'Velho Chico': Afrânio confessa que nunca amou Martim


Afrânio (Antônio Fagundes) vai confessar que nunca amou Martim (Lee Taylor) em “Velho Chico”. A revelação acontece em conversa com Carlos (Marcelo Serrado) depois que o jovem vai embora de sua casa novamente sem que eles pudessem ter se despedido. “Não lhe dei chance. Ele tombô o rei e foi s’embora sem um abraço… sem sequer um aperto de mão…”, diz ele, com remorso. Carlos diz que foi melhor assim porque Martim era um risco grande para os negócios. “Estávamos em estado de alerta, pensando qual a próxima jogada que aquele maluco ia fazer…”, diz Carlos.
Afrânio fala que às vezes falta pra gente um grão dessa maluquice! “Discordo! Senhor há de convir que, desde que esse moleque pisou nessa cidade, essa família não teve um só dia de sossego. Um filho que volta para a casa pelo simples prazer de destruir tudo que o pai deu a vida pra construir não pode ser considerado uma… bênção”, fala Carlos. “Muito menos um pai como eu fui pra ele!”Não sei porque, mas eu nunca consegui amá esse menino de verdade…”, fala o coronel. 

Carlos pergunta: “Amar de que jeito, coronel? Esse é daqueles que desceu ao mundo pra pra destruir tudo… Tem gente que nasce assim, com o destino cruzando o nosso…”. Afrânio fita Carlos nos olhos, sério, e diz que ele não sabe o que é ser pai. O deputado fala que teve Miguel (Gabriel Leone) e Afrânio fala que é diferente. Ele se levanta da mesa, incomodado. “Quando botei meus olhos em Maria Tereza (Camila Pitanga) pela primeira vez senti isso… é um calor… um fogo que brota de dentro, que você não sabe explicar nem ao certo de onde vem…”, conta.
Carlos responde com uma gota de sarcasmo: “Nunca tive isso. Pelo menos com filho, não”. “E vem de graça, você sente, e pronto! A vida podia fazê o que fosse que bastava olhá pro sorriso dela e tava tudo resolvido”, lembra Afrânio, que sorri para si mesmo, navegando por essas lembranças. “Senti isso pelo menos uma vez na vida… tem gente que passa a vida sem saber o que isso é!”, continua o coronel. Carlos não se ofende, mas sente o peso que isso tem. “Agora… nunca consegui botá os olhos nesse moleque desse jeito… nunca!”, diz Afrânio, ressentido. Ele meneia a cabeça, querendo afastar a imagem de Martim das ideias. Se afasta, tomando as escadas falando consigo mesmo pela casa com o rei nas mãos, indiferente a tudo que paira ao redor, sob o olhar de espanto de Carlos Eduardo…

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