Salvador

Dentista acusada de racismo é submetida a audiência de custódia

Heloisa Onaga Kawachiya está sendo julgada desde o inicio da tarde deste domingo (07)

Priscila Natividade, do Correio 24 Horas (priscila.oliveira@redebahia.com.br)
Depois de passar a noite custodiada, a dentista Heloisa Onaga Kawachiya está sendo julgada desde o inicio da tarde deste domingo (07), conforme consta no registro de processo do caso. Ela foi presa na tarde de ontem, ao se recusar a ser atendida por funcionários negros na Delicatessen Bonjur, localizada na Rua São Paulo, no bairro da Pituba.
O crime de racismo está previsto por lei e a depender da interpretação do juiz prevê pena de dois a cinco anos de prisão.  A agressora e as vítimas de racismo e funcionários do estabelecimento, Daniel Pereira da Silva, 23 anos, e Ubiratan Santos Souza, 22, foram ouvidos no início da noite na Central de Flagrantes da Polícia Civil antes da audiência de hoje no Núcleo de Prisão em Flagrante do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA).
De acordo com informações do TJ-BA, a audiência de custódia vai determinar se a dentista permanece presa ou se irá responder o caso em liberdade. A decisão esta a cargo da juíza Luciana Amorim Hora.
Entenda o caso
Segundo Daniel, que trabalha no estabelecimento há 3 anos, o fato se repetiu algumas vezes ao longo dos últimos seis meses só que desta vez, após uma outra cliente se revoltar com a atitude de Heloísa, Gerente da delicatessen, Paulo Sérgio chamou a polícia. “Nunca tratamos ela de forma diferente, ela dizia que não queria ser atendida por ‘pretos’, não queria que tocássemos nos talheres dela. Me senti realmente humilhado pois acho que nenhum ser humano deve ser tratado dessa maneira”, contou.
Foto: Leitor Correio
Já Ubiratan relatou que a cliente só aceitava ser atendida por pessoas de pele clara. “Sempre que nos aproximávamos, ela virava as costas, fazia de conta que não tinha ninguém ali falando com ela. Se um colega de cor mais clara se aproximasse, ela aceitava o atendimento. Dessa vez foi necessário uma outra cliente se revoltar com a atitude dela para que a polícia fosse chamada”.
Gerente da delicatessen, Paulo Sérgio reforçou que desta vez, a cliente passou dos limites. “Ela falou para os funcionários que não era para encostar nela. Eu expliquei que ela estava desrespeitando, que tinha passado dos limites, e disse que ia chamar a polícia, acrescentou.
O chamado policial foi atendido por um grupamento que precisou conter a fuga da agressora, e durante a tentativa de condução à delegacia, um sargento da PM, que preferiu não se identificar, foi ignorado por ser negro. “Todas as vezes que tentava conversar, ela subia o vidro do carro, daí quando um colega de pele clara se aproximava e fazia uma tentativa de diálogo, ela aceitava”, relatou o PM.
A assessoria da empresa da Bonjur divulgou nota repudiando a atitude da dentista. “Reforçamos nossa extrema ojeriza a qualquer tipo de atitude preconceituosa. Há mais de 10 anos, desde a sua inauguração, que o staff da Bonjour é formado, em sua grande maioria, de trabalhadores negros - dos quais a Bonjour tem muito orgulho em tê-los em sua equipe. Repudiamos a atitude e esperamos que a mesma não se repita: seja ela em qualquer outra circunstância”, disse o comunicado.