Salvador

Audiência pública da OAB discute ação da PM que deixou 12 mortos no Cabula

Caso aconteceu na madrugada do último dia 6 de fevereiro; três pessoas ficaram feridas, incluindo um PM

Da Redação
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A Ordem dos Advogados do Brasil da Bahia (OAB-BA) irá realizar na manhã da próxima quinta-feira (16), a partir de 9h, a audiência pública "A ação da Rondesp no Cabula: limites para o uso da força da Polícia Militar". O evento, que acontece no auditório da Ordem, nos Barris, vai discutir a ação da PM na Vila Moisés, no Cabula, que resultou na morte de 12 pessoas e em mais três feridos, inclusive um policial militar.


A troca de tiros aconteceu na madrugada do último dia 6 de fevereiro, por volta das 4h, na localidade do Campinho, entre um grupo com cerca de 30 homens e uma guarnição da Polícia de Rondas Especiais (Rondesp Central). Segundo a Polícia Militar, a guarnição recebeu a informação de que um grupo planejava arrombar uma agência bancária na Estrada das Barreiras. Um veículo abandonado foi encontrado durante uma ronda na área e, ao investigar a denúncia, os militares teriam sido recebidos a tiros.

Na audiência da próxima quinta-feira (26), além do presidente da OAB da Bahia, Luiz Viana Queiroz, do vice-presidente Fabrício Oliveira,  do vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da entidade, Eduardo Rodrigues, e do secretário da comissão, Jerônimo Mesquita, estará presente também o assessor de Direitos Humanos da Anistia Internacional, Alexandre Ciconello, e o coordenador da campanha "Reaja ou será morto (a)", Hamilton Borges, além de representantes da Defensoria Pública, do Ministério Público, da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social e da Secretaria de Segurança Pública.

Anistia Internacional
Após afirmar que nove dos 12 mortos na ação policial tinham  passagem pela polícia, a Polícia Civil da Bahia recuou e confirmou que apenas duas vítimas tinham antecedentes criminais. A nova informação foi divulgada quase uma semana depois da operação.


Logo após a repercussão do caso, a Anistia Internacional chegou a afirmar que via ""indícios de execuções sumárias" na morte de 12 pessoas em um confronto entre policiais da Rondesp e criminosos na Estrada das Barreiras durante a madrugada. Ainda segundo a Anistia, há relatos de testemunhas que contestam a versão da Polícia Militar de que o grupo foi surpreendido enquanto se preparavam para um assalto a banco e reagiu. Segundo a organização, várias são as denúncias de abordagens abusivas da Rondesp, em que ocorrem desaparecimentos e execuções, e pede "que as autoridades tomem as medidas necessárias para garantir a segurança imediata dos moradores e proteger testemunhas e os sobreviventes".

Correio24horas