Salvador

'A mulher gritava: a gente vai cortar você’, diz Uber sequestrado no Cabula

Vídeo mostra ação do grupo que roubou carro do motorista

Bruno Wendel, do Correio 24h (bruno.cardoso@redebahia.com.br)
O motorista de Uber sequestrado na manhã deste sábado (3)  na rua Amazonas, no Cabula, disse que viveu momentos de terror nas cerca de duas horas que ficou sob poder de quatro assaltantes - dentre eles uma mulher. O motorista disse que de todos os quatro, a mulher era quem o ameaça de morte.



"A mulher botando pânico: 'Se os caras vierem atrás da gente, a gente vai ter que cortar você. Não vou presa por roubo, não, vou por homicídio para os caras me respeitarem'", contou a vítima que prestou queixa na Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos (DRFRV) por volta das 9h.

O motorista foi sequestrado em frente a um condomínio enquanto esperava um passageiro. Um vídeo gravado por câmeras de segurança de um prédio da região mostra a ação do grupo que chegou em um outro carro, um HB20 vermelho. Primeiro desce um homem e em seguida a mulher. O motorista é colocado na parte traseira do veículo. Em princípio a PM chegou a dizer que ele teria sido colocado no porta-malas do carro. 

O condutor do Uber foi liberado pelos bandidos na BR-324, nas imediações da Estação Pirajá. "Eles me largaram numa ladeira, perto da garagem da empresa de transportes Santana"  Ainda de acordo com a vítima, os bandidos levaram o carro dele para praticar assaltos.

O delegado plantonista da DRFRV, Luís Cláudio,  disse que já foi solicitado o bloqueio para o carro roubado. "Todas as unidades da polícia já foram informadas". Em depoimento, a vítima disse ter visto apenas um dos bandidos armados. Segundo o delegado, os assaltos a motoristas de aplicativo têm acontecido com frequência. "Uma média de cinco a seis por dia", contou.

De acordo com o Sindicato dos Motoristas por Aplicativos e Condutores de Cooperativas do Estado da Bahia (Simactter), Átila Santana, além dos roubos dos carros os condutores de aplicativos também sofrem com outras modalidades de roubo. "Às vezes não levam o carro, mas levam o celular, dinheiro e outros pertences. Isso é corriqueiro. O sindicato vem cobrando as empresas a identificação dos usuários".

A Uber, através da assessoria de comunicação, informou que colaborará com as investigações. "A Uber lamenta profundamente que motoristas parceiros sejam alvo de violência urbana, uma vez que vão às ruas todos os dias ajudar a construir o futuro da mobilidade em nossas cidades e gerar renda para si próprios e suas famílias. A Uber vai colaborar com as investigações, na forma da lei", disse a empresa.