Salvador

Afundamento do ferry abre portas para turismo náutico; saiba como visitá-lo

Veículo será atração principal de lazer para mergulhadores que venha explorar a costa baiana

Carlos Bahia* (carlos.filho@redebahia.com.br)
- Atualizada em

O afundamento do ferry-boat Agenor Gordilho, que ocorreu no último sábado (21), foi definido pelo governador Rui Costa como "um marco" para o turismo náutico do estado. A embarcação é o primeiro ferry-boat afundado da América Latina, segundo o presidente da Associação de Mergulhadores da Bahia, Igor Carneiro. Ele considera  a atração vai se tornar rota de mergulhadores do mundo inteiro.

A visitação ao Agenor Gordilho de maneira mais aprofundada é possível de ser feita, mas não é tão simples. Isso porque ele está submerso a uma profundidade entre 18 e 36 metros (se considerarmos a altura dele), o que exige equipamentos e cursos preparatórios para realizar o mergulho de maneira segura. 

O diretor da Bahia Scuba, Gilson Galvão, conhecido como Tuca, explicou que mergulhos desse tipo exigem um curso inicial de openning water, que é um tipo de mergulho de até 18 metros de profundidade.

Nele, o aluno terá entre uma a duas semanas de aulas com teoria em sala, além de provas e mergulhos de treinamento que lhe darão um certificado de mergulhador básico. Esses cursos custam, em média, de R$ 2 mil a R$ 2,5 mil, segundo Tuca, que é também instrutor trainer da Scuba Schools International (SSI) e vice-presidente da ABCMAR (Associação Brasileira de operadores, escolas e centros de mergulho recreativo).

Foto: Laszlo Mocsari Filho/ Bahia Scuba

Depois desse certificado, é preciso fazer cursos avançados que trabalhem especialidades como naufrágio, mergulho profundo e o uso de nitrox (equipamento usado em mergulhos mais profundos). Essas especializações vão preparar o mergulhador para ambientes de pouca luz, com restrição de espaço e que tenham teto, para caso a pessoa queira explorar o navio também por dentro. O preço dessas especializações tem um grau maior de variação, segundo Tuca: R$ 800 a R$ 2,5 mil.

Para os que querem conhecer o novo "santuário de vida marinha", como definiu Tuca, de uma maneira mais distante, existe também o mergulho de batismo, para profundidades de até dez metros.

"Esse tipo de mergulho é acompanhado de instrutor, para locais de baixa profundidade, bem abrigados e sem correnteza", explica Tuca. Esse curso tem uma média de custo entre R$ 300 e R$ 600.

Foto: Camila Souza/GOVBA

Turismo náutico

Apesar do afundamento inédito do ferry, Igor Carneiro conta que a costa de Salvador tem mais de 20 embarcações disponíveis para visitação. "Nós temos um verdadeiro sítio arqueológico em nossa costa, com embarcações mais antigas, como o Galeão Sacramento, datada do século XVII", diz.

Igor também conta que os trâmites para o afundamento do Ferry Juracy Magalhães também já vão ser iniciados. A iniciativa é importante para abrir espaço para o turismo náutico na cidade.

"A partir do momento que o ferry deixa de ser entulho e vira um berçário de vida marinha, abre precedente nacional grande para criação de recifes artificiais. Ele incrementa a qualidade marinha do local e faz com que mergulhadores certificados desfrutem de momentos de lazer", opinou Tuca.

Contato Bahia Scuba:
Cel: (71) 99975.3839
Instagram: @bahiascuba

*Sob supervisão da repórter Isadora Sodré