Novelas

'Sol Nascente' chega ao fim hoje; confira o melhor e o pior da novela

Folhetim fez a audiência crescer nos últimos meses

Agência O Globo

A novela “Sol Nascente” dá adeus à TV, hoje, e uma palavra poderia defini-la: superação. O folhetim, que em grande parte do tempo apresentou um enredo arrastado, conseguiu reverter a situação e fazer a audiência subir nos últimos meses, com as viradas que a história deu.

O ponto alto da trama foi mesmo parte do elenco, com destaque para os vilões: a experiente Laura Cardoso e o estreante em maldades Rafael Cardoso, que deram vida a Sinhá e Cesar respectivamente, brilharam. A atriz, de 89 anos, se divertiu.

"Achei maravilhoso viver uma velhinha do mal, lobo em pele de cordeiro", festeja Laura.

Já para Giovanna Antonelli, que interpretou a mocinha Alice, gostoso mesmo foi poder ter seus momentos de maldade, descarregando toda a raiva da empresária no ex-namorado:

"Gostei da sequencia em que a Alice dá uma boa surra no Cesar. Adorei bater nele. Nos divertimos muito". 

Para o autor Júlio Fischer, nem a saída de Walther Negrão, por motivos de saúde, atrapalhou o desenvolvimento da novela.

"Já tínhamos estabelecido entre nós uma sintonia. Isso permitiu que Suzana Pires (também autora) e eu tocássemos o trabalho e desenvolvêssemos as trajetórias de cada personagem", afirma Fischer.

Pontos altos

A participação especial de João Vitti como Padre Julião deu uma movimentada na trama e discutiu bem um tema delicado: o celibato.

O casal Lenita (Leticia Spiller) e Vittorio (Marcello Novaes) gerou expectativa e alvoroço em meio ao público. A torcida para os dois ficarem juntos extrapolou a trama e se refletiu na vida real dos atores, que já foram casados.

A trama praiana rendeu imagens lindas na TV. As paisagens eram um colírio para os olhos do telespectador.

Outro casal bonitinho de se ver foi Gaetano (Francisco Cuoco) e Geppina (Aracy Balabanian). A história não ficou reduzida a uma trama secundária, pelo contrário: abordou amor, sexo e ciúme na terceira idade.

A atriz Maria Joana mandou muito bem como a vilã Carol. Giovanna Lancellotti também arrebentou como Milena.

Pontos baixos

O núcleo jovem da trama ficou muito tempo esquecido pelos autores e só começou a ser desenvolvido na reta final do folhetim.

Escalar o ator Luis Mello para viver um japonês gerou polêmica e dificultou que o personagem se tornasse crível no início.

Os autores poderiam ter explorado melhor a história de Dora (Juliana Alves). A personagem tinha endometriose e, por isso, não conseguia engravidar. Depois de perder o bebê e o marido, como ficou o sonho de ser mãe? Desapareceu? A alternativa foi transformá-la numa mulher bem-sucedida.

Japoneses, italianos, roqueiros tatuados, caiçaras... Variedade é bom, mas se for demais, pode atrapalhar. Nenhum dos grupos foi explorado com profundidade. Os vilões tinham muito mais personalidade que os mocinhos, ofuscados na trama.