Salvador

Enterrado corpo de menino que caiu de 6º andar: "Queria ser super-herói e voar", lamenta tio

Guilherme Oliveira Yokoshiro, 5 anos, foi sepultado no cemitério Jardim da Saudade na tarde da terça-feira (24)

Redação Correio 24H*
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Foi enterrado na tarde da terça-feira (24), no cemitério Jardim da Saudade, o corpo do menino Guilherme Oliveira Yokoshiro, 5, que morreu após cair do 6º andar do prédio em que morava com os pais, em Brotas. Abalada, a mãe, Carla Verena Oliveira, que é enfermeira da UTI neonatal do Hospital Santo Amaro, pediu para que todos os presentes durante o sepultamento rezassem por seu filho.

Tio do garoto, Cristiano Gouveia, 42, lembrou que Guilherme era alegre e querido pela família. "Como toda criança, ele queria ser super-herói e voar", disse Gouveia. Ele ainda falou sobre a relação do menino com o pai, o engenheiro de produção Rafael Yokoshiro, 30. "Era um pai muito amoroso, louco pelo filho. Rafael era corinthiano e sempre que podia levava Guilherme para assistir jogos com ele", contou. 

Enterro de Guilherme reuniu amigos e familiares
(Foto: Almiro Lopes/CORREIO)

Acidente

Guilherme Oliveira caiu da janela de um quarto no 6º andar do prédio onde mora com os pais na rua Ariston Bertino de Carvalho, por volta das 3h30. Segundo os familiares, a criança estava em casa com o pai, o engenheiro de produção Rafael Yokoshiro, no momento do acidente. A mãe do garoto, Carla Verena Oliveira, é enfermeira e trabalhava quando o filho morreu.

Segundo a tia do menino, Tânea Silva Mendes Gouveia, o pai procurou pelo filho dentro de casa e não achou. Desesperado, ele desceu do apartamento e achou o filho caído no parquinho do prédio. Guilherme chegou a ser resgatado pelo pai e levado de volta para o apartamento, mas não resistiu.

"Ele ainda pegou a criança, levou para dentro de casa e pediu socorro. Tentou reanimar, mas ele deve ter morrido naquele momento. Ele pegou na tentativa de dar socorro. A gente sabe que não podia, mas na hora ele ia lembrar?", contou Tânea. Uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) esteve no local, mas a criança já estava morta.

Rafael e o filho Guilherme
(Foto: Reprodução)

Uma viatura da 26ª Companhia Independente da Polícia Militar (Brotas) também foi acionada. O Departamento de Polícia Técnica (DPT) fez perícia e remoção do corpo no início da manhã. O corpo de Guilherme foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML).

A tela de nylon de proteção que fica na janela estava cortada. "A rede foi danificada no acidente, mas antes ela estava em perfeito estado. Não sabemos ainda o que aconteceu, até porque se diz que ela não corta nem com faca. Eu não entrei no apartamento e não sei se lá dentro tem algum objeto cortante, como tesoura", explicou a tia do menino.

Segundo a família, os pais da criança estão em estado de choque. "Ela não queria sair do apartamento e ele não quer ficar lá de jeito nenhum. Estamos tentando uma acomodação com o resto da família para ver como vai ficar", disse Tânea. Os objetos pessoais do casal foram retirados do apartamento e levados para casa de outros parentes.

"A tragédia acontece nas outras famílias e a gente nunca entende que pode vir para nossa também. Os pais se dão super bem. Ela tem uma natureza muito boa e ele é um rapaz muito legal, nunca tiveram problema", concluiu a tia do garoto. O caso está sendo investigado pela 6ª Delegacia, em Brotas.

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