Salvador

Ajuda às vítimas veio de moradores e de mais de 250 profissionais

Resgate das vítimas da tragédia teve apoio no mar, na terra e no ar

Ivan Dias Marques, Amanda Palma e Hilza Cordeiro, Redação Correio 24h

Não tem como se manter inerte ao ver um barco virar. Ainda mais quando, ali, estão amigos, parentes, conhecidos. Logo após a lancha Cavalo Marinho I tombar nas águas da Baía de Todos os Santos, ontem, cerca de dez minutos após deixar o terminal Marítimo de Vera Cruz, quem estava no mar ou tinha condições de ajudar recebeu uma ‘patente imaginária’ e saiu em busca dos sobreviventes.

Valia de tudo, stand up paddle, jet ski, catraia, bote... se as tragédias fazem vítimas, elas também consagram heróis. Pescadores e moradores auxiliaram no resgate levando as vítimas para a areia da Praia do Duro. Embarcações particulares tentaram se aproximar do local do naufrágio para ajudar a socorrer as vítimas.

(Reprodução: Marina Silva/ CORREIO)

Aos poucos, o apoio das autoridades foi chegando. Cinco lanchas, quatro navios da Marinha, com mergulhadores, e 130 militares participaram do trabalho de resgate. Três navios da Base Naval de Aratu e três lanchas da Capitania dos Portos também foram deslocadas para o local do naufrágio para auxiliar nas buscas.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, foi disponibilizada uma estrutura de apoio com 115 policiais, 15 viaturas, três motocicletas, duas aeronaves, dois quadriciclos, uma lancha, uma base móvel e um caminhão tanque. Além disso, o Corpo de Bombeiros enviou 13 mergulhadores para a procura de sobreviventes.

A tragédia, que oficialmente contabiliza   18 mortos, também solidarizou os taxistas de Mar Grande, que levaram parentes das vítimas gratuitamente até as unidades de atendimento.

Demora

Alguns sobreviventes, no entanto, relataram demora no resgate. “Depois que a lancha virou, levamos quase duas horas dentro do mar até sermos resgatados”, afirmou o sonoplasta Edvaldo Santos, de 51 anos. “Me parece que essa embarcação não era apropriada para esse mar. Mas falo como leigo. O socorro demorou muito”, endossou o arquiteto Silvio Scofield.

O presidente da  Associação dos Transportadores Marítimos da Bahia (Astramab), Jacinto Chagas, disse que soube do acidente às 7h15 e chegou ao terminal às 7h30. “Quando cheguei, todos os serviços já tinham sido deslocados. Para mim, essa demora é surpresa”, garantiu.

“Nós recebemos um chamado de emergência via rádio por volta das 8h e, em seguida, mandamos três embarcações de resgate, imediatamente. Três navios da base com médico a bordo e todo aparato para dar socorro. Também acionamos outros órgãos como o Graer, Samu e Bombeiros”, disse o capitão-tenente da Marinha, Fernando Jeann Tôrres Araújo.

De acordo com a Secretaria Estadual da Saúde (Sesab),  70 pessoas resgatadas foram levadas para a Unidade de Pronto Atendimento de Mar Grande e outras 15 seguiram para o Hospital Geral de Itaparica. Dois foram conduzidos para o Hospital do Subúrbio e um para o Hospital Geral do Estado, em Salvador. Outras 34 vítimas foram atendidas no Terminal Marítimo, em Salvador.

Novas vítimas

Ontem à noite, houve o boato que dois novos corpos haviam sido encontrados na Ilha de Itaparica, um deles em Cacha-Pregos. A Prefeitura de Vera Cruz chegou a confirmar, mas nem Polícia Militar, nem Samu e nem Marinha haviam constatado as mortes.

No final da tarde, o Samu já tinha poucas esperanças de encontrar algum sobrevivente no mar. As buscas, realizadas pelo Corpo de Bombeiros e Marinha, foram suspensas no início da noite e serão retomadas na manhã de hoje.

“As buscas foram iniciadas ao redor da embarcação e nós iremos ampliar o campo, de forma a cobrir a maior área possível”, informou o capitão de fragata Flávio Almeida, do 2º Distrito Naval. No entanto, Almeida não detalhou a extensão das buscas daqui para a frente. Ainda não há um número certo de desaparecidos já que alguns sobreviventes não passaram por unidades de atendimento de saúde.