Salvador

Lotéricas reclamam de sistema e iniciam boicote à Caixa

Alguns serviços ficam suspensos a partir deste sábado (28), diz o sindicato

Da Redação

Quando o sistema cai e a fila faz caracol, o povo não quer nem saber de quem é a culpa. “Você é xingado até de mafioso”, desabafa Marcos Gerônimo, dono da Casa Lotérica Ifá, na avenida Cardeal da Silva. “O pessoal na fila fica revoltado. E eu fico morto de vergonha”, emenda Gildo de Lemos Couto, dono da Santa Cruz, na Joana Angélica.


Eles contam que, de um mês para cá, têm sido constantes as quedas no sistema, fornecido pela Caixa Econômica Federal. E como o problema não é só em Salvador, a Federação Brasileira das Empresas Lotéricas, (Febralot) convocou para hoje uma paralisação parcial em todo o Brasil.


Hoje, as casas lotéricas que aderirem ao movimento não estarão efetuando pagamentos de contas e boletos bancários. No próximo sábado, o protesto se repete. Já durante a semana, o boicote será na abertura de conta corrente e poupança da Caixa.  


Adesão
Segundo a Febralot, 80% das 12.039 lotéricas do Brasil já confirmaram adesão ao movimento. Na Bahia, a reunião decisiva está marcada para a próxima terça, mas o vice-presidente do Sindicato dos Empresários Lotéricos da Bahia (Sinloba), Valdir de Jesus Souza, espera a adesão de cerca de 50% das 725 unidades já a partir de hoje.


Ele esclarece que a principal reivindicação é que a Caixa realize a atualização técnica do sistema de loterias que, em funcionamento há seis anos, apresenta sinais de inconsistências (chegando a ficar sem sinal durante quatro a seis horas) principalmente no início de cada mês, período em que se concentra o maior número de pagamentos.


“Teve um dia que o sistema caiu 8h15 e não voltou mais”, diz o empresário Gerônimo, endossando o discurso. Apesar disso, ontem à tarde, ele ainda não sabia se iria aderir ao movimento. Já seu Gildo, da Santa Cruz, disse que ia esperar a mobilização ficar mais forte para aderir. “Não vou deixar de cobrar não, porque meus concorrentes vão cobrar. Por enquanto, está muito mal organizado”, disse.


Os dois também relatam problemas com as máquinas de cartão fornecidas pela Caixa. “Tenho uma aqui que já foi consertar umas 20 vezes e não resolveu”, diz Gildo. “Depois que mudaram para essa com chip nunca mais foi a mesma coisa”, emenda Marcos Gerônimo. Segundo ele, a mudança ocorreu há três meses.     

reajustes  Além das melhorias no sistema, os empresários lotéricos também pleiteiam o reajuste das tarifas dos 21 serviços realizados pela Rede Lotérica, dos quais, segundo eles, 16 dão prejuízo.


Segundo o sindicato baiano, hoje eles recebem da Caixa R$ 0,22 por cada conta de energia recebida, R$ 0,26 pelas de água e R$ 0,30 pelos boletos de cartão de crédito. “Há uma defasagem muito grande das tarifas”, reclama Valdir.


Procurada, a assessoria de imprensa da Caixa Econômica Federal informou que membros de sua diretoria estão com uma reunião marcada com os sindicatos para a próxima sexta-feira.  Na ocasião, irá apresentar aos empresários um novo plano de ação, que inclui atualizações tecnológicas e reajustes nas tarifas. O plano, acrescentou, está sendo elaborado desde o ano passado e nada tem a ver com o movimento.


A Caixa lembra ainda que o boicote não deverá trazer prejuízo aos clientes, pois estes contam com meios alternativos para pagamento de boletos e abertura de contas.  O diretor de estratégia e distribuição da Caixa, Paulo Nergi, afirmou que a paralisação não afeta o planejamento da empresa, definido desde fevereiro, e que os problemas no sistema são "pontuais".


“Temos uma equipe técnica permanente para solução desses problemas, que são pontuais. Nos últimos meses, tivemos recorde de 1.504 transações por segundo. Temos certeza que todas as medidas  vêm sendo tomadas para a total estabilização do sistema.”


Quanto aos lotéricos, eles não pretendem encerrar o movimento no próximo sábado, caso não consigam evoluir nas negociações. Em nota, o Sinloba informou que após 4 de agosto, os sindicatos estaduais farão nova assembleia para avaliar a continuidade ou não do movimento.


Matéria original Correio 24h

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