Salvador

Após acidente na Paralela, Transalvador faz vistoria em proteções metálicas

Na última terça-feira (3), um dos equipamentos atingiu um veículo, resultando na morte da assistente social Ana Carolina Andrade

Milena Teixeira, do Correio 24 horas (milena.teixeira@redebahia.com.br)
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A Superintendência de Trânsito de Salvador (Transalvador) informou que vai reforçar a vistoria dos guard rails (proteção metálica) de toda a cidade. Na manhã da última terça-feira (3), um dos equipamentos, que estava no canteiro de obras da CCR-Metrô, na Avenida Paralela, atingiu um veículo, resultando na morte da assistente social Ana Carolina Andrade, 32 anos.

Na manhã desta quarta-feira (4), uma equipe do órrgão de trânsito voltou ao local onde ocorreu o acidente para verificar possíveis irregularidades nos guard rails da região. O órgão disse ainda que apesar de ser responsável pela fiscalização de "defensas  metálicas", a instalação dos equipamentos também pode ser feita pela Coelba ou pela CCR Metrô.

Veículo dirigido por Ana Carolina; guard rail 'rasgou' lataria (Foto: Evandro Veiga/ARQUIVO CORREIO)

"Cada situação de instalação de defensas e outros equipamentos de segurança tem um procedimento específico descrito na NBR 6971, a Norma Brasileira de Segurança de Tráfego, definida pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)", informou em nota a Transalvador.

Investigação

O delegado responsável pela investigação do acidente, Antônio Carlos Magalhães dos Santos, titular da 12ª Delegacia (Itapuã), em Salvador, disse que a Polícia Civil já abriu um inquérito para apontar os possíveis responsáveis pela ocorrência. Até agora, só foi ouvido o motorista do J3 da Jac Motors, carro que colidiu com o veículo conduzido por Ana. O marido da vítima, Leandro Nery, 36, deve prestar depoimento nesta quinta (5).

Já o técnico em segurança do trabalho, Eric Mascarenhas, que fez o resgate do bebê, vai ser ouvido na sexta (6). Segundo o delegado, a CCR Metrô já foi intimada à comparecer na delegacia. O delegado também solicitou as imagens da câmera que registrou o acidente.

A tia de Ana Carolina, Ana Cristina Andrade, informou que até agora a família não foi procurada pela CCR ou por nenhuma empresa. Ela disse que a partir de amanhã os parentes já devem começar a "procurar os responsáveis pela tragédia". Conforme Cristina, o marido e o filho da vítima ainda estão internados no Hospital São Rafael. 

Relembre o caso

O acidente aconteceu na Avenida Paralela, na região do Bairro da Paz, sentido aeroporto, por volta das 8h40, quando Ana Carolina voltava de uma consulta pediátrica com o marido, o técnico em elétrica Leandro Nery, 36, e o filho, Caio Andrade, de três meses.

A proteção metálica atravessou todo o veículo pelo lado da motorista, que morreu no local. O corpo de Ana Carolina foi retirado bombeiros por volta de meio-dia, após uma equipe do Departamento de  Polícia Técnica (DPT) realizar perícia.

Guard rail irregular na Avenida Paralela (Foto: Evandro Veiga/ARQUIVO CORREIO)

"Eu não vi tudo, mas vi que ela chocou primeiro contra o guard rail, girou e o outro carro, um J3 da Jac Motors, veio e bateu nela. Aí já era tarde. Ela morreu na hora", disse um operário, sem se identificar.

Conforme Eric Mascarenhas, que fez o resgate do bebê, foi possível ouvir o barulho causado pelo impacto entre o veículo, um Voyage prata, com o guard rail. "Eu escutei o barulho e o carro já estava assim, virado na contramão. O motorista do outro veículo [Jac], coitado, bastante nervoso, disse que ainda tentou desviar. Me aproximei e fiquei apavorado quando vi o bebê", disse.

Perito do DPT, Agnaldo Petrônio afirmou que ainda é cedo para apontar as causas do acidente. "Alguma coisa impulsionou a motorista para a esquerda. É cedo para fazer qualquer afirmação, ainda vamos periciar o segundo veículo [J3], mas, por alguma razão, a motorista inclinou para a sua esquerda e acertou o guard rail", afirmou ao CORREIO. 

Ainda conforme Agnaldo, a perícia não encontrou indícios que indicassem que Ana dirigia em velocidade acima da permitida. "Mas só a perícia finalizada poderá indicar as causas", ponderou Agnaldo. Segundo o perito, a vítima sofreu lesões em toda perna esquerda, atingida pelo equipamento metálico.

O laudo pericial com as causas do acidente pode levar até 90 dias para ficar pronto, segundo o DPT.