Salvador

Alunos ocupam campus em protesto contra escolha de novo reitor da Ucsal

Alunos ocupam campus em protesto contra escolha de novo reitor

Redação Correio 24h
- Atualizada em

Um grupo de estudantes da Universidade Católica de Salvador (Ucsal) ocupa o campus da Federação protestando contra a escolha do Padre Maurício como novo reitor da instituição - dos três nomes indicados pela consulta à comunidade de alunos, professores e funcionários, ele ficou em segundo lugar, atrás do atual reitor, José Carlos Almeida. Uma lista tríplice é elaborada a partir de consulta à comunidade e e encaminhada para escolha do Arcebispo Dom Murilo Krieger, que optou pelo Padre Maurício. 


Toni Frank, estudante da pós-graduação de Direito na Ucsal, diz que a intervenção do arcebispo é inédita na história da instituição e indigna os estudantes. Um grupo foi ontem à Cúria Metropolitana, no Garcia, com intenção de entregar uma carta ao Arcebispo. "Fomos recebidos por um assessor jurídico, que se recusou a receber o documento, e depois chegaram mais de 30 soldados da Rondesp. Nós não quebramos nada", conta Frank. Segundo ele, mesmo antes da decisão do reitor se tornar pública, nesta sexta-feira (20), já havia comentários de que Padre Maurício seria escolhido. Representantes da Arquidiocese não foram localizados para comentar o caso.


"Existe uma mobilização de toda a sociedade para manter a decisão da comunidade. A universidade foi violentada, porque foi uma escolha democrática, um processo totalmente legítimo", diz ainda Frank. "Para nós ele (Padre Maurício) não merece o título de reitor, porque é um interventor". Ele cita a intervenção pedida à Comissão de Educação da Assembleia Legislativa. "Tivemos a assinatura de 57 deputados estaduais se manifestando pedindo respeito ao resultado. E 33 vereadores se manifestaram no mesmo sentido".


Uma reunião do Conselho Universitário acontece amanhã e o grupo que está na Ucsal, cerca de 30 pessoas, pretende aguardar para então fazer uma assembleia e decidir o que fazer. "Nunca tivemos intervenção por parte da arquidiocese na comunidade acadêmica, não sabemos como o conselho vai se manifestar", diz Frank.


Procurada, a Ucsal, através da assessoria, informou que o processo de consulta busca construir a lista tríplice apresentada ao Arcebispo. Salientou ainda que Padre Maurício foi o mais votado entre os alunos - foram 1428 contra 1140. A posse de Padre Maurício acontece no dia 28. O atual reitor está no cargo há 28 ano - em página no Facebook, um grupo chamado "Renova Ucsal" pedia mudanças no comando da universidade, chamando de "máfia" a permanência de uma mesma pessoa por tanto tempo à frente da instituição.


Em nota, a Ucsal informa a decisão do Arcebispo e informa que este agradece ao Prof. José Carlos Almeida da Silva pelos serviços prestados ao longo do período em que esteve à frente da universidade e deseja ao novo reitor sabedoria ao assumir o cargo. O padre Maurício é formado em Filosofia pela própria Ucsal, fez graduação em Teologia em Roma, onde também fez mestrado com tese em Direitos Humanos e doutorado com tese sobre Ética e Política. Ele voltou à Ucsal em 2005 como professor de Teologia e Filosofia e em 2010 assumiu a coordenação do curso de Teologia da universidade.


Reitor escolhido diz estranhar protestos

O padre Maurício, escolhido para ser novo reitor da Ucsal, diz que estranha os protestos neste momento, já ao fim do processo. "Todos nós candidatos enfrentamos o processo dentro da mesma regra, conscientes de que não estávamos em uma eleição propriamente dita, mas sim uma consulta universitária para tirar três professores considerados aptos para serem reitores", diz. "É uma coisa estranha que um grupo de pessoas imaginem que arbitrariamente possam ocupar o espaço físico de uma universidade por uma razão escandalosa, com o processo já homologado, contra uma regra que todos os candidatos aceitaram". "O estatuto não fala de maior número, de mais votado, fala de lista tríplice", acrescenta.


Ele se diz ainda surpreso pela falta de ação do atual reitor com a manifestação, que estaria prejudicando o andamento das aulas da Ucsal. "Recebi um vídeo no meu celular de alguém chutando as portas da instituição, estão quebrando patrimônio da Arquidiocese, uma das rádios foi prejudicada, estou alarmado com isso e que o atual reitor não tenha tomado as providências cabíveis".


O padre diz estar disposto a negociar com os alunos que fazem a manifestação, se eles quiserem conversar, assim que assumir. "Eles vão ver que é desnecessário ocupação de campus, impedir ir e vir das pessoas, cortar energia elétrica, telefonia, internet, que são instrumentos da democracia. Os brasileiros não querem mais isso", acredita.


"Fizemos uma proposta durante a campanha de uma universidade que fosse forte no saber científico, na ética, que pudesse agregar valores sociais (...) Vamos fazer todos os esforços para que ensino, extensão, pesquisa e administração caminhem de modo integrado, para o crescimento da Universidade Católica", finaliza.


Veja a tabela com o resultado da eleição na Ucsal



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