Salvador

DHPP aguarda laudos para marcar reconstituição das mortes no Cabula

Em nota, a Polícia Civil informou que dezenas de pessoas já foram ouvidas, entre policiais, sobreviventes, testemunhas e profissionais direta ou indiretamente envolvidos na ação

Bruno Wendel (bruno.cardoso@redebahia.com.br)
- Atualizada em
O inquérito instaurado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) para apurar as 12 mortes no Cabula, em fevereiro, está em fase de finalização e aguarda apenas a entrega dos laudos periciais restantes para agendar a reconstituição do caso. A informação é da assessoria da Polícia Civil, segundo a qual os laudos ainda estão dentro do prazo de confecção.

Em nota, a Polícia Civil informou que dezenas de pessoas já foram ouvidas, entre policiais, sobreviventes, testemunhas e profissionais direta ou indiretamente envolvidos na ação. “A reconstituição é um procedimento executado na fase final da investigação, quando a polícia já dispõe de todas as informações colhidas ao longo da apuração, e demanda um preparo logístico complexo, uma vez que se faz necessária a presença de todos os envolvidos no fato”, diz o comunicado.


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Laudos revelam que 12 suspeitos foram executados no Cabula A assessoria atesta ainda que a investigação só pode ser concluída depois que todos os elementos estiverem disponíveis (laudos periciais, declarações dos envolvidos) e for confirmado, na prática, o conjunto de informações na reconstituição do caso.

Questionada sobre as informações contidas nos laudos periciais, a assessoria comentou que “qualquer informação interpretada isoladamente pode gerar equívocos ou conclusões que não correspondam à verdade”. A apuração, diz a comunicação da Polícia Civil, “está sendo feita de forma transparente” e uma equipe formada por quatro delegados foi designada, exclusivamente, para conduzir a investigação, que também está sendo acompanhada pelo Ministério Público Estadual (MPE).

Quatro promotores irão atuar em conjunto no inquérito que apura as circunstâncias da ação policial. O coordenador do grupo de investigação é o promotor Davi Gallo, que não quis comentar as informações adquiridas pelo CORREIO.

“Seria leviano fazer qualquer tipo de comentário sem que todos os laudos estejam em minhas mãos. Mas, com certeza, em um momento oportuno falarei”, declarou o representante do MPE. Além de Gallo, participam do grupo os promotores José Emmanuel Araújo Lemos, Ramires Tyrone Carvalho e Raimundo Nonato Moinhos.

A reportagem também entrou em contato com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-BA), para repercutir as informações contidas na perícia, mas um representante da entidade disse não poder comentar o assunto pelo fato de a entidade ter sido impedida pelo governador Rui Costa de acompanhar as investigações.

A intenção da Ordem era participar como “observador interessado”. “Tivemos reunião com o governador, mas ele não autorizou a OAB a acompanhar as investigações, nem o acesso aos laudos cadavéricos. Por isso, não podemos fazer qualquer julgamento”, afirmou o vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da entidade, Eduardo Rodrigues.

Apesar disso, ponderou que caso os laudos apontem execução,  “que a OAB vai requisitar que a polícia cumpra com a lei com punições exemplares”.