Novelas

Nice de ‘Segundo sol’ sobre nova fase: ‘Torço para que ela encontre um novo amor’

Estreante em novelas depois de se dedicar por mais de duas décadas ao teatro, Kelzy Ecard, de 53 anos, vem se destacando em “Segundo sol” na pele de Nice

Agência O Globo

Estreante em novelas depois de se dedicar por mais de duas décadas ao teatro, Kelzy Ecard, de 53 anos, vem se destacando em “Segundo sol” na pele de Nice, refém do machismo de Agenor (Roberto Bonfim), e que vira a mesa ao fazer sucesso com suas receitas no restaurante de Cacau (Fabiula Nascimento) mesmo após ser vítima da sabotagem do marido. Um novo tempo se desenha para a mãe de Maura (Nanda Costa) e Rosa (Letícia Colin) — que surpreenderam a família ao se revelarem, respectivamente, homossexual e prostituta —, com direito a uma grande torcida para que seus dias de mulher submissa estejam mesmo contados. Afinal, “ninguém é dono de ninguém”, diz a atriz, nascida em Santo Antônio de Pádua (RJ) e que também é arquiteta de formação.




VOLTA POR CIMA

“Nice começou uma nova fase. Pela primeira vez (no capítulo de segunda-feira), ela foi capaz de negar um comando de Agenor. Estou torcendo por essa virada e confiante de que ela não vai recuar. É claro que não é fácil romper essa barreira, já que Nice passou a vida inteira se submetendo a um relacionamento abusivo e tendo a autoestima muito baixa porque o marido fez com que ela acreditasse que não é lá grande coisa”.

Foto: Sergio Baia | Divulgação

DRAMA DA VIDA REAL

“Há uns anos, eu era vizinha de um casal muito jovem que brigava cotidianamente até chegar à violência física. Acredito que relações abusivas misturam dependência emocional e financeira. Ainda existem mulheres que, por falta de uma formação profissional, encontram no casamento uma maneira de sobreviver, apesar de uma recente pesquisa apontar que 51% dos lares brasileiros são sustentados por mulheres”.


LIVRE DE ABUSOS

“Nunca me submeti a uma relação abusiva. Fui criada para ser independente. Tanto do ponto de vista financeiro quanto emocional. Nunca deixei que namorado nenhum me dissesse o que fazer, nem que roupa usar, nem quais amigos ter. Quando achava que estava chegando próximo do abuso, mesmo que fosse verbal, eu já dava um corte. Com 20 anos, sentava num bar e pedia uma cerveja sozinha”.

MACHISMO

“Tenho muita fé nas novas gerações. Vejo pelo meu filho (Pedro, de 15 anos, fruto do extinto casamento com o diretor de teatro Dudu Sandroni) e pelos amigos dele que há uma consciência de que as meninas têm igual potencial para o mundo que os meninos. Nunca ouvi um comentário do tipo: “menina é mais frágil”. Hoje em dia, também vejo uma participação muito maior dos homens na criação dos filhos. Felizmente, nunca me deparei com uma situação de machismo declarado. No máximo, piadinhas relacionadas a TPM, o que não deixa de ser machismo, claro”.

HOMOSSEXUALIDADE E PROSTITUIÇÃO

“Nice resolveu rapidamente as questões das filhas (Maura é homossexual e Rosa, prostituta). Não a vejo julgando-as. Sexualidade não é escolha, mas, culturalmente, para ela foi difícil, num primeiro momento, entender e aceitar a homossexualidade de Maura. Em relação a Rosa, é claro que Nice torce para a filha largar essa vida. A preocupação com a prostituição não é para mim uma questão de moralidade, é pelo perigo”.


UM NOVO AMOR PARA NICE

“A torcida é grande para que Nice encontre um novo amor. Eu adoraria também! Como ninguém muda ninguém, somos o que somos e mudamos se quisermos ou se tivermos necessidade. Agenor só vai se transformar se tiver verdadeiramente esse desejo. Por isso, um novo amor é bem-vindo para Nice, ou a renovação desse amor com o marido”.

ESTADO CIVIL

“Estou solteira. Não me vejo casada novamente, só namorando”.