Salvador

Ator Érico Brás fala de expulsão de voo em Salvador: 'Me senti impotente'

Para ator, caso tem contornos de racismo. Ele vai processar comandante e companhia

Carol Neves (caroline.neves@redebahia.com.br)
Érico Brás (Foto: Alex Carvalho/TV Globo)
O ator baiano Érico Brás vai processar o comandante com quem se desentendeu antes de um voo no Aeroporto de Salvador e a companhia aérea Avianca. Brás e a esposa, a atriz Kênia Dias, foram expulsos de um voo da companhia que seguia para o Rio de Janeiro a pedido do comandante, que não teve o nome divulgado. O casal foi retirado da aeronave por dois agentes da Polícia Federal depois da confusão.Em conversa com o CORREIO, Brás contou que já prestou queixa sobre o ocorrido na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e que vai buscar reparação na Justiça. "Lamento, estou bastante triste, e me senti impotente, porque você está em uma aeronave que o comandante é uma autoridade suprema e ele te trata mal. Fui colocado para fora à força pela PF porque a polícia acatou a ordem de um comandante grosseiro, deselegante e mal educado", afirma o ator.Segundo Brás, humorista do Zorra Total, ele seguia para uma gravação no Rio. A esposa dele teve problemas para acomodar a bagagem de mão porque o bagageiro acima das cadeiras estava lotado. Quando a atriz tentava acomodar a bagagem embaixo da cadeira, o comandante chegou. "Ele veio com bastante rude, mandando agilizar. Quando ela disse que não tinha espaço, ele (o comandante) pegou a bolsa dela com grosseria e ficou empurrando para caber no bagageiro", explica Brás."Eu questionei o tratamento. Falei 'O que é isso?' e ele achou ruim. Eu falei que ele era mal educado e que não aceito esse tipo de tratamento". Depois disso, o comandante, que não tinha nenhuma identificação, voltou para a cabine e um funcionário da Avianca foi pedir para Brás se retirar porque o comandante teria dito que não voaria com ele. "O funcionário afirmou que era para eu me retirar da aeronave porque o comandante disse que eu era uma ameaça para ele e para os passageiros. Que não voaria duas horas comigo".Érico se retirou a deixar o avião. A Polícia Federal foi chamada e dois agentes chegaram para retirar o ator. Em protesto, a esposa dele também desceu do avião. Outros oito passageiros também resolveram não voar, segundo o ator. "Eles se solidarizaram, disseram que não era justo, e viram que o comandante estava superdescontrolado no início, com um comportamento típico de quem se acha superior".Para o ator, embora o comandante não tenha proferido nenhuma injúria racial, o caso também tem sinais de racismo. "Para mim, ele teve uma atitude de quem não gosta de negro. Pelo fato de eu ser negro, de estar com minha esposa negra... Se fosse um passageiro branco, ele não agiria da mesma forma", acredita.
Érico Brás e a esposa (Foto: Arquivo Pessoal)
Brás e a esposa pegaram um voo da Gol, ainda pela manhã, para o Rio. Ao CORREIO, a Avianca disse que a Polícia Federal foi acionada porque o ator se recusou a seguir as orientações dos comissários de bordo, porém não se posicionou sobre a acusação de racismo feita por Érico. Leia abaixo a nota enviada pela empresa na íntegra:"A Avianca Brasil esclarece que mantém a sua prioridade na segurança de voo, em respeito a todos os seus passageiros. No caso referido, a Polícia Federal foi acionada, como é praxe no setor, porque um grupo de clientes recusou-se a seguir as orientações dos comissários sobre a acomodação das bagagens".
Correio24horas