Salvador

Com câmeras, farmácia registra ação de ladrões no Rio Vermelho

Bandidos sumiram com os quatro computadores da Farmácia Multimais

Bruno Wendel (bruno.cardoso@redebahia.com.br)
- Atualizada em

Assaltantes rendem funcionários de uma farmácia, trancam as vítimas numa sala, fazem a coleta e levam as centrais de processamento de dados para que não sejam identificados pelas câmeras de segurança.  Mas de nada adiantou a precaução: embora os bandidos tenham sumido com os quatro computadores da Farmácia Multimais, no Rio Vermelho, todas as imagens do roubo foram enviadas automaticamente, via internet, para um banco de dados.

As câmeras da Farmácia Multimais registraram a ação dos três homens




As câmeras registraram parte da ação dos três homens que, armados com pistolas, roubaram uma filmadora, máquina fotográfica, além de uma quantia em dinheiro não informada pela direção do estabelecimento. O assalto durou em torno de meia hora. O caso foi registrado na 7ª Delegacia, no Rio Vermelho.


O assalto aconteceu pouco depois das 0h30, na Rua Odilon Santos. A partir das 22h, a farmácia é gradeada e o atendimento é feito por um balcão, impedindo o acesso de clientes ao estabelecimento.

Armados com pistolas, eles roubaram uma filmadora, máquina fotográfica, além de uma quantia em dinheiro




Ação
Porém, quando um funcionário responsável pelas entregas a domicílio chegou à farmácia, foi rendido pelos bandidos e obrigado a facilitar a entrada do trio. As imagens mostram os bandidos com bonés para dificultar a identificação.


Um era alto, negro e forte. O segundo, moreno, de estatura mediana e magro. E o terceiro também de estatura média, forte, moreno e com uma deficiência na perna esquerda.

Já dentro da farmácia, o entregador e outros dois empregados foram levados à sala destinada a aplicação de injeção, onde foram submetidos a ameaças constantes de morte. Dois deles chegaram a ser agredidos com tapas e socos.


Logo depois, um dos empregados é levado para o andar superior do estabelecimento, onde dois ladrões iniciaram os saques, enquanto um terceiro mantinha em sua mira os demais reféns no andar térreo do prédio.


No andar superior, quatro portas foram arrombadas, entre elas a do escritório, onde as imagens registraram com nitidez o momento em que um dos ladrões intimidava o refém, apontando uma pistola contra sua cabeça. Em seguida, a vítima foi posta com as demais e trancadas na sala de aplicação.


Ousadia  

Somente quando perceberam que já não corriam mais riscos, os três funcionários decidiram arrombar a porta. Instantes depois, uma viatura da Polícia Militar chegou ao local.


“Um vizinho que percebeu a movimentação desde o início acionou a polícia, que só chegou quase uma hora depois. Fiquei surpreso com a ousadia dos bandidos. Agiram a alguns metros da delegacia e de uma companhia da Polícia Militar”, contou Manoel Andrade, dono da farmácia.


O assalto à farmácia foi mais um reflexo da violência que assusta moradores e comerciantes do Rio Vermelho. “Minha filha teve uma arma apontada para a cabeça no dia do aniversário. Ela comemorava com uns amigos numa temakeria, quando três homens chegaram”, conta a digitadora Denize Muniz, 54 anos, que há 16 mora no bairro.


Pichações alertaram para violência no bairro
“Cuidado. Zona de assalto”, dizia a pichação em tinta preta que chamou a atenção de quem circulava pelo bairro em locais como a avenida Juracy Magalhães Júnior e as ruas Maragogipe, Nelson Gallo e Frederico Edlwess. O protesto em forma de alerta foi noticiado pelo CORREIO no dia 3 de abril e, após grande repercussão nas redes sociais na internet, ganhou destaque na imprensa nacional.

         

Na ocasião, muitos moradores foram a favor do protesto. “Acho que as pichações representam a realidade. Aqui a gente se sente completamente vulnerável. Quem fez isso só pode ser morador e comerciante com medo, porque é uma zona muito perigosa”, destacou a estudante da Unifacs Lia Baruch.

Postes e muros do Rio Vermelho foram pichados com alerta




 Ao sair de um dos campus da faculdade no Rio Vermelho, na Rua do Canal, como é conhecida a Avenida Juracy Magalhães Júnior, ela conta que quase foi assaltada. “Na saída da aula é sempre um momento de tensão. Percebi que dois caras iriam me assaltar, mas consegui entrar no carro primeiro, quando um deles saiu com uma arma de um beco”,

relata.


 Agentes da 7ª DP colhem pistas com moradores e comerciantes do bairro para tentar descobrir quem, afinal, é o autor das pichações nos muros e postes que alertam para o perigo de assalto de determinadas regiões.


Até o momento, segundo a delegada titular, Jorvane Andrade dos Santos, não há indícios da autoria do autor das pichações – a maioria coberta por tinta preta. Quem for pego, assegura ela, será indiciado na tipificação legal de crime de dano qualificado, com pena de seis meses a três anos de prisão, que podem ser revertidos em serviços comunitários.