Salvador

Embasa conclui manutenção em rede de esgoto em Patamares

Serviço foi concluído na madrugada desta quarta-feira (10)

Redação Correio 24h

Foto: Mauro Akin Nassor/Correio

O problema com a rede coletora de esgoto que estava lançando dejetos no mar da praia de Pataramares, há cinco dias, foi resolvido na madrugada desta quarta-feira (10). Segundo a Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa), a manutenção emergencial, iniciada na sexta-feira (5), concluiu o reparo de um equipamento da rede.

Por meio de nota, a Embasa salientou, entretanto, que os banhistas devem continuar evitando a praia da Terceira Ponte. "A rede de esgotamento está sendo colocada em operação. A recomendação é que os banhistas acompanhem os relatórios de monitoramento da balneabilidade das praias de Salvador divulgados pelo Instituto Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), disponíveis no site www.inema.ba.gov.br.", completa a nota. O CORREIO procurou o Inema mas até a publicação desta reportagem não obteve retorno.

Investigação

Nesta terça-feira (9), o Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) chegou a solicitar à Central de Perícias do próprio órgão um laudo para determinar as causas do lançamento de esgoto na praia de Patamares. De acordo com o promotor Sérgio Mendes, da 3ª Promotoria do Meio Ambiente de Salvador, responsável pelo pedido, mesmo que o Rio Jaguaribe seja historicamente poluído, é preciso identificar as razões para o que vem acontecendo nos últimos dias.

Na semana passada, a  Embasa informou que a rede coletora de esgoto da região parou de funcionar na sexta-feira (5). Segundo o órgão, uma semana antes disso, técnicos já teriam percebido a necessidade de fazer uma manutenção de emergência no sistema. 

Desde então, o esgoto sanitário dos bairros de Mussurunga, parte da Avenida Paralela, São Cristóvão, Jardim das Margaridas, Bairro da Paz e Alto do Coqueirinho tem sido despejado no rio - e, de lá, direto no mar.

"A poluição desse rio não é de agora. Todos os rios de Salvador são poluídos. Sem um laudo, entendo que pode ter acontecido alguma questão de falha técnica, mas me parece que tem tratores ali retirando terra. Então, precisamos saber o que é, se é só uma questão de esgotamento sanitário ou se tem algum problema sendo consertado”, afirmou o promotor, em entrevista ao CORREIO, nesta terça. 

Fedor

O odor tem afastado banhistas, moradores e até comerciantes do local. O educador físico Marcelo Carvalho tinha o hábito de frequentar a praia de Patamares, diariamente. Ele ia até o local para tomar banho de mar e fazer atividades físicas. Abreu, no entanto, se viu obrigado a mudar a rotina depois da fedentina. Agora, ele levanta mais cedo para ir a outra praia.

“Não tem quem suporte ficar aqui, não. O fedor sempre existiu, mas piorou e a água também está estranha”, disse. 

Marcelo não foi o único a ficar no prejuízo. O vendedor Maciano Pereira trabalha em uma das barracas de Patamares e conta que está perdendo de R$ 1,5 mil a R$ 2 mil por causa do fedor.

“Os clientes chegam com crianças, olham a cor e o fedor da água e vão embora. Ninguém quer ficar na barraca”, conta Pereira. Para ele, esse problema afeta também o turismo da região. “Os gringos ficam com medo da água. Hoje, eu perdi um grupo aqui”, completa. 

Foi o que fez a doméstica Lindinalva Sena, que foi ontem à praia de Patamares. Acompanhada da família, ela passou a tarde na areia, com receio de entrar no mar por causa da cor da água. “Preferi não tomar banho, porque com essa água, tenho medo de entrar no mar e pegar alguma doença”, conta.

Ao tomar banho em praias impróprias, o banhista corre risco de contrair doenças gastroentéricas, vômito, diarreia e, em casos mais graves, até a hepatite A.