Novelas

Em seu primeiro papel de destaque na Globo, Gabriel Leone vive o corajoso Miguel

Nos próximos capítulos, Miguel estará no cerne das cenas mais tensas de Velho Chico

Ana Cristina Pereira (ana.pereira@redebahia.com.br)
Que ninguém se engane com o belo sorriso e o jeitão despojado de Miguel. O personagem vivido pelo ator Gabriel Leone em Velho Chico, novela das 21h da Globo/TV Bahia, entrou na trama para fazer várias transformações. 
Nos costumes, nos relacionamentos e na maneira de lidar com a terra, por exemplo. Depois de uma temporada na França, o jovem agrônomo volta a Grotas de São Francisco acreditando que é possível viver num mundo sustentável. Mesmo batendo de frente com o avô, o poderoso coronel Afrânio (Antônio Fagundes), que representa as velhas oligarquias do Nordeste. 
Miguel já perguntou ao avô por que os moradores da cidade dizem que os Sá Ribeiro são bandidos e criticou seus modos de produção “arcaicos“ na frente de vários outros coronéis. Também se recusou a ficar com uma prostituta no bordel.
“É o encontro de duas gerações muito distantes. Uma parada no tempo, mas com muita experiência prática. E a outra cheia de ideais, mas muito teórica“, comparou o ator. Em sua opinião, diz, o caminho ideal seria o diálogo, mas ele sabe que o coronel é osso duro de roer. “Em algum momento, ele vai ruir”, afirmou o ator de 23 anos, em entrevista por telefone do Rio. 
Turbilhão
Gabriel diz que sabia que seria uma grande responsabilidade dar vida a Miguel, mas que está muito feliz com o papel. Quando falamos com ele, há duas semanas, o ator tinha chegado de uma viagem a Piranhas, Alagoas, cidade que fica às margens do São Francisco e é usada como cenário da novela. “É tudo muito intenso, acelerado, mas é muito bom encontrar com toda a equipe”, contou.  
O ritmo intenso das gravações tem a ver com o crescimento do personagem na história de Benedito Ruy Barbosa. Nos próximos capítulos, Miguel estará no cerne das cenas mais tensas de Velho Chico. O segredo sobre sua origem virá à tona, já que Tereza (Camila Pitanga) terá de contar a verdade, para evitar o envolvimento dele com a irmã Olívia (Giullia Buscacio). 
Antes, Tereza tentará reaproximá-lo da namorada Sophie, que será vivida pela atriz e modelo francesa Amy Camara. A chegada da moça, que é negra, deve trazer o tema racismo à tona. Sem querer adiantar o que virá pela frente, Gabriel diz que se isto acontecer, deve ser natural, já que há muito “racismo e discriminação no Brasil”.     
Cheio de princípios, o rapaz não vai perdoar a mãe pelas mentiras. E vai abandonar os Sá Ribeiro e se juntar à família do pai Santo dos Anjos (Domingos Montagner). A empatia será grande, sobretudo com Olívia, com quem compartilha os mesmos desejos de praticar uma agricultura em larga escala, mas menos danosa  com o meio ambiente.
Sustentabilidade
Vai ser o caminho para a dupla colocar em prática os princípios em que acreditam. Gabriel conta que os autores da novela buscaram na agricultura sintrópica - conceito criado pelo agricultor e pesquisador suíço Ernst Gotsch - os embasamentos para as ideias de seu personagem.
Ernest imigrou para o Brasil nos anos 80, fixando-se na zona cacaueira do Sul da Bahia, onde desenvolve técnicas de recuperação de solos por meio de métodos de plantio que buscam a regeneração natural de florestas. “Há muito tempo, ele defende uma agricultura sem uso de produtos quimícos, produzindo produtos 100% orgânicos e promovendo a regeneração do solo, numa relação direta com a terra”, explicou. Encantado com o trabalho de Ernest, Garbiel conta que fez um curso para se familiarizar com a agricultura sintrópica e diz acreditar que ela pode salvar a humanidade. “O trabalho dele é reconhecido no mundo inteiro”. 
Revolução real
Assim como na ficção, o agrônomo também está provocando uma revolução na vida do jovem ator carioca. Este é seu primeiro papel de destaque na televisão. O convite veio depois da boa atuação em Verdades Secretas, exibida ano passado, onde ele fez par romântico com Camila Queiroz. Gabriel também esteve na temporada 2013 de Malhação. 
Para viver Miguel, ele passou por uma intensa preparação, a cargo do diretor artístico Luiz Fernando Carvalho. Estudou a prosódia nordestina, aprendeu a ler francês e a andar a cavalo. O ator também emagreceu alguns quilinhos e deixou a barba crescer, para ficar mais próximo da aparência de Santo (Renago Góes) na primeira fase da novela. Miguel também o apresentou ao Rio São Francisco, um deleite para quem sempre gostou de fugir para a natureza. “A cena que gravei cruzando o rio pela primeira vez depois de voltar da França foi muito especial”, conta o rapaz, que depois se esbaldou nas águas doces do Velho Chico.Ator viverá Roberto Carlos no cinema
O cinema também está na mira de Gabriel Leone, que está escalado para viver o cantor Roberto Carlos na cinebiografia de Erasmo Carlos, Minha Fama de Mau, de Lui Farias. Gabriel diz que ainda não pode falar muito sobre o longa-metragem, que será protagonizado por Chay Suede.Ele já interpretou Roberto no teatro, no espetáculo Chacrinha - O Musical. Na época, disse que “o grande desafio foi fugir da caricatura, da interpretação superficial, e achar a minha verdade na história, com detalhes do Roberto, de corpo, de voz e psicológicos”. 
Marjorie Estiano e Gabriel Leone em cena do filme O Garoto, de Julio Bressane, inédito no circuito comercial
Enquanto Roberto não vem, Gabriel pode ser visto no filme O Garoto, 29º longa do experiente diretor Julio Bressane, que já passou por vários festivais. Baseado num conto do escritor argentino Jorge Luís Borges (1899- 1986), o filme é protagonizado por Gabriel e Marjorie Estiano, que vivem um casal que se conhece num lugar especial.
Correio24horas