelo e atriz e ainda se apresentou em cinco espetáculos. "Foi a partir daí que minha filha foi chamada para fazer uma novela da Globo no Rio de Janeiro, mas em agosto do mesmo ano, ela conheceu um holandês, se apaixonou e resolveu ir embora do Brasil", conta Dona Desinha.

Lá, Geisa aprendeu inglês, trabalhou em algumas lojas e bancos, casou e teve três filhos: Malu Marina (19), Francis (10) e Lene (4). Atualmente, a baiana de 41 anos é gerente de teste de soft e infraestrurtura de TI na Holanda, onde chefia 18 pessoas.