Salvador

Caso Kátia Vargas: veja o que disseram as testemunhas de defesa da médica

Sessão será retomada nesta quarta-feira (6), a partir das 8h, no Fórum Ruy Barbosa

Redação Correio 24horas, com Julia Vigné e Gil Santos

As cinco testemunhas de defesa da médica Kátia Vargas encerram o 1º dia do julgamento no Fórum Ruy Barbosa, em Nazaré. Ela acusada de provocar o acidente que resultou na morte dos irmãos Emanuel e Emanuelle Gomes, em outubro de 2013, no bairro de Ondina. A juíza Gelzi Souza decidiu encerrar a sessão, por volta das 19h30, que será retomada nesta quarta-feira (6), a partir das 8h, no Fórum Ruy Barbosa.

(Reprodução: Arisson Marinho/ CORREIO)

Veja abaixo os principais pontos das falas dessas testemunhas:

1ª testemunha de defesa fala - Alberi Espíndola (perito)

Primeira testemunha de defesa, Alberi começa a tentar desconstruir a tese de colisão intencional, levantada pelas testemunhas de acusação e pelos peritos do caso. Ele afirma que ensaios de compatibilidade, geralmente, são compatíveis mas não são conclusivos, e diz que não há chance de ter ocorrido da forma que a perícia aponta. Ele cita, por exemplo, um risco ascendente no carro de Katia, que teria sido feito na colisão com a grade do prédio e não com a moto.

Menciona também que a perícia não levou em consideração o bagageiro, item que muda a dinâmica do veículo - alega que isso não pode ser desconsiderado. Afirma também que na reconstituição do caso usou-se apenas uma pessoa para recompor o cenário, e que isso também muda a percepção sobre o que de fato ocorreu, já que havia duas pessoas na motocicleta.

Após mostrar fotos e vídeos, Alberi questiona uma das testemunhas de defesa. Diz que ele não viu o que ocorreu, de fato. Kátia Vargas olha com cara de choro a todo momento. Mais dois familiares das vítimas deixam o local.

"Testemunha pode montar algo que aconteceu e acreditar que está falando a verdade. Isso acontece? Aqui, nenhuma testemunha está mentindo. Foi a falta de percepção porque aconteceu com velocidade grande, então, as pessoas não têm condições de ver tudo", diz Alberi Espíndola.

A defesa afirma que apenas uma testemunha viu a colisão. O promotor Davi Gallo interfere e diz que, na verdade, foram cinco. Eles dizem que, se a colisão entre o carro e a moto tivesse acontecido, eles iam cair antes, e a morte não iria acontecer.

Promotor Davi Gallo x Perito Alberi Espíndola 

Promotor: O senhor pode nos afirmar categoricamente que não houve choque? 

Perito: Não houve. 

Promotor: Tem material suficiente pra isso ser dito? 

Perito: Não teve. 

Promotor: A pergunta foi se é suficiente. 

Perito: Eu estou comentando o caso.

Promotor: O senhor atribui isso a uma alucinação coletiva naquele dia?

Perito: Óbvio que nao foi uma alucinação coletiva. [A defesa afirma que apenas uma testemunha viu a colisão. O promotor diz que foram cinco].

Promotor: A perícia é falsa? 

Perito: Esse colega, infelizmente, errou [são seis peritos]. Todos nós estamos sujeitos a errar. Posso afirmar em todas as letras que eles [seis] erraram aqui [na conclusão da perícia].

Promotor: O senhor é contratado pela Katia. Ela disse o que fazia nesse dia?

Perito: Não conheço. Sou contratado pela defesa.

Promotor: O senhor sabe que uma das vítimas teve a cabeça decepada?

Perito: Sim, isso ocorreu contra o poste.

2ª testemunha de defesa - Ana Tereza (amiga de Kátia)

Após depoimento de perito, que tentou desqualificar a perícia, é chamada a amiga de Kátia Vargas, Ana Tereza. Ela é dona da academia de dança que a ré frequentava na época do acidente.

Começa afirmando que a médica, no dia do ocorrido, estava com uma lista de material escolar da filha e foi até a papelaria. Quando visitou Kátia no hospital, lembrou que ela disse: "Por que eu fui na papelaria?". Ana conta que Kátia parece ter perdido a alegria de viver. "Por onde chegava era alegria, doce", diz. "Acho que ela nunca mais conseguiu retomar a vida dela depois do acidente". Citou também que a ré sempre foi envolvida em projetos sociais, fazendo constantes doações.

3ª testemunha de defesa - Ivete Peres (amiga de Kátia)

Daniel Kignel, advogado de Kátia Vargas, começa a interrogar a terceira testemunha de defesa, Ivete Peres:

Kignel: Qual é a sua relação com Katia? 

Ivete: Minha amiga. Conheci quando tinha 6 anos de idade. [Conta que estudou com ela na infância e na adolescência, e também fizeram faculdade de Enfermagem].

Kignel: Como Katia era? 

Ivete: Sempre foi meiga, dócil. Na infância, tímida e retraída. Sempre que tinha confusão, ela Sempre se retraía mais ainda e chorava.

Kignel: A senhora manteve contato com Kátia? 

Ivete: Por telefone, continuávamos tendo bons contatos, principalmente pelo telefone.

Kignel: A senhora se recorda de Kátia agindo de forma enérgica?

Ivete: Nunca presenciei momento de fúria de Kátia. Ela sempre se retraía e chorava. (...) Mãe presente, mãezona, sempre a favor dos filhos.

Kignel: E no geral, como era a relação de Kátia com os filhos?

Ivete: Família estruturada, presente, com muito amor, muito companheira. Criaram os meninos com muito amor, super correta, sempre presente. (...) Ela é amiga, para a hora que precisar. E é a melhor oftalmologista.

4ª testemunha de defesa - Edmilton Pedreira da Silva (amigo)

Deficiente visual, aparentando ter cerca de 50 anos, ele começa a ser interrogado pelo advogado de defesa da ré.

Daniel Kignel: O senhor conheceu ela como? 

Edmilton: Com dois meses, descobrimos que ele (filho) tinha glaucoma e doutora Kátia fazia parte dessa equipe (no ano de 1994). Ele ficou uma semana no hospital e ela se apegou ao meu filho. Ele fez a cirurgia e foi aí que eu a conheci. (...) Ela sempre acompanhou meu filho e disse: ‘quando ele crescer, eu quero acompanhar esse menino’. Ela acompanhava e nunca cobrou um real. Ele tinha glaucoma, problema na retina, miopia. (...) Foi muito sufoco, mas arranjou doutor André (Castelo Branco, médico oftalmologista), que fez cirurgias sem cobrar um centavo. Agradeço a Deus porque colocou essa pessoa maravilhosa no meu caminho para ele não ter a mesma deficiência que eu. Já foram três cirurgias. (...) Tudo através dessa abençoada dessa doutora Kátia. Sou muito grato por esse anjo que Deus colocou na Terra para que o meu filho não ficasse cego. Não tem a visão 100%, mas consegue olhar pelo espelho, luz, vermelho, definir as coisas graças a essa pessoa.

Kignel: O senhor sabe se Kátia participa de algum projeto de assistência social? 

Edmilton: Não sei, mas só por ela abraçar a causa do meu filho, eu acredito que ela deve fazer, porque ela é abençoada.

5ª e última testemunha de defesa - Carina Caldeira Lima (amiga)

A quinta e última testemunha da defesa de Kátia Vargas é também uma amiga da oftalmologista. Carina Caldeira Lima conhece a ré há seis anos. Elas participavam, juntas, de um projeto social denominado Corrente do Bem. Somente a defesa fez perguntas a ela, que enfatizou o caráter pacífico da amiga.