No Limite

1ª campeã do No Limite relembra dificuldades e diz que toparia participar de outro reality

Do olho de cabra à dificuldade de convivência em uma situação de extrema vulnerabilidade, em bate papo com o iBahia, Elaine relembrou os momentos no reality: 'É um laboratório de gente'

Cláudia Callado (claudia.callado@redebahia.com.br)
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Quem viveu o ano 2000, vai lembrar de Elaine Melo. Quando o primeiro reality show da história da TV Globo foi ao ar, o ainda desconhecido ‘No Limite’, ela era um dos 12 participantes. Ao ser a primeira campeã de um reality, a cabelereira entrou para história. Não à toa, com a notícia da nova edição do programa, que estreia nesta terça-feira (11) - onze anos após a quarta e última edição -, Eleine passou a ser ainda mais lembrada e requisitada. 

Elaine (em pé) se tornou a primeira campeã do No Limite / Foto: Reprodução / TV Globo

Do olho de cabra à dificuldade de convivência em uma situação de extrema vulnerabilidade, em bate papo com o iBahia, Elaine relembrou os momentos no reality, se disse ansiosa para a estreia da nova edição - spoiler: apesar de ainda não tem um palpite do vencedor – e falou o que acha da cultura do cancelamento, que tanto atinge os participantes de reality hoje em dia. Confira: 

iBahia: Agora, 20 anos depois, acredito que o anúncio de uma nova edição de No Limite tenha te feito pensar ainda mais naquela época. Olhando hoje, o que você acha que fez diferença para você ganhar o prêmio? 

Elaine Melo: Todo mundo me pergunta [o que fez a diferença]. Mas eu acho que não teve uma coisa que fez a diferença. Depois de 20 anos, o que eu vejo é que fui eu mesma. Não fiz estratégia, eu não me prendi a opiniões, eu fui eu mesma e acabou. Eu acho que isso funcionou muito bem, eu agi com atitudes minhas, do jeito que eu sou.  Porque você inventar um personagem não rola.  

Foto: Reprodução / TV Globo

iBahia: Como foi a seleção para o No Limite? E por que você topou participar do que era uma novidade, já que foi o primeiro reality show da Globo e não tinha esse boom desse tipo de programa? 

Elaine Melo: Como foi o primeiro reality da TV aberta no Brasil, ninguém tinha noção do que era.  E eu estava trabalhando, na verdade, e uma repórter do Fantástico viu a minha mãe e perguntou para ela se ela não toparia participar de um programa novo que ia ter na Globo. Minha mãe disse que estava ocupada e que não podia conversar na hora. ‘Minha filha está desocupada, fala com ela’. Aí a repórter me chamou e começou a fazer várias perguntas, se eu era casada, se eu tinha filhos e perguntou se eu toparia ficar um mês fora de casa e eu disse ‘opa, que legal’. Ela me explicou que ia ter um programa nova, que ela não poderia falar muito o que era, mas que seria bem legal e o prêmio era um carro. Eu pensei ‘nossa’, porque tinha acabado de vender o meu. Então eu disse que queria, que estava dentro. 

iBahia: O foco do No Limite não é a convivência, como é no caso do BBB, por exemplo. Mas vocês são colocados em um lugar deserto com pessoas que não conhecem. O quanto isso pesou na sua participação? Foi um fator a mais de dificuldade? 

Elaine Melo: Sim, somos humanos, sempre vai ter um problema de convivência[risos]. Acho que a grande diferença é que no Big Brother fica todo mundo grudado naquela casa e não tem como sair. Lá [No Limite] a gente está em grupo, mas está ao ar livre. Mas de qualquer forma, a gente não podia se distanciar do grupo. O grupo não podia ficar dividido em mais de duas partes. Então ficava dois no acampamento e três ou quatro podiam ir andar. Mas se tivesse uma briga com alguém, não é que você pudesse sair andando. Não podia. Tinha regras, você não podia fazer o que quisesse. Então a coisa [comparada com o BBB] é mais ou menos igual. A pressão psicológica, emocional. É um laboratório de gente. 

iBahia: Na sua edição, você não era vista como favorita pelo público por não se encaixar em um estereótipo criado em torno de alguém que consegue se superar fisicamente. Você sentia isso também dentro do reality? Isso foi um combustível para você? 

Elaine Melo: Então, é aquela subestimação geral, né? Alguns subestimaram muito, outros não. Mas sempre houve, né? Por você ser gordo, por você ser mulher, tem várias etapas. Apesar que eu senti muita força mais dos homens. Uma coisa engraçada é que sempre me dei melhor com os homens do que com as mulheres. E foi muito bom porque eles me apoiaram nisso. O Chico, o Vanderson.. Sempre me apoiaram e foi muito bom.  

iBahia: Ainda falando sobre isso, na edição atual todos os participantes são jovens, alguns são atletas, outros já ficaram horas em provas de resistência do Big Brother Brasil. Você acha que esse condicionamento é importante? O que seria o diferencial para ser campeão? 

Elaine Melo: O que eu acho é que as provas eram de convivência e, óbvio, eu era menos resistente. Mas muita prova não tinha a ver com resistência. Tinha a ver com a mente, com a musculatura cerebral [risos]. Não que as pessoas não tivessem a questão do raciocínio, não é isso, mas a questão de raciocinar rápido, a questão de observação das coisas. Eu acho que acabei ganhando nisso. É aquela história: quando você não é forte em uma coisa, você procura ser forte em outra. Eu tinha sempre o raciocínio muito rápido nas provas, então nas provas que tinham que montar algo ou jogar dama, por exemplo. 

20 anos depois da experiência em No Limite, Elaine disse que toparia participar do BBB / Foto: Reprodução / TV Globo 

iBahia: E você acha que essa experiência em reality vai fazer a diferença para eles ou que eles vão descobrir que o No Limite é outro patamar de dificuldade? 

Elaine Melo: Eu até comentei isso ontem, com uma amiga, a Andreia [também participante do No Limite 1]: ‘eles reclamam da xepa’ [risos]. Eu queria ser uma formiguinha para ver eles comendo ou procurando comida. Porque não é fácil, existem restrições. Você vai estar em um ambiente controlado e eles cercam e você tem que ficar dentro daquilo. Você não pode sair por qualquer lugar procurando por comida. Então não tem facilidade de comida, é muito rara [a comida], é difícil. É uma coisa que pega muito, que acaba trazendo muito conflito nos relacionamentos internos. Aí começa a ter atrito. Me perguntaram para quem eu vou torcer, eu falei: ‘me perguntem daqui a uma ou duas semanas’, porque vai depender do humor de quem não comeu [risos]. 

iBahia: E, sem começar o programa, só olhando os participantes, em quem você apostaria que vai ser o campeão? 

Elaine Melo: Não consigo dizer. Mesmo porque alguns Big Brothers eu nem assistir, trabalhando muito, dando palestra pelo país, acabei nem vendo, então tem pessoas que eu nem conheço.  

iBahia: Imagino que há 20 anos você responda qual é o gosto do olho de cabra, como foi a sensação de comer algo tão exótico. Claro que eu também quero saber isso, mas queria saber também se esse foi mesmo o seu maior desafio no reality? Se não, o que foi o pior? 

Elaine Melo: Então, a comida era uma coisa muito séria. Olho de cabra para mim foi uma iguaria mesmo. Tem gosto de ostra, o líquido de dentro, mas é sim aflitivo você vê aquilo e segurar na mão. Eu fui a idiota que perguntei se poderia botar na boca e engolir [risos]. Aí o Boninho: ‘não, tem que morder’ [risos].  

E a dificuldade maior foi a convivência mesmo, especialmente por causa da comida. A gente recebia uma caixa de 35 centímetros, e dentro vinha duas bananas, um pouquinho de carne do sol e carne seca, dois dentes de alho. Mas a gente recebia isso a cada 3 dias para seis pessoas. Eram 300 calorias por dia por pessoa. Então era água com água suja, que eu falava [risos]. E isso mexe muito com o emocional, especialmente para quem já tinha passado fome na vida. 

iBahia: Se essa ‘moda’ de ex-participantes de realitys shows participarem de outros programas continuar, você iria para o Big Brother, por exemplo? Ou para uma nova edição do No Limite? 

Elaine Melo: Se for Big Brother eu topo, porque agora com 56 anos não dá mais para No Limite, não [risos]. Eu estou mais para ficar largada na piscina, aquela coisa, sabe. Subir duna agora seria ‘punk’. Apesar que lá também tem provas de resistência, mas eu acho que são coisas que você consegue levar, é diferente de subir uma duna que tem quase sete andares de altura. E o sol, sendo privado do contato com todo, é difícil.  

Eu estou louca para ver o começo dessa edição. Estou ansiosa, sabe porque? Presta atenção nas pessoas quando elas entrarem, nos olhos e no jeito, especialmente na fisionomia. Com o passar do tempo você vai ver como muda, principalmente o olhar. Porque o No Limite te faz voltar muito para dentro de si, você acaba se interiorizando. Você tem muito tempo para pensar, você não tem o que fazer, faz a prova e volta para o acampamento. Então você acaba pensando muito. 

iBahia: Hoje em dia o ‘cancelamento’ é o maior temor dos participantes de reality show. Você teria esse receio se fosse convidado hoje para participar? E pelo fato de o ‘No Limite’ não ter participação do público, acredita que é mais justo de alguma forma? 

Elaine Melo: Não, porque crítica você recebe no seu dia a dia. Você é quem sabe de você, não são os outros. O que os outros acham de você é só o que eles acham, não é o que você é realmente. As pessoas vão te julgar e podem falar o que quiser. 

iBahia: Você acha que o fato de o No Limite não ter a interação com o público, ou seja, não ter voto popular, faz dele um reality mais justo do que o Big Brother, por exemplo? 

Elaine Melo: Eu acho que sim, porque o público acaba votando no que eles gostam e no que acham, apesar de que a visão do público de fora diz muito, porque eles percebem que não está sendo verdadeiro. Mas esse julgamento todo que fizeram com a Karol Conká, que fizeram com o Lucas Penteado, que direito as pessoas têm em criar esse medo nas outras em ser cancelados? É ridículo isso das pessoas acharem que têm o direito de entrar numa mídia social e acabar com a vida de alguém. As pessoas precisam ter responsabilidade. As pessoas odeiam muito rápido, as opiniões são muito fortes, sem entender o lado da outra pessoa. 

iBahia: Por fim, o que você espera encontrar nessa edição do No Limite? Acha que vai ser muito diferente da sua? Vai ser uma telespectadora?  

Elaine Melo: Com certeza! Falei com o André Marques e o Zeca [Camargo], e fiquei com saudades de estar lá de novo. É uma experiência legal. Estou louca para que comece, para ver as pessoas, as emoções, o que vai ter. Não sei se vai ter coisa mais pesada, mas sei que Boninho não gosta de brincar com isso não [risos].  

Assista: