Salvador

Fundac instaura sindicância para apurar suposta agressão a jovens da Case

Dezoito jovens teriam sido agredidos por funcionários no dia 9 de agosto deste ano

Redação CORREIO (redacao@correio24horas.com.br)
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A Fundação da Criança e do Adolescente do Estado da Bahia (Fundac) instaurou uma sindicância para apurar uma suposta agressão a jovens da Comunidade de Atendimento Socioeducativo de Salvador (Case), localizada no bairro de Tancredo Neves, em Salvador.


Segundo a assessoria de comunicação do órgão, os cinco funcionários acusados já foram afastados da instituição. Na semana passada foi publicada no Diário Oficial do Estado a nomeação do advogado de defesa dos servidores para o processo administrativo disciplinar que apura o caso:


Os jovens teriam sido agredidos pelos funcionários no dia 9 de agosto deste ano, com pedaços de madeira. Em entrevista ao Correio24horas, o diretor adjunto do órgão responsável pela Case, Isidoro Orge, informou que houve um confronto entre os jovens e os funcionários tentaram conter a confusão:


“Na realidade, a informação que foi passada sobre o ocorrido é que havia um confronto entre os adolescentes, e os funcionários tiveram a perspectiva de contenção. Essas informações estão sendo apuradas, investigadas através de um processo administrativo”.


Exame de corpo de delito
Ainda segundo o diretor, 18 jovens que teriam sofrido às agressões foram submetidos a exames de corpo de delito. O resultado, no entanto, ainda não divulgado, o que deve acontecer em 30 dias.


“A preocupação nossa é justamente identificar as sequelas encontradas nos adolescentes. Nós os encaminhamos para a delegacia para fazer exame de corpo de delito para verificar se a contenção foi excessiva e, consequentemente, havendo a ilegalidade da ação, tomar as decisões devidas”, diz o diretor.


Se houver comprovação das agressões, os cincos funcionários acusados serão suspensos e demitidos da Case.


Fuga
Entre 22h e 23h da noite de quarta-feira (17), doze jovens fugiram da instituição. Eles serrarem as grades dos alojamentos e pularem os muros com apoio de uma corda feita com lençóis – conhecida como Tereza.

 

De acordo com a denúncia de um leitor ao Correio24horas, alguns dos jovens fugitivos teriam sofrido às agressões dos funcionários. No entanto, o diretor Isidoro Orge não acredita que a fuga esteja relacionada à agressão:


“Um fato não está ligado ao outro. Houve apenas a coincidência de ocorrer no mesmo lugar. Nós estamos agora verificando com a perícia técnica como isso (a fuga) aconteceu. Instauramos um processo administrativo e, como não se tratou do mesmo plantão, acreditamos que um fato não tem a ver com o outro”.


Agentes da Delegacia para o Adolescente Infrator (DAI) já foram informados sobre a fuga. Um dos adolescentes que fugiram foi apresentado pela mãe na manhã desta quinta-feira (18). Ele foi encaminhado de volta à Case.


O relatório conclusivo sobre o processo que apura a denúncia de agressão deve ser apresentado no prazo de 60 dias úteis (contados a partir da edição do dia 12 do Diário Oficial).