Novelas

"Clara sabe que não pode esperar pela Justiça", diz Bianca Bin

Atriz de O Outro Lado do Paraíso fala sobre sua personagem e feminismo: "Não aguento mais ver essas mulheres denunciarem seus agressores e serem assassinadas por eles mesmos"

Roberto Midlej, do Correio 24h

Clara (Bianca Bin) não foi poupada de sofrimento na primeira fase de O Outro Lado do Paraíso, novela das nove da Globo. Foi vítima da violência de Gael (Sérgio Guizé), seu marido; a cunhada Livia (Grazi Massafera) praticamente tomou-lhe o filho e a sogra Sophia (Marieta Severo), com sua ambição, foi autora de um plano que deixou Clara internada num hospício  por dez anos.

Depois de quase morrer na fuga do sanatório, Clara prepara sua vingança contra os algozes. “Estou achando o máximo a personagem. Mas a volta triunfal dela é para se fazer justiça, mais do que vingança”, revela Bianca Bin, atriz paulista de 27 anos, que começou a carreira em Malhação, em 2009.

Foto: TV Globo/César Alves

“É triste, mas num país onde a Justiça é tão ausente, ela tem que buscar isso com as próprias mãos. Ela sabe que não pode esperar pela Justiça: tem que correr atrás”, afirma Bianca, lamentando. “Mas a vingança não pode ser encarada de forma rasa, fútil. A vingança, no caso de Clara, é para mostrar o que não é justo, o que não é correto”, acrescenta.  

A atriz indigna-se com a violência de que mulher é vítima atualmente. Nos primeiros capítulos, Clara foi estuprada pelo marido. Bianca diz que conversando com espectadores descobriu mulheres que foram violentadas, como sua personagem: “Uma vez, uma mulher me disse que  o marido quebrou o maxilar dela. Essa violência é muito chocante! Nunca passei por isso. Tenho 27 anos e espero nunca passar”.

Por casos como esse, Bianca revela-se defensora incondicional do feminismo. “Nós estamos vivendo uma Primavera Feminista e a mulherada não vai mais se calar. E isso não é só no Brasil, mas no mundo. A gente está cada vez mais unida”, afirma.

Abusos
Para a atriz, muitas mulheres são abusadas pelos maridos porque demoram de perceber que estão vivendo um relacionamento abusivo. Além disso, têm medo de denunciar os agressores. “A história de Walcyr (Carrasco, o autor) retrata muito bem isso. A mulher fica presa num relacionamento abusivo.  Mas não podemos julgar a mulher violentada. Ao contrário, precisamos acolhê-la”.

Bianca defende que o Estado deve estar mais presente na defesa das mulheres: “Não aguento mais ver essas mulheres denunciarem seus agressores e serem assassinadas por eles mesmos. O feminicídio só aumenta no Brasil e no mundo. Precisamos mudar isso, combatendo desde a piadinha machista até a agressão física”.

A atriz reconhece que foi criada em um ambiente machista: “Tive uma criação machista. Sou de uma família do interior de São Paulo, que é muito católica. Quando eu era menor, meus irmãos saíam e não precisavam dar satisfação. Mas eu, por ser mais nova e menina, era cobrada de forma diferente”.

Sobre o destino do coração de Clara, Bianca tem dúvidas, já que a personagem está dividida entre Patrick (Thiago Fragoso) e Renato (Rafael Cardoso). “Renato vai dando provas de que ela pode confiar nele e Patrick dá segurança a ela. Parece um irmão dela. Sexo entre eles, até agora, não teve. Mas acho que rola atração sim. Ele se dispôs a ajudá-la. Ele é generoso, aberto e acolhedor”.

Renato aos poucos vai ganhando a confiança de Clara. O médico criou, junto com a personagem de Bianca, um plano para que ela fugisse do sanatório, fingindo que ela estava morta. Mas o caixão que deveria transportar o corpo até terra foi jogado no mar. Em alguns momentos, Clara chegou a desconfiar de Renato e imaginou que ele sabia que o caixão seria arremessado na água.
Com Glória Pires, na primeira fase de O Outro Lado do Paraíso
(Globo/divulgação)

A cena foi uma das mais complicadas para Bianca, já que a atriz revelou ter fobia de água. Além disso, o caixão foi lançado de um penhasco. “Venci muitos medos para gravar a cena. Foram muito intensas as gravações e a sequência do caixão era longuíssima. Mas a gente se dispõe a vencer medos e limites. A gente fala para o corpo: ‘Guenta: vou ali e volto já’”.

Plantar a lua
Recentemente, Bianca agitou as redes sociais quando falou sobre menstruação e o coletor de sangue que usa durante o ciclo para a prática de um ritual conhecido como “plantar a lua”, que consiste em recolher o sangue menstrual e oferecê-lo à terra.

A atriz indicou o site da terapeuta corporal Morena Cardoso para explicar o assunto: “Você nem imagina o bem que seu sangue irá fazer às suas plantas; este é sem dúvida o melhor biofertilizante que poderia existir”, diz a terapeuta.

Simpatizante de tratamentos de saúde alternativos, Bianca aderiu à microfisioterapia. Essa é uma técnica que consiste em identificar no corpo a causa primária de uma doença e, a partir disso, estimular autocura. “Acredito que as doenças são psicossomáticas e quero trabalhar minha dificuldade de expressar em palavras o que sinto”.