Salvador

Base do Calabar completa 2 anos oferecendo segurança, mas faltam serviços

A população reclama dos buracos no bairro e não foi aberto nenhum novo curso profissionalizante

Jorge Gauthier (jorge.souza@redebahia.com.br)
Primeiro a polícia, depois os serviços públicos seguidos de cursos de capacitação para a comunidade, desenvolvimento e incorporação da área à dinâmica do restante da cidade. Essa é a ideia por trás da instalação de qualquer projeto de policiamento comunitário. Essa era a ideia para a transformação da comunidade do Calabar, cuja Base Comunitária de Segurança – a primeira do estado – completa hoje 2 anos.

A polícia chegou e a segurança aumentou. Antes, era pelo menos um assassinato por mês, segundo a polícia. Desde a chegada da Base, só houve um homicídio– durante a greve da PM em 2012. A população, porém, ainda aguarda os demais serviços e benefícios  que deveriam chegar com a  segurança.
Base do Calabar completa hoje dois anos

A população reclama das ruas com buracos, diminuição de  cursos de qualificação e carência de projetos. “Estabilizou a violência, mas os projetos para melhorar a comunidade e os serviços públicos ficaram a desejar”, alerta a líder comunitária Maria de Fátima Gavião.

Este ano, por exemplo, não foi aberto nenhum novo curso profissionalizante na comunidade. A Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte da Bahia (Setre) informa estar trabalhando nas análises dos projetos, e diz que já houve divulgação da primeira lista de instituições credenciadas para execução do Programa Qualifica, que ministra cursos para a formação profissional. 

No Calabar, são oferecidos cursos como informática básica, culinária, manicure, telemarketing e reparação de aparelhos eletrodomésticos. Em 2011 e 2012, foram formados, segundo o órgão, 264 alunos nesses cursos.

O órgão afirma que este ano há previsão de iniciar os cursos até junho. Quem quiser se inscrever deve  se dirigir a uma das unidades do SineBahia e solicitar a inscrição gratuita.

O coordenador estadual das Bases Comunitárias, o coronel Zeliomar Almeida, afirma que o interesse da comunidade pelos cursos reduziu. “Alguns cursos não fecharam turma pela própria falta de interesse da comunidade”, explica.

Empresas
Segundo a própria capitã Maria Oliveira, comandante da Base Comunitária desde a inauguração, nos primeiros meses havia um interesse grande no Calabar de empresas de grande porte e um fluxo maior de moradores de outros bairros de Salvador interessados em desenvolver projetos na comunidade. “Achei que isso ia permanecer, mas tem sido diferente. No início, muitos artistas, times de futebol, personalidades nos visitaram e demonstraram interesse em ajudar”.

Entre os interessados, segundo a capitã, havia nomes como a operadora Vivo e o Esporte Clube Bahia. “A Vivo, com uma equipe terceirizada, apresentou um projeto com várias ações sociais como um cinema semanal para as crianças e auxílio para internet grátis no bairro. No fim, eles vieram só uma vez, em 2011”. Já o Bahia, segundo Maria, fez uma visita com objetivo de ajudar as crianças a fazer um teste para jogador, mas também não voltou mais ao Calabar.

Através de sua assessoria, a Vivo informou que após a implementação da Base, ofereceu à população atividades de lazer como cinema a céu aberto, requalificação de um ponto de venda do bairro, além do recebimento de currículos para participação em processos seletivos da companhia e de empresas parceiras. Em nota, a empresa declarou, ainda, que “estuda a retomada de um novo ciclo de atividades no bairro”.

O Esporte Clube Bahia, por sua vez, declarou que fez uma visita no dia da inauguração da Base, a convite da Secretaria da Segurança Pública (SSP). Segundo a assessoria do clube, a visita contou com a participação dos jogadores Titi e Marcelo Lomba, mas foi “de cortesia e sem compromisso” com o desenvolvimento de um projeto.

Estrutura
Morador da comunidade há 47 anos, o comerciante Edmilson Santos diz que a estrutura física é o principal problema dos cerca de 7 mil habitantes do Calabar. “Tem muito buraco nas ruas de dentro. Só as principais são asfaltadas”, reclama. A Superintendência de Conservação e Obras Públicas (Sucop), em nota, garante que uma equipe vai ao bairro do Calabar para fazer uma vistoria no local e colocá-lo na programação da Operação Tapa-Buracos.

O coordenador do Observatório de Segurança Pública, professor Carlos Alberto Costa Gomes, pontua que a falha nos serviços públicos prejudica as Bases Comunitárias. “A instalação da base era símbolo da presença do Estado e que significaria o acesso aos serviços para a comunidade. Mas isso não aconteceu”, argumenta, citando como exemplo ações que assegurem o acesso a bens como educação, moradia e saúde.

“São medidas que permitem que o cidadão dispute posições em pé de igualdade. No Calabar, ainda há necessidade de promover uma requalificação do bairro, com melhorias das ruas, urbanização de praças e locais desportivos, além de cursos”, pontua.

Além disso, ele destaca a necessidade de requalificação. “Fazendo pequenas melhorias na aparência, é possível ajudar a transformar o espaço em um locar agradável, além de diminuir a sensação que a população tem de que lá é um lugar perigoso. São ações integradas que vão além do policiamento e da redução da criminalidade”, explicou.

Matéria original Correio 24h
Base do Calabar completa 2 anos oferecendo segurança, mas faltam serviços