Salvador

Estudante de jornalismo fala sobre confusão entre policiais e moradores do Calabar

Confira o texto de Julien Karl sobre a confusão na noite deste domingo (06) no Calabar

Julien Karl
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Será o fim da Pax Romana do Calabar? Um ano após a chegada da UPP, confusão entre policiais e moradores termina em pancadaria. Moradores indignados com a interrupção de uma festa pela SUCOM protestaram e na confusão houve a detenção de pessoas da comunidade que, de acordo com a polícia, agiram com violência. A prisão de pelo menos um dos locais transformou moradores em manifestantes que se organizaram para tocar fogo no lixo e em pneus e paralisaram o trânsito na Av Centenário por 1 hora.

Diante da gravidade da situação patrulhas da RONDESP foram chamadas para reforçar o efetivo. Diversos moradores acusaram a polícia de agir violentamente e eu próprio pude verificar a utilização de Spray de pimenta pelos policiais. Também foi mostrado por moradores uma cápsula de munição que teria sido disparado por um policial. É o primeiro grande incidente desde a fundação da UPP em 2011.

Mais tarde, por volta das 20h após a troca de turnos o batalhão da RONDESP presente correu mais uma vez pra dentro da favela. Estavam ocorrendo rumores de que o prédio da base comunitária estaria sendo atingido com pedras pela comunidade. Segundo policiais, pelo menos um pedra foi de fato arremessada. Para um tenente que comandava o efetivo da UPP, o grande número de moradores em vista do pequeno efetivo da UPP justificou a presença do reforço.

De acordo com os organizadores da festa que foi suspensa pela SUCOM, o evento já ocorre há muitos anos e o grupo Samba Semente que anima o encontro já existe faz 30 anos e é original da comunidade. O organizador Paulo Sá , afirma que a festa já vinha acontecendo durante a presença da UPP e que tinha até autorização, mas que os funcionários da Superintendência não levaram em consideração.

Já para Kelton Ubiraci, músico, que também organiza a festa todos os domingos de maio, a violência do tráfico diminuiu desde a ocupação da Unidade da Policia de bairro mas ainda não há diálogo e integração que garanta a cultura e expressão das comunidades.