Salvador

Invasor de prédios visitou edifício que pretendia roubar no Itaigara

O ladrão, preso segunda-feira, revelou que estava com tudo planejado para assaltar hoje "um prédio grandão"

Jorge Gauthier (jorge.souza@redebahia.com.br)

Câmeras de segurança na entrada das garagens e porteiros treinados, a postos por 24 horas, não intimidaram o desejo do assaltante Adson Santos de Jesus, 37 anos, de colocar o Residencial Alto do Iguatemi na lista dos prédios invadidos e roubados por ele.


O ladrão, preso segunda-feira, revelou que estava com tudo planejado  para assaltar hoje “um prédio grandão, atrás do Iguatemi. Esse tinha câmera e tudo, mas eu ia meter as caras”, disse.

Administrador Evandro Oliveira suspeitou de Adson há duas semanas, quando o assaltante ofereceu serviço de jardinagem. Ele alertou porteiros


Para alívio dos moradores, a polícia foi mais rápida e prendeu Adson, que estava foragido desde que saiu da prisão para os Dia dos Pais de 2011 e nunca retornou. O administrador do Residencial Alto do Iguatemi, Evandro Oliveira, reconheceu o assaltante pelas fotos publicadas ontem no CORREIO e ficou satisfeito.


“Ele esteve aqui, há duas semanas, dizendo que tinha vindo do interior, oferecendo serviço de jardinagem. Eu disse que não tinha jardim e ele ficou perguntando o que tinha no condomínio e insistindo para oferecer os serviços aos moradores”, contou Oliveira.


Alvo

O residencial, localizado na rua Clarival do Prado Valladares, tem 16 andares e 64 apartamentos. “Ele insistiu muito para entrar no prédio e ficou muito tempo observando. Todos os porteiros foram alertados depois que ele veio se informar, para ficarmos atentos se ele voltasse”, afirma o administrador, que viu Adson apenas uma vez.


O delegado Nilton Tormes, da 16ª Delegacia (Pituba), não confirmou se esse seria o prédio que Adson pretendia assaltar hoje, mas disse que o modo de sondagem é o mesmo usado pelo assaltante.


Adson atuava com o irmão Ednei de Jesus. Juntos eles roubaram apartamentos na Graça, Ondina, Rio Vermelho e Costa Azul. Com mais de 10 anos de experiência, o administrador do Alto do Iguatemi diz que suspeitou da atitude de Adson logo de cara.


“Ele chegou para oferecer o serviço e não tinha nem um cartão de visitas. Anotou o telefone num pedaço de papel e deixou na portaria depois que eu falei que ele não ia entrar”.


Um morador do edifício vizinho, que prefere não se identificar, afirma que na semana passada viu Adson na rua em frente ao Residencial Alto do Iguatemi. “Eu lembro que fiquei com medo, porque ele estava olhando muito para o prédio. Gravei bem a cara dele e uma semana depois vi ele rondando aqui”, contou.


Uma comerciante da rua, que também pediu anonimato, garantiu que Adson chegou a comprar lanche em sua barraca. “Ele estava falando no celular o tempo inteiro e começou a perguntar muita coisa, se eu sabia de alguém que precisava de jardineiro, porque ele tinha vindo do interior. Achei estranho e fiquei com muito medo dele na hora que vi”, disse. 


Nobre

De acordo com informações da Construtora Segura, que ergueu o residencial, os apartamentos do prédio estudado como próximo alvo de Adson são vendidos, em média, por R$ 500 mil.


São unidades de três quartos, com suíte e área integrada de lazer, bem atrás do Shopping Iguatemi. O prédio foi entregue para os moradores há seis meses e hoje há um apartamento anunciado para venda por R$ 560 mil.


Moradora da Rua do Timbó, próxima ao residencial, Lícia Melo ficou assustada ao ver a foto de Adson, temendo que seu prédio, que já foi assaltado duas vezes, entrasse na rota de roubos. “Isso é de assustar a gente. Podia ser qualquer um dos nossos prédios”, disse. 


Outro morador da rua, Eduardo Queiroz, acha que o grande volume de prédios na região é um risco. “Cobramos sempre a atenção dos porteiros, na hora de entregas, principalmente”, conta Queiroz. Segundo ele, não são raros os roubos na rua, principalmente de carros e pedestres, quando vão entrar nos condomínios. 


Porteiro há 15 anos de um edifício no Alto do Itaigara, Márcio Lúcio diz que a

desconfiança é seu principal aliado para evitar roubos no condomínio.

“Aqui ficamos atentos e de olho. Quando tem uma pessoa rondando a área, perguntando demais, fico logo atento. Para entrar no prédio, tem que apresentar o RG. O pessoal de serviço só entra se for autorizado pelo morador”,  conta ele, que faz cursos de aperfeiçoamento pelo menos duas vezes no ano.


Bandidos atacam áreas nobres mais tradicionais

Os bairros nobres de Salvador são os principais alvos de ladrões que, desde setembro do ano passado, já invadiram 13 condomínios residenciais. Pituba, Rio Vermelho, Graça e Itaigara são as áreas preferenciais dos assaltantes. Em todos os casos, os bandidos agrediram moradores ou funcionários. Além disso, de acordo com a polícia, há relatos de ameaças de morte.


O delegado Nilton Tormes, da 16ª Delegacia (Pituba), responsável por bairros com muitos prédios no padrão procurado pelos bandidos, afirma que cabe aos condomínios investir em equipamentos de prevenção. “Normalmente eu oriento que os condomínios instalem câmeras de segurança, pois elas facilitam a investigação”.


Os assaltantes, assim como Adson, costumam enganar os porteiros, utilizando, por exemplo, crachás de empresas e uniformes de prestadores de serviço. Para Tormes, bairros como o Horto Florestal, também de alto padrão, não estão no foco dos bandidos por serem áreas relativamente novas. “Os ladrões buscam facilidades.


No Horto, por exemplo, há poucas rotas de fuga e os prédios têm sistema de segurança mais avançados”. Em alguns prédios, os elevadores só se movimentam com uma senha individual.


Adson fez parte da quadrilha do assaltante Polegar

O assaltante Adson Santos de Jesus atuava com o auxÍlio do irmão Edinei de Jesus que, segundo o delegado Nilton Tormes, é o ladrão de condomínios mais procurado no momento pela polícia.  Em janeiro, seis integrantes de uma quadrilha especializada em roubar residências já haviam sido presos.


O líder do grupo, Ademir Ribeiro dos Santos, o Polegar, 22 anos, segundo o delegado Nilton Tormes, já foi comparsa de Adson. “Eles roubavam juntos em 2004, quando Adson foi preso”, explica.


O delegado afirma que ainda há outras quadrilhas na cidade que atuam especificamente com assaltos a condomínios de classe média alta. “Estamos investigando e pedimos a colaboração da população para denunciar suspeitos que podem  ter envolvimento com os crimes pelo telefone 3235-0000”, lembra o delegado.

Bando chefiado por Polegar, vestido de preto, contava com três mulheres. Todos foram presos em janeiro


Equipamentos só servem com treinamento

Câmeras com infravermelho e capacidade para gravações noturnas, equipes de segurança permanente, câmeras com sistema de reconhecimento facial, fechaduras especiais e portaria blindada. Esses são alguns itens usados atualmente nos condomínios por razões de segurança, de acordo com Márcio Erli, gerente regional da administradora de condomínios APSA.


Erli pontua que as câmeras, equipamentos mais usados, devem ser monitoradas a todo momento para terem serventia. “Devidamente planejadas e bem posicionadas, as câmeras registram qualquer movimentação, ajudam a esclarecer fatos e até mesmo inibem, por exemplo, atitudes inapropriadas de moradores”, diz.


Para o especialista, os equipamentos só são eficazes quando há material humano qualificado. “Porque se nem a equipe, nem o condomínio ou moradores não souberem tirar proveito de tecnologias como essas, então pode não funcionar como se espera. Por isso, selecionar e treinar pessoal é fundamental”, diz.


Matéria original Correio 24h

Invasor de prédios visitou edifício que pretendia roubar no Itaigara