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Tartaruga centenária, que transou tanto e salvou toda uma espécie, se aposenta

Pesquisador atribui o sucesso sexual de Diego a sua "grande personalidade — bastante agressiva, ativa e vocal em seus hábitos de acasalamento".

Agência O Globo
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A tartaruga cuja voracidade sexual ajudou a salvar uma espécie inteira se aposentou. Diego, um macho centenário, participava do programa de reprodução do Parque Nacional de Galápagos (Equador), que, segundo comunicado divulgado na última sexta-feira (11), chegou ao fim após atingir todos os seus objetivos de conservação.

Foto: Divulgação/ Parque Nacional de Galápagos
Exemplar da espécie Chelonoidis hoodensis, ou espécie gigante da Ilha Espanhola, no Equador, Diego foi uma das 15 tartarugas em um programa de reprodução em cativeiro no Centro de Tartarugas Fausto Llerena, na ilha de Santa Cruz.

Quando o programa começou a salvar as tartarugas da Ilha Espanhola, em 1975, havia lá 14 exemplares — 12 fêmeas e dois machos —, segundo a Conservação de Galápagos. Diego chegou em 1976.

Agora, ao fim do programa, a população total beira os 2 mil espécimes, de acordo com Jorge Carrión, diretor do Parque Nacional de Galápagos.

Diego é responsável por cerca de 40% da prole produzida, segundo James P. Gibbs, professor de biologia ambiental e florestal da Universidade Estadual de Nova York em Siracusa.

Gibbs também disse ao "The New York Times" que um outro macho, identificado como E5, "mais reservado e menos carismático", gerou cerca de 60% da prole, segundo testes de paternidade. O terceiro macho, E3, não gerou praticamente nenhum filho.

O professor atribui o sucesso sexual de Diego a sua "grande personalidade — bastante agressiva, ativa e vocal em seus hábitos de acasalamento".

— Pode ser uma surpresa para muitos, mas as tartarugas formam o que chamaríamos de "relacionamentos" — disse ele. — As hierarquias sociais e as relações das tartarugas gigantes são muito pouco conhecidas.

O diretor do parque afirmou que Diego foi retirado de sua ilha natal na década de 1930. Ele foi transferido para o zoológico de San Diego, nos Estados Unidos, onde ficou por cerca de 30 anos.

Ainda segundo Gibbs, as tartarugas gigantes ficaram ameaçadas depois de virarem prato para piratas, baleeiros e pescadores no século 19.

Elas também perderam território para cabras selvagens, que invadiram a ilha e competiram com as espécies nativas por comida.

Dados sobre a ilha disponíveis desde 1960, incluindo um censo de 2019, permitiram aos pesquisadores desenvolver modelos matemáticos com projeções para os próximos 100 anos

— A conclusão foi que a ilha tem condições suficientes para manter a população de tartarugas, que continuará a crescer normalmente, mesmo sem nova repatriação de juvenis — disse Washington Tapia, diretor da Iniciativa de Restauração de Tartarugas Gigantes de Galápagos, ao "The New York Times".

Quase 80 anos depois de deixar a Ilha Espanhola, Diego deve retornar a sua terra natal em março.