Novelas

Dom Sabino tenta abrigar ex-escravos em uma edícula e eles se revoltam

O pai de Marocas (Juliana Paiva) fica magoado e Agustina (Rosi Campos) fala que eles planejaram tudo para voltar a ser o que eram antes

Agência O Globo

Em “O tempo não para”, Dom Sabino (Edson Celulari) vai separar uma edícula na sua casa para abrigar os seus ex-escravos. Dom Sabino mostra os aposentos da edícula para Cesária (Olívia Araújo), Menelau (David Junior), Damásia (Aline Dias), Cairu (Cris Vianna) e Cecílio (Maicon Rodrigues) sob os olhares de Eliseu (Milton Gonçalves). "Os aposentos desta edícula ficarão ao seu dispor, com tudo o que há de mais moderno... Há chuveiro a gás nos banheiros...", diz ele. "Casa de banho tem uma só", observa Menelau. "De fato... Mas a latrina é deveras confortável... Toalhas e sabonetes serão repostos fartamente...", responde Dom Sabino.

Foto: Reprodução

Cesária completa: "Por nóis mesmo...". "Sim, creio que seja mais prático... E então?... O que acham do novo lar?...", ri Dom Sabino. Um tempinho no silêncio constrangedor que fica. "Assim... É arrumadinho, ajeitadinho...", responde Damásia, sem convicção. Cecílio fala que a casa de Eliseu é bem mais jeitosa e ele fica meio desorientado: "A casa da família fica pra que lado mesmo?". Cairu é direta: "A casa grande o senhor quer dizer, né? Porque isso aqui é uma senzala!".

Dom Sabino fica magoado e Agustina (Rosi Campos) fala que eles planejaram tudo para voltar a ser o que eram antes. "E decidiram só entre ocês, como sempre", fala Cecílio. "Ninguém perguntou patavina pra nóis...", completa Menelau. "E precisava?", pergunta Dom Sabino. Cesária se mostra firme: "Precisava, sim, sinhô... Sinhá Agustina, Dom Sabino... Nós tamo em outro tempo, agora somo livre pra decidir o que é melhor e até o que é pior pra nós... Cum todo respeito que eu tenho pela família... Nós num atravessamo dois século pra ir parar numa senzala outra vez... Não mesmo!...".

Os ex-escravos vão saindo. Agustina se desespera: "Esperem!... Não podem sair assim!". "Eles podem, sim, Agustina", fala Dom Sabino, arrasado. "Até você, Damásia?", pergunta Agustina. "A sinhá me desculpe... Eu botei o dedão num papel escrito e tô na mão da dona Coronela... É meu emprego agora e eu num posso faltar...", responde ela. Enfim, todos saem. Só Eliseu fica por ali. Dom Sabino busca um olhar do amigo, que pondera, sincero: "Meu bom amigo... Dom Sabino... Aquilo lá lembra mesmo uma senzala...".