Novelas

'O legado de Gilberto Braga': relembre alguns sucessos do autor

Teledramaturgo deixa legado de 50 anos na TV brasileira

Nathália Amorim* (redacao@portalibahia.com.br )
- Atualizada em

Faleceu, na noite desta terça-feira (26), o autor Gilberto Braga, aos 75 anos. Consagrado como um dos maiores nomes da teledramaturgia brasileira, Braga deixa um legado de 50 anos como autor na Globo, onde estreou em 1972.

Formado em Letras, foi ele o responsável por novelas que marcaram épocas e gerações."Dancin Days" (1978), "Anos Dourados" (1986), "Vale Tudo" e "Celebridade" (2003) são apenas algumas das tramas que levam a assinatura e o talento do autor. 

Sempre atento e afiado crítico dos poderosos e dos preconceituosos, em sua prolífica carreira Gilberto Braga escreveu novelas que não só entreteve telespectadores, mas levou à TV temas sociais e políticos. Alguns atores, inclusive, fizeram questão de destacar essa característica ao se despedir do autor. Zezé Mota, que atuou na novela "Corpo a Corpo" falou sobre o assunto nas redes sociais. "Foi um divisor de águas. Em 1984, graças a você falamos de racismo em horário nobre.", frisou a atriz.  

O legado de Gilberto Braga ficará para sempre na memória dos telespectadores brasileiros. Dentre os trabalhos do autor, destacamos cinco novelas marcantes para você relembrar. 

Confira:

Dancin' Days (1978)

A trama gira em torno da rivalidade entre duas irmãs: a ex-presidiária Júlia Matos (Sônia Braga) e a socialite Yolanda Pratini (Joana Fomm). Acusada de atropelar e matar um guarda-noturno, Júlia é condenada a 22 anos de prisão e consegue liberdade condicional após cumprir metade da pena.

Júlia tenta, de todas as formas, livrar-se do estigma de ex-presidiária. Seu primeiro desafio é reconquistar o amor da filha, Marisa (Gloria Pires). A menina foi criada por Yolanda que, com medo de perder a sobrinha, dificulta a aproximação entre mãe e filha. Em sua luta para se reintegrar à sociedade, Júlia conhece o diplomata Cacá (Antonio Fagundes) e os dois vivem um romance atribulado ao longo de toda a história. Ao longo da trama, ela é novamente presa, mas volta à liberdade e se casa com Ubirajara (Ary Fontoura), um homem rico e apaixonado por ela. A grande reviravolta na história acontece quando Júlia retorna ao Brasil, após uma viagem à Europa, completamente mudada.

Corpo a Corpo (1984)

A novela conta a história de Eloá (Débora Duarte), uma mulher envolvente e ambiciosa, sempre em busca de projeção social e profissional. Para tal, ela se empenha para se destacar na empresa de engenharia onde ela e o marido, Osmar (Antonio Fagundes), trabalham, a Fraga Dantas S.A. Osmar é um homem sem grandes ambições, casado com Eloá há 16 anos, com quem teve Ronaldo (Selton Mello). Durante uma festa, no primeiro capítulo da novela, Eloá, frustrada por não ter conseguido uma promoção na empresa, conhece o misterioso Raul (Flávio Galvão), que seria a personificação do demônio, e faz um pacto com ele. Raul lhe garante que poderá fazer com que ela ascenda socialmente. Eloá, por sua vez, aceita a proposta, que transforma inteiramente sua vida. Ela começa a se destacar profissionalmente, e essa ascensão é o principal motivo da crise em seu casamento.

Em "Corpo a Corpo", Braga evidenciou o racismo brasileiro. Sônia (Zezé Motta), uma jovem arquiteta, começa a namorar Cláudio (Marcos Paulo), filho do rico empresário Alfredo Fraga Dantas (Hugo Carvana), e passa a ser discriminada pela família dele. A relação entre os dois causou polêmica, inclusive entre os telespectadores.

Vale tudo (1989)

Corrupção e falta de ética foram enfocadas em Vale Tudo, que denunciava a inversão de valores no Brasil no final dos anos 1980. Os autores centraram a discussão sobre honestidade e desonestidade no antagonismo entre mãe e filha: a íntegra Raquel Accioli (Regina Duarte) é o oposto da filha Maria de Fátima (Gloria Pires), jovem inescrupulosa e com horror à pobreza que, logo nos primeiros capítulos da novela, vende a única propriedade da família, no Paraná, e foge com o dinheiro para o Rio de Janeiro com o objetivo de se tornar modelo. Raquel vai atrás da filha e conhece o administrador de empresas Ivan Meirelles (Antonio Fagundes), por quem se apaixona. Para ganhar a vida, passa a vender sanduíches na praia, com a ajuda do amigo Audálio (Pedro Paulo Rangel), conhecido como Poliana. Enquanto a mãe batalha para sobreviver honestamente, Maria de Fátima se alia a César (Carlos Alberto Riccelli), um mau-caráter que a estimula a seduzir o milionário Afonso Roitman (Cássio Gabus Mendes), de olho na fortuna do rapaz. Afonso é namorado da jornalista Solange (Lídia Brondi) e filho da poderosa empresária Odete Roitman (Beatriz Segall), diretora da Companhia Aérea TCA. Odete é assassinada nos capítulos finais, gerando um grande mistério na história. O Brasil inteiro parou para saber “quem matou Odete Roitman”.

Celebridade (2003)

A trama tem como eixo central a rivalidade entre duas mulheres: a bem-sucedida empresária e ex-modelo Maria Clara Diniz (Malu Mader), dona da produtora Mello Diniz, e a dissimulada e invejosa Laura Prudente da Costa (Cláudia Abreu), que se aproxima de Maria Clara dizendo ser sua maior fã e consegue um emprego em sua empresa.

Na verdade, Laura é uma arrivista que não quer apenas tomar tudo da outra, mas transformar-se em uma nova Maria Clara. A razão do ódio de Laura pela patroa é que ela é filha da verdadeira musa da canção que fez de Maria Clara uma mulher rica e famosa, enquanto ela e a mãe amargaram uma vida miserável. Maria Clara, porém, sempre acreditou que a música Musa de Verão fora composta por seu ex-noivo Wagner em sua homenagem. Para realizar o plano de destruir a rival, Laura conta com a ajuda de Marcos (Márcio Garcia), seu amante e cúmplice. Outro grande vilão da história é o ambicioso e inescrupuloso Renato Mendes (Fábio Assunção), editor da revista Fama e sobrinho de Lineu, que sonha um dia assumir a presidência do Grupo Vasconcelos. Renato se envolve com Laura, que vê nele um aliado a mais para destruir Maria Clara.

Paraíso Tropical (2007)

O antagonismo entre as gêmeas Paula e Taís, vividas por Alessandra Negrini, e a sede de poder do jovem empresário Olavo (Wagner Moura) dão o tom da novela. Paula e Taís têm personalidades opostas, e só descobrem a existência uma da outra ao longo da trama. É quando os embates começam. A mau-caráter Taís tenta destruir a relação amorosa da irmã com o íntegro Daniel (Fábio Assunção), executivo no mesmo grupo empresarial em que trabalha Olavo. Esse, por sua vez, faz de tudo para impedir que Daniel suceda o poderoso Antenor Cavalcanti (Tony Ramos), seu tio, na presidência da empresa. Ardiloso, Olavo sabe da preferência de Antenor por Daniel e tenta difamar a reputação do concorrente, mostrando-se capaz de tudo, até de matar, para alcançar seu objetivo.

Recentemente, a novela voltou a ser assunto na internet, após a retomada dos vídeos da icônica cena em que Olavo (Wagner Moura) se declara para Babel (Camila Pitanga), e a chama de "cachorra" no calçadão da Praia de Copacabana.

*Sob supervisão e orientação da repórter Cláudia Callado