Salvador

Após injúria racial contra filha, ator baiano faz campanha

Batizada de "Leãozinho na Escola", a campanha tem como trilha sonora a música Leãozinho, de Caetano Veloso

Redação iBahia
08/05/2016 às 16h49

3 min de leitura
O ator Alan Miranda iniciou uma campanha para discutir o preconceito depois que sua filha de 10 anos sofreu uma injúria racial na escola. “Na representatividade, reside boa parte dos nossos problemas atuais relativos à nossa diversidade, à nossa aceitação. Vamos mostrar a beleza de nossos rebentos e emponderá-los”, escreveu o ator em seu Facebook.Batizada de “Leãozinho na Escola”, a campanha tem como trilha sonora a música Leãozinho, de Caetano Veloso. Assista abaixo:

A iniciativa, segundo o ator, terá o objetivo de estimular que outros pais postem fotos de seus filhos que também possuem cabelos crespos utilizando uma hashtag com o nome da campanha. “A gente entende que esse é um momento difícil, mas também é um momento de a gente mostrar representatividade. Nós recebemos o apoio de muita gente nas redes sociais. Temos percebido como esse evento mobilizou as pessoas. A abordagem contra o preconceito tem sido positiva. Iremos fazer algumas fotos com a Eloá (Miranda) para começar a campanha”, disse. 

Eloá, 10 anos (Foto: Reprodução/Facebook)

Injúria
Segundo o pai da menina, essa foi a terceira vez que colegas de turma fizeram comentários pejorativos sobre o cabelo dela. Eloá é a única menina da sala que usa o penteado black.  Durante o recreio da quarta-feira passada um dos estudantes perguntou se a menina não usava shampoo no cabelo, uma pergunta simples, se não fosse feita de forma ofensiva. “Quando fui buscá-la na escola, ela estava sentada no canto da sala, chorando. Perguntei o que aconteceu, mas ela não quis falar. Quando chegamos em casa, ela contou para a mãe e depois as duas falaram comigo”, contou o ator. Esse é o primeiro ano em que a atriz mirim estuda na escola onde sofreu as agressões, uma instituição particular que não teve o nome divulgado. Alan acredita que o menino que praticou a injúria racial não tinha consciência do que estava fazendo. “Ofender pessoas que têm cabelo crespo é algo considerado normal na nossa sociedade. Ele (agressor) estava reproduzindo um discurso secular. Não quero vitimizar a minha filha, nem apontar culpados. O que precisamos é enfrentar esse discurso, mudar esse pensamento”, declarou.

Correio24horas