Salvador

Conheça os quatro palácios de Salvador e suas histórias

Eles já receberam a realeza, carregam grandes histórias e atualmente trazem diferentes funções. Alguns servem para festas de casamento, outros viraram belíssimos museus e alguns (a)guardam um futuro incerto. Conheça as belíssimas arquiteturas de palácios soteropolitanos

Por Ana Raquel Barreto e Vanessa Brunt, do Não Óbvio

Os palácios eram – e alguns ainda são – edifícios suntuosos destinados a chefes de Estado

ou de governo. Atualmente, além dessa função, podem ser utilizados como parlamento – assembleia composta por membros eleitos – e, como alguns perderam o seu uso original, servem como museus, centros culturais e funcionam para mais possibilidades.

Já que a história investiga o que os homens faziam, pensavam e agiam enquanto seres sociais, cada uma dessas construções que têm uma grande história para contar.

Relembrar desses passados nos alertam sobre vestígios do presente e outros tantos pontos. Foi por essas e outras que o NÃO ÓBVIO trouxe arquiteturas especiais da capital baiana e um pouco das suas trajetórias.

Confira e descubra qual a função atual de cada uma:

1. Palácio da Aclamação

Foto: reprodução / Não Óbvio

Considerado como um dos mais significativos museus da cidade, já foi residência do senhor Miguel Francisco Rodrigues de Morais, comerciante bem sucedido originário da cidade de Ponte de Lima em Portugal.

Em 1912, o Palácio da Aclamação foi transformado em residência oficial dos governadores da Bahia, passando por obras de ampliação projetadas pelo arquiteto italiano Filinto Santoro, e ocupado oficialmente pelos gestores estaduais entre 1917 e 1967.

A partir desse período, o solar oitocentista já sediou despachos do governador, e até abrigou visitantes ilustres como a rainha da Inglaterra, Elizabeth II, em 1968.

Em 1990, se tornou museu, e compõe no acervo do espaço, dividido em dois pavimentos, os mobiliários em estilo de D. João I e Luiz XV, objetos de bronze, cristal e porcelana, tapetes persas e franceses, além de pinturas de paredes e forros criados pelo artista baiano Presciliano Silva.

O palácio conta com monumental lustre de cristal bacarat e bronze no Salão Nobre, saguão com decoração neoclássica e Salão de Banquetes. No andar superior, encontra-se dormitório, sala de almoço, capela e copa.

Atualmente, o museu passa por reformas e os espaços expositivos estão fechados para visitação. Porém, em algumas de suas dependências são promovidas lançamentos literários, apresentações musicais, atividades socioeducativas, exposições de curta duração e feiras. Além disso, o espaço também é usado para cerimônias como casamentos.

☌ Visitação: de terças a domingos, das 13h às 19h.
☌ Endereço: Av. Sete de Setembro, 1330 – Campo Grande.
☌ Valor do ingresso: entrada gratuita.
☌ Telefone: (71) 3329-3011

2. Palácio Rio Branco

Foto: Divulgação / Amanda Oliveira

Juntamente com a fundação da Cidade de Salvador, o prédio primitivo foi construído em 1549 sob a ordem de Tomé de Souza, com o objetivo de abrigar a sede do governo português.

O local servia como centro de comando, residência e despacho oficial dos grandes poderes como governadores do Brasil e vice-reis. Além disso, recebeu membros da realeza portuguesa como o Imperador D. Pedro I, a Imperatriz Leopoldina, o Imperador D. Pedro II e a Imperatriz D. Tereza Christina.

Em 1912, a mais simples e primeira edificação foi bombardeada durante o ataque dos holandeses e ficou em ruínas. Em 1919, foi reinaugurada no estilo arquitetônico eclético, recebendo o nome atual em homenagem ao Barão do Rio Branco.

Desde então, o local já serviu como quartel e prisão. Abrigou a Fundação Pedro Calmon e agora abriga a Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, possuindo uma rica decoração e preciosas obras de arte.

O espaço também abriga o Memorial dos Governadores, uma parte importante para a construção da história do país. E é possível encontrar diplomas, cartas, punhais, insígnias, espadas, chaves de cidades, cristais, louças, livros, medalhas, fotos e objetos pessoais como canetas dessas personalidades, cinzeiros e abridores de cartas, todos doados por familiares.

☌ Visitação:
de terças a sextas, das 10h às 17h.
☌ Endereço: Praça Tomé de Souza, S/N – Centro.
☌ Valor do ingresso: entrada gratuita.
☌ Telefone: (71) 3116-6928

3. Palácio Arquiepiscopal de Salvador

Foto: reprodução / Site
Construído no século XVIII em torno de um pátio e localizado no Centro Histórico de Salvador, o prédio é considerado um dos melhores exemplos de arquitetura civil do período colonial no país. O também conhecido como Palácio da Sé, inicialmente, tinha como função de ser a residência de arcebispos.

O imóvel possui três pavimentos e quatro corpos de construção. Na entrada, é marcada por um portal de pedra lioz portuguesa decorado com um brasão de D. Sebastião Monteiro da Vide, arcebispo de Salvador na época.

É notável a influência da arquitetura dos palácios renascentistas italianos em seu interior, com duas galerias superpostas que dão acesso para um pátio central.

O palácio abrigava o Centro Administrativo e Pastoral da Igreja Católica no Brasil há mais de 100 anos e foi reaberto em dezembro de 2019 após a restauração do imóvel.

Após a intervenção do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Brasileiro (IPHAN) em 1938, o espaço abriga o Centro de Referência da História da Igreja Católica no Brasil.

Além de contar com acervos próprios e bens históricos remanescentes de outros prédios religiosos, conta com uma sala do Laboratório de Conservação e Restauração Reitor Eugênio Veiga (LEV), possuindo um acervo com mais de 16 mil documentos históricos restaurados.

☌ Visitação:
de terças a sábados, das 10h às 14h.
☌ Endereço: Praça da Sé, 203-47 – Pelourinho, Salvador – BA, 40020-210
☌ Valor do ingresso: R$ 5
☌ Telefone: (71) 3838-9987

4. Palácio dos Esportes


Foto: divulgação
Por volta de 1806, após a construção, o Palácio dos Esportes representou uma verdadeira revolução no estilo arquitetônico dos prédios das Américas.

Depois da fundação, o local abrigou o Teatro São João, sendo o palco de eventos voltados à sociedade baiana, como declamação de poesias, debates públicos e políticos. Entre os frequentadores, já estiveram no local Ruy Barbosa, J.J Seabra e Otávio Mangabeira.

Em 1923, as instalações foram consumidas pelo fogo durante um incêndio. O edifício atual que fora construído na década de 1930 em estilo art déco, passou a abrigar a sede da Secretária da Agricultura do Estado. Posteriormente, foi batizado pelo então governador ACM como Palácio dos Esportes e passou a abrigar federações esportivas.

Infelizmente ou felizmente, o governo da Bahia encaminhou à Assembleia Legislativa (Alba) o pedido para alienação do prédio batizado como Palácio dos Esportes, sendo destinado á implantação de empreendimento turístico, sob a alegação de que o valor financeiro arrecadados serão incorporados às fontes do Tesouro Estadual.

Atualmente, o espaço abriga a Secretaria Municipal de Esportes tendo como finalidade de acordo com o decreto n° 16.026, formular e executar as políticas de esportes, lazer e entretenimento, buscando integrar suas ações com áreas de cultura, educação, assistência social, saúde, promoção da paz e outros.

☌ Visitação: de segunda a sexta, das 09h às 19h.
☌ Endereço: Praça Castro Alves, 01 – Centro.
☌ Telefone: (71) 3321-0441